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Crítica: Ordinary Love (2019)

Ordinary Love Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE ORDINARY LOVE!!!

Nesta altura, estamos mais do que habituados a ver filmes em redor de uma personagem a contrair uma doença e o seu trajeto para melhoria. Dependendo do filme em questão, podemos encontrar obras que começam a tecer alguns trajetos bastante familiares.

Ordinary Love é uma das poucas exceções à regra.O filme centra-se em Tom e Joan Thompson, um casal de meia-idade que leva uma vida silenciosa e harmoniosa. No entanto, este casal enfrenta o maior desafia quando Joan descobre ter cancro da mama.

Não se deixem enganar pela temática em questão. Enquanto a maior parte dos filmes em redor do diagnóstico cancerisno tendem a ter aquele feel good vibe, Ordinary Love está longe de ser um mar de rosas. Pode não ser exatamente extraordinário ao ponto de ser um dos melhores filmes de todos os tempos dentro desta temática, mas essa nunca foi a sua intenção. O filme é um retrato cruel de como a vida de um casal consegue ser afetada profundamente por causa deste diagnóstico. Mas também possui os seus momentos doces, e a mensagem de luta perante uma adversidade pesada consegue criar uma ligação com o espectador.

Claro que este efeito torna-se mais evidente pela direção dedicada de Lisa Barros D’Sa e Glenn Leyburn e um guião realista de Owen McCafferty que concedem o efeito desejado. Mesmo sendo um filme com toques independentes, existe sempre algo para encontrar e deliciar, desde a fotografia intimista e panorâmica (em alguns casos) até à banda sonora da autoria de David Holmes e Brian Irvine.

Claro que isto tudo não seria possível se Tom e Joan não foi interpretados com uma complexidade que o ser humano possui, e é isso mesmo que Liam Neeson e Lesley Manville nos oferecem em rodos. Os dois atores revelam aqui as suas maiores forças, seja Neeson a “reformar-se” brevemente da sua veia de ação para uma performance mais humana (já para não falar do regresso do seu sotaque irlandês) ou Manville a exibir a vulnerabilidade, a dor e a força de uma mulher diagnosticada com o cancro da mama. Isoladamente, ambos possuem interpretações interessantes, mas é quando estão presentes na mesma cena em que os dois conseguem enaltecer, espelhando a esperança, a dor, a alegria, a tristeza que tantos casais passam no lado de cá perante uma situação como esta.

Ordinary Love está longe de ser um filme perfeito, e a sua familiaridade com o tema faz com que perca uma porção do fator surpresa, mas compensa através dos seus aspetos técnicos interessantes, um guião e direção irrepreensíveis e um par de performances humanas.

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Título: Ordinary Love
Realização: Lisa Barros D’Sa, Glenn Leyburn
Elenco: Liam Neeson, Lesley Manville, David Wilmot, Amit Shah
Duração: 92 minutos

Trailer | Ordinary Love

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