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Crítica: Bacurau (2019)

Bacurau Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE BACURAU!!!

Quando vamos ao cinema ou ligamos os computadores/diapositivos móveis para ver um determinado filme, já vamos com uma leve ideia do que poderemos esperar. Ainda assim, há alguns que conseguem dar a volta e oferecer-nos algo verdadeiramente diferente. Bacurau é um exemplo disso.

Depois da morte da sua avó, Teresa regressa a Bacurau, uma pequena aldeia localizada perto de Serra Verde, no Brasil. É uma aldeia pacata e que a maioria dos seus habitantes consegue relacionar-se surpreendentemente bem. No entanto, essa mesma harmonia é perturbada quando vários eventos bizarros começam a assolar a vida tranquila dos habitantes de Barucau.

Numa primeira vista, é fácil ver Bacurau com um toque contemporâneo. Apesar de o filme indicar que os seus eventos decorrem num futuro próximo no Brasil, é impossível não olharmos para esta aldeola com um toque bastante moderno. O primeiro ato – em que vemos Teresa, uma das “pseudo-protagonistas”, a chegar às aldeia com vacinas e medicamentos a bordo de um camião-cisterna de água – mostra-nos como é a vida, e vermos os aldeões a venderem os seus produtos ao ar livre, lavarem-se em banhos públicos, ou utilizarem um contentor como um bordel, ao mesmo tempo que batalham com a escassez de bens ou serviços de primeira necessidade, faz-nos lembrar não só os westerns de outrora mas decorrendo na era moderna, mas também da triste situação que muitos habitantes do Brasil possam estar a passar neste momento.

No entanto, é a partir do seu segundo ato que Bacurau começa a enveredar por territórios mais bizarros. Cortesia de vermos alguns eventos tão esquisitos que até o próprio David Lynch ficaria corado por completo. É claro que a tonalidade volta a mudar perto do terceiro ato, o que mostra a vontade de arriscar dos realizadores e guionistas do filme, Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles.

O elenco vastíssimo de Bacurau está longe de ser o melhor do filme, muito porque, mesmo com uma duração a ultrapassar as 2 horas de duração, não deixa bastante espaço para desenvolvimento. No entanto, o verdadeiro protagonista do filme é a própria aldeia esquecida, que fervilha de vida e personalidade, já para não falar da devoção das pessoas para com a mesma.

No entanto, não esperem um filme perfeito de Bacurau. Com tanta alteração de temáticas pelo meio, fica difícil entender que tipo de filme é que este está a tentar ser. Será um neo-western? Um thriller com toques de ficção científica? Uma comédia negra? Tanto pode ser como não pode, fica difícil de entender.

Os atores presentes fazem um trabalho competente, inclusive a presença especial de Sônia Braga, irreconhecível no papel da médica da aldeia, mas não exibem qualidades que tornem estas performances “únicas” e dignas de destaque.

Mas no fim e ao cabo, Bacurau acaba por ser uma entrada bizarra no mundo do cinema. É difícil entender que tipo de filme é que este pretende ser, mas quando ignorarem esse “problema”, vão conseguir apreciar esta viagem bizarra em tempos igualmente bizarros.

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Título: Bacurau
Realização: Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelles
Elenco: Bárbara Colen, Thomas Aquino, Sônia Braga, Udo Kier
Duração: 131 minutos

Trailer | Bacurau

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