Mini-Reviews TV TV

The Eddy – Series Finale – 1ª Temporada

PODE CONTER SPOILERS DE THE EDDY!!!

WhiplashLa La LandFirst Man. Com apenas três filmes até à data, Damien Chazelle provou ser uma das novas caras do cinema que muita gente pode – e deve – prestar bastante atenção durante o futuro próximo. E os seus dois primeiros filmes demonstraram bem a sua paixão pelo jazz. E é essa mesma paixão que Chazelle, em parceria com Jack Thorne – que serve de showrunner – trouxe para o pequeno ecrã com The Eddy, a mais recente aposta da Netflix.

Elliot Udo (André Holland) é um ex-pianista de jazz que passa a maior parte do seu tempo a co-gerir The Eddy, um clube de jazz localizada em Paris, e a escrever as letras e composições para a banda residente. No entanto, as coisas começam a dar para o torto quando os negócios obscuros do seu parceiro chegam ao de cima, ao mesmo tempo que Elliot tenta lidar com a chegada da sua filha, Julie (Amandla Stenberg).

The Eddy series finale

O MELHOR:

Tal como WhiplashLa La LandThe Eddy é uma verdadeira carta de amor ao jazz.

Esta minissérie toma uma abordagem diferente do habitual, mesmo para o meu gosto pessoal. Com uma duração de 8 episódios (a rondar uma hora de duração cada), The Eddy encontra vários pontos de foco durante o seu curso. Embora a narrativa principal continue presente (envolve Elliot a tentar lidar com os seus demónios pessoais e as suas relações com quem se encontra à sua volta, ao mesmo tempo que tenta manter o seu clube vivo durante as adversidades), a minissérie aposta mais em concentrar as suas atenções em diversos membros do seu elenco. E, por mérito de um elenco surpreendentemente diversificado, funciona bastante bem.

Holland é o nome mais sonante de The Eddy, e o ator tem o magnetismo suficiente para aguentar com o peso da série, mas isso não implica que o restante elenco fique para trás, com a minissérie a deixar várias oportunidades de desenvolvimento do elenco. A série oferece vários bons exemplos deste mesmo desenvolvimento, acompanhando o dia-a-dia de vários membros do clube, a sua história, os seus conflitos internos. No entanto, existe um certo poder no quarto episódio, que é absolutamente poderoso e não menos realista.

The Eddy series finale

Com tantas histórias tão diferente, a música e como esta consegue unir até mesmo meros estranhos de várias etnias, religiões e situações sócio-económicas torna-se o grande chamariz de The Eddy. Em mais do que um momento, durante o longo curso da série, vemos inúmeras performances de jazz, tanto no clube titular como também em várias situações, e não se resume apenas ao jazz, como também temos direito a uma espécie de rap francês pelo caminho.

Em termos técnicos, The Eddy aproxima-se bastante às técnicas a que acostumámos a ver no cinema independente. Não só pelo (sobre)uso do chamado shaky cam, mas também pelos planos íntimos em que captamos não só as personagens do filme, mas também a cidade de Paris como ela é. A minissérie pode colocar o jazz num patamar quase a roçar no meta-físico, mas não descura mostrar a capital de França como uma espécie de cidade multicultural. E considerando que existem alguns filmes e séries que tendem a romantizar a Cidade do Amor, vermos esta versão de Paris consegue ser uma novidade.

The Eddy series finale

O PIOR:

The Eddy está longe de ser uma obra perfeita.

O ritmo da minissérie é fácil de captar. Claro que esta aposta funciona como uma espada de dois gumes: por um lado, dá prioridade aos seus personagens, e disso não há queixas; no entanto, isso sacrifica o avanço da narrativa principal. Aliás, a mesma narrativa também podia ter sido melhor aproveitada se tivessem cortado o elemento criminal. Sim, consegue oferecer uma espécie de risco para Elliot e os seus amigos, colegas e familiares, mas também não oferece algo único.

E depois existe a questão de The Eddy ser uma minissérie com mais do que uma língua. Este é um elemento que agradará a alguns, mas dá algumas dores de cabeça vermos personagens a falar em inglês para depois transitarem para francês e, em alguns casos, saltarem para outras línguas (pude detetar algumas instâncias de árabe, russo, ucraniano ou mesmo português). Não tive muitos problemas com isto, e mesmo alguns atores sem experiência com o francês até possuem um talento surpreendente para a língua, mas creio que esta técnica devia ter sido melhor empregue em melhores ocasiões.

Mesmo assim, The Eddy possui o seu charme, seja pelas suas personagens humanas, a interpretação de Paris sob um olhar mais realista que o habitual ou, e este é um elemento deveras importante, a música como uma escapatória de uma vida que não é tão fácil de lidar quanto parece.

Podem ler outras Mini-Reviews aqui.

Estado da série: TERMINADA

0 80 100 1
80%
Average Rating

Apesar das suas claras falhas, The Eddy serve como um hino à música e de como esta une as nossas vidas de uma forma bastante significativa.

  • 80%

Comments