Cinema Críticas

Crítica: Dear Zachary: A Letter to a Son About His Father (2008)

Dear Zachary Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE DEAR ZACHARY: A LETTER TO A SON ABOUT HIS FATHER!!!

Por norma, é muito raro eu ver documentários, e os poucos que vejo estão normalmente associados ao mundo da natureza e de algumas curiosidades sobre o ser humano. Agora, no que refere aos documentários true crime, tenho tipo pouca ou nenhuma exposição. Ultimamente, um dos meus amigos mais chegados tem-me vindo a desafiar a ver outros filmes que fogem ao que estou habituado a ver e escrever (daí ter elaborados recentemente críticas aos filmes The Half of It e Bacurau). Esse mesmo amigo desafiou-me a ver Dear Zachary, de 2008. E devo-vos confessar que parte de mim está arrependida de o ter visto, mas não pelas razões pelas quais poderão estar a pensar.

Andrew Bagby era uma jóia de pessoa. Um bom profissional como médico e uma presença especial nas vidas dos seus pais, da sua família e dos seus amigos. Num dia fatídico, Andrew é encontrado morto, e a principal suspeita é a sua ex-namorada, Shirley Turner. Kurt Kuenne, um dos melhores amigos de Andrew, decide reunir histórias sobre ele quando Shirley confirma estar grávida dele.

Permitam-me começar por dizer simplesmente isto: não estarão preparados para o que irão enfrentar em Dear Zachary. Uma porção do documentário dedica-se aos testemunhos de várias figuras sobre o tipo de pessoa que Andrew Bagby era, combinando entrevistas com as pessoas mais importantes da sua vida com stock footage. Daqui, retira-se a conclusão que, tanto em termos pessoais ou profissionais, Andrew era uma das melhores companhias que qualquer um de nós poderia querer nas nossas vidas. Ponto.

Esta mesma forma de ternura de vários intervenientes pode também ser encontrada na forma de David e Kathleen Bagby, os pais de Andrew, e de como a sua presença influenciou essas mesmas pessoas durante anos a fio. Ou mesmo quando o foco se volta para o titular Zachary Andrew Turner, e o carinho sentido pelos seus avós, família e amigos.

Estes elementos mais familiares conseguem ser verdadeiramente enterneceres, cortesia dos intervenientes e dos esforços de Kuenne, que se encarregou de tudo, inclusive, da banda sonora, mas Dear Zachary vai mais além desta demanda, e transforma-se numa investigação que certamente não deixará ninguém indiferente. Esta secção mostra-nos uma clara figura de Shirley Turner, permitindo-nos, como audiência, tirar as nossas próprias conclusões do assunto.

Além disso, o documentário também expõe as várias lacunas que existem no sistema jurídico, especificamente no território canadiano. Torna-se irónico como este mesmo sistema pode ter sido o catalista para o twist final do documentário, que é, por si só, tão chocante ao ponto de despontar sentimentos inesperados em qualquer um de nós (tendo terminado de ver este documentário minutos atrás, ainda estou a ter problemas em processar o que vi, com sentimentos de raiva e ódio ainda pendurados no coração).

Dear Zachary é um documentário que é obrigatório de ver, nem que seja uma vez na vida. Irão odiar as ações cometidas por um ser humano tão normal quanto nós, irão ficar chocados com um sistema judicial repleto de falhas, mas certamente acabarão por esboçar um sorriso de emoção quando descobrirem e compreenderem a história de luta e perseverança por parte dos Bagbys. Ah, e depois de verem o documentário, recomendo que saltem para o site http://dearzachary.com/, onde encontrarão uma curta-metragem sobre a influência do documentário e do livro lançado por David Bagby, Dance With The Devil.

Podem ler outras Críticas aqui.

Título: Dear Zachary: A Letter to a Son About His Father
Realização
: Kurt Kuenne
Elenco:
Kurt Kuenne, David Bagby, Kathleen Bagby, Andrew Bagby, Zachary Andrew Turner
Duração: 95 minutos

Comments