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Crítica: Circus of Books (2019)

Circus of Books Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE CIRCUS OF BOOKS!

Imaginem uma família minimamente conservadora com uma aparente livraria chamada “Circus of Books” e que se especializou em… vender pornografia gay hardcore! Conheçam os Masons e a sua viagem por um negócio que marcou pela diferença toda a vivência gay em Los Angeles e que, como qualquer pequeno negócio em declínio, chegou a hora do adeus.

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Circus of Books é um produto de amor. Realizado pela filha Rachel Mason, este é um documentário que não se foca inteiramente na vertente do negócio controverso na altura dos seus pais, mas sim uma viagem pessoal sobre aceitação, mudança de mentalidades e construção de um futuro melhor para toda a comunidade, tenham eles a sexualidade que tiverem. A verdade é que Rachel consegue preencher o documentário com uma simplicidade bonita, ao mesmo tempo que age como uma carta de amor à sua família e de que, contra qualquer preconceito, o fator humano maior é o orgulho por tudo o que os seus pais fizeram.

Anos 80, a indústria pornográfica estava no seu auge e a revolução sexual estava em todos os cantos das cidades. A comunidade gay era livre até ao surto de SIDA que a devastou e às leis severas do governo para proibir a distribuição e venda de produtos pornográficos por serem considerados imorais ou obscenos. Contra tudo isto, os Masons mantiveram a sua loja e ainda foram promotores e produtores de vários filmes de pornografia gay. Um ato corajoso, para ambos. Apesar de serem um casal, Barry e Karen são muito distintos um do outro. Enquanto Barry é um otimista perante a vida, já Karen é conservadora nos seus ideias devido à sua educação fortemente religiosa.

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Mesmo não se importando com o estilo de vida da comunidade gay, Karen teve bastante dificuldade em aceitar que um dos seus filhos se viesse a assumir mais tarde. Como um real life Prayers for Bobby (mas sem um cenário trágico), Karen começou uma jornada pessoal para perceber como aceitar a continuar a amar o seu filho. E aqui é quando o documentário floresce verdadeiramente. Ninguém consegue controlar a sua sexualidade, é tão fluída como respirar ou viver. Não há como contrariá-la, nem como fugir dela. É fisiológico e inato. E a verdade é que a evolução de Karen enquanto pessoa é absolutamente extraordinária.

Com presenças de ícones ligados à luta dos direitos LGBTQ+ e uma das estrelas mais famosas da indústria pornográfica homossexual, Jeff Stryker, Circus of Books é um pequeno elogio a toda a comunidade e à perda de um tradicionalismo que foi substituído pela Internet com o passar do tempo. Tal como tudo, os pequenos negócios que se focavam na venda de VHS ou DVDs não conseguiram suportar a evolução tecnológica. Mas não há rancores, durante 30 anos, Circus of Books foi o refúgio, expansão e local de proteção para muitos e, de facto, merece o bonito documentário que a filha dos Mason lhe dedicou.

Portanto, apesar de ser simples demais, mas de conseguir ser surpreendente pelo seu mérito, Circus of Books é um documentário que pode abrir muitas portas em prol da sociedade mais conservadora e um que merece respeito pelo carinho com que é feito.

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Título: Circus of Books

Título Original: Circus of Books

Realização: Rachel Mason

Duração: 92 min.

Trailer | Circus of Books

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