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Crítica: Murder to Mercy: The Cyntoia Brown Story (2020)

Murder to Mercy Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE MURDER TO MERCY: THE CYNTOIA BROWN STORY!

A Netflix tem apostado em documentários ricos e poderosos. Murder to Mercy: The Cyntoia Brown Story é o mais recente caso. Não é um estranho, mas é um que nos deixa a pensar. Em termos argumentativos, Murder to Mercy não é propriamente inovador e, de facto, tem alguns aspetos negativos na sua composição.

Murder to Mercy Critica de Cinema

No entanto, é um documentário essencial para mexer com as mudanças que a justiça deve fazer para que futuros casos do género possam ser reavaliados. Para os que não conhecem a história, Cyntoia Brown foi condenada aos 16 anos por homicídio qualificado em primeiro grau. As circunstâncias do seu aprisionamento não são fáceis de lidar, já que a jovem era prostituta e assassinou um cliente, que alega que foi em legítima defesa. É um caso aparentemente sem qualquer tipo de dúvida, até que começamos a conhecer todo o background que levou Cyntoia a cometer este crime. Ela é culpada, disso não há dúvida, mas numa idade em que o cérebro não está adaptado a reconhecer a gravidade das situações, fora todo o seu histórico genético de violência, abandono e violações, há que avaliar todas as perspetivas da sua condenação.

Murder to Mercy é implacável em defender Cyntoia, tanto que perde o foco da vítima (e por conseguinte o respeito pela mesma), e insiste em tentar arranjar estratégias para o público perceber a fragilidade e o progresso de Cyntoia enquanto ser humano. Não é, de todo, um parâmetro que prejudique Murder to Mercy, afinal de contas, é sempre bom acabarmos com um final feliz de alguém que, durante anos, foi uma vítima das circunstâncias terríveis que a colocaram nessa posição. Poder acompanhar o seu crescimento como uma indivídua que pode continuar a contribuir para a sociedade ao, por exemplo, atacar o tráfico e prostituição infantil.

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Cyntoia Brown é um caso de esperança e um que revela que o ser humano é capaz de se reinventar e de melhorar com o passar dos anos. Clemência, aqui é certamente algo a ponderar e o arrependimento é notório nos olhos da jovem (agora adulta) Cyntoia. Mas Murder to Mercy devia incluir e abordar a vítima de forma mais vasta, porque ficamos a conhecer demasiado pouco sobre a mesma. Merecia ele o destino que teve? Como se sente a família? Conheciam eles o histórico de Johnny Allen?

São perguntas demasiado importantes para serem esquecidas. Cyntoia Brown representa o arrependimento, a luta, a esperança e a transformação. Mas… e Johnny Allen? O que representa ele? Não é um número… é um ser humano a quem a vida foi retirada. Era ele um predador sexual? Ficamos sem saber em que patamar a vítima se encontra. E isto acaba por prejudicar Murder to Mercy por ser uma vanglória para Cyntoia e não há respeito pela vítima.

Apesar de tudo, é um documentário interessante e que é realizado com carinho e é notória a capacidade do realizador Daniel H. Birman de continuar a seguir o caso desde 2004. Mas, para um filme que tem a proeza de acompanhar tudo desde essa altura, havia tempo também para o aperfeiçoar e torná-lo ainda mais rico do que uma mera história de redenção. É inegável o esforço e Murder to Mercy é excelente em criar empatia com Cyntoia e perceber que, ela própria, foi uma vítima durante quase toda a sua existência. No entanto, há aspetos que não podem ser esquecidos e, aqui, não foi feita justiça na sua integridade como produto artístico da área documental.

Murder to Mercy Critica de Cinema

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Título: Homicídio a Clemência: A História de Cyntoia Brown

Título Original: Murder to Mercy: The Cyntoia Brown Story

Realização: Daniel H. Birman

Duração: 96 min.

Trailer | Murder to Mercy: The Cyntoia Brown Story

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