Cinema Críticas

Crítica: Arkansas (2020)

PODE CONTER SPOILERS DE ARKANSAS!!!

Honestamente, não sabia bem o que estava à espera quando me foi desafiado ver o filme Arkansas. À primeira vista, tudo dava a entender que estaria perante mais um filme sobre o tráfico de drogas, ainda que fosse baseado num best-seller. No entanto, não estava necessariamente à espera do tipo de filme que Clark Duke – que realizou, escreveu e co-protagonizou o filme – nos estaria a oferecer: uma comédia negra. 

Kyle e Swin são dois traficantes de drogas que são relocados para o estado do Arkansas, por um misterioso chefe conhecido apenas como “Frog”. No entanto, tudo começa a descarrilar quando esta dupla comete um erro que se vai desenvolvendo como uma bola de neve. 

Arkansas Crítica de CinemaBem, este filme foi uma surpresa “estranha”. Já nos habituámos a ver filmes sobre tráfico de drogas tantas vezes que já nos familiarizámos com as fórmulas já estabelecidas. Arkansas, valendo o que vale, consegue o feito surpreendente de romper com essas mesmas fórmulas ao apostar forte e feio no lado obscuramente engraçado num tema sério e já batido. 

É fácil apontar para a invulgar “ausência” de uma narrativa direta ou de um ritmo mais lento do que o esperado, mas o perde nesses campos, ganha através das interações em comum entre as várias personagens. Temos o exemplo da relação profissional e pessoal entre Kyle e Swin, que funcionam como uma espécie de odd couple: Kyle é mais sério e estóico, demonstrando mais pelas suas ações do que propriamente as palavras, enquanto Swin é o comic relief, o “fala-barato”. Embora nos custe a habituar a esta dupla, quase duas horas de filme são o suficiente para criarmos uma espécie de ligação entre estes dois homens, cortesia das performances de Liam HemsworthClark Duke, respetivamente. 

Mas o filme não se trata apenas da história bizarra destes dois traficantes. Dividida em cinco capítulos, alguns deles centram-se na origem e ascensão do misterioso Frog, aqui interpretado por Vince Vaughn. A história centrada entre os dois traficantes principais pode ter os seus prazeres, mas existe algo fascinante em ver um homem comum a ser seduzido pelo submundo do tráfico da droga e começar a encontrar o poder e não conseguir abrir mão do mesmo, por mais que tente. Vaughn pode não triunfar no que toca ao drama, e embora Arkansas não redima esse problema por completo, consegue ser um dos poucos pontos positivos do ator nesta vertente. Mais impressionante ainda, é como a sua história consegue interligar-se com a narrativa principal, com alguns twists que, embora não sejam de fazer cair o queixo, não deixa de influenciar o filme de forma retroativa. 

Arkansas Crítica de Cinema

Surpreendentemente, Arkansas pode ser visto como um filme com algumas estrelas bem sonantes, com a curta aparição de John Malkovich a ser um dos meus favoritos do filme. Em tão pouco tempo, Malkovich consegue mostrar um tom sombrio, mas ao mesmo tempo hilariante, como Bright, o chefe dos rangers locais. Outros nomes incluem Michael Kenneth Williams ou Vivica A. Fox, mas não deixam de oferecer performances decentes. 

Agora, será que Arkansas conseguirá resistir o teste do tempo? Nem por isso. A narrativa confusa do filme não funciona tão bem a seu favor, e alguns espaços cénicos podem ter algumas maravilhas, mas não há muito que a Sul dos EUA possam oferecer. O filme também perde por focar também numa sofrível história de amor entre Swin e Johnna, que vem do nada e não nos dá muitas razões para torcer pelo casal. 

Dito isto, não será um filme que nos lembraremos quando o filme chegar ao filme, mas sendo o primeiro filme de Clark Duke como realizar, Arkansas é um primeiro esforço competente o suficiente para ficarmos atentos para o que o ator/guionista/realizador possa fazer a seguir. 

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Título: Arkansas
Realizador: Clark Duke
Elenco: Liam Hemsworth, Vince Vaughn, Clark Duke, John Malkovich, Michael Kenneth Williams, Vivica A. Fox, Chandler Duke, Eden Brolin
Duração: 
117 minutos

Trailer | Arkansas

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