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Better Call Saul – Season Finale – 5ª Temporada

Better Call Saul season finale

PODE CONTER SPOILERS DE BETTER CALL SAUL!!!

Ainda nos custa a acreditar que tivemos de esperar quase dois anos para uma nova temporada de Better Call Saul. Já para não falar que nos custa ainda mais saber que esta série, que serve de prequela para Breaking Bad, está cada vez mais perto do seu fim. Pois bem, a espera finalmente acabou e a AMC volta a entregar-nos uma temporada que nos enche o coração com as mais variadas emoções.

A temporada anterior encerrou com Jimmy McGill (Bob Odenkirk) novamente em posse da sua licença para exercer como advogado, além de finalmente adotar a famosa faceta de Saul Goodman. Posto isto, esta temporada explora as ramificações dessa mesma escolha, não só nos seus métodos mais bizarros para ganhar os seus casos em tribunal, como também na sua relação com Kim Wexler (Rhea Seehorn). Entretanto, a presença prolongada de Lalo Salamanca (Tony Dalton) começa a causar estragos nos planos de Gus Fring (Giancarlo Esposito).

O MELHOR:

As personagens de Better Call Saul continuam a ser os chamarizes da série.

Claro que a narrativa principal desta temporada não é tão evidente como nas temporadas anteriores, ao ponto de questionar aonde é que a série iria e que desafios iria apresentar aos seus atores principais, mas assim que os pontos se começam a unir, o resultado torna-se mais do que evidente. Todos são colocados com escolhas complicadas ao longo do seu trajeto, e são essas as escolhas que influenciam não só as suas respetivas transformações ao longo desta temporada, como também colocam dúvidas sobre o que poderemos esperar da temporada final.

Admito que tinha sérias expectativas no momento em que Jimmy legaliza Saul Goodman como a sua nova identidade profissional. No entanto, esta temporada deixa bem claro que, apesar desta transformação, Saul continua a ser Jimmy McGill. Está ainda longe de se tornar no advogado que os fãs de Breaking Bad encontraram pela primeira vez. E é caso para dizer que Bob Odenkirk, mais uma vez, demonstra ter as capacidades certas para se tornar num leading man muito depois do fim de Better Call Saul.

Mas se Jimmy não ilustra grandes mudanças aquando da sua transição para Saul, o mesmo não se aplica às pessoas em seu redor, e é caso para dizer que Kim exibe a maior fatia dessas mudanças. Rhea Seehorn tem sido um dos pontos positivos da série de forma consistente, e esta penúltima temporada não é exceção. Claro que, inicialmente, vemos uma Kim reticente com as escolhas bizarras tomadas por Jimmy, mas é impossível negar que essas mesmas escolhas estão a moldar a sua postura geral, levando a personagem para novos territórios que, se estivéssemos numa fase inicial da série, seria impensável. Mas agora, e tendo em conta o último lance de episódios, fica no ar a questão de Kim tornar-se parecida – ou pior – que Jimmy em alguns aspetos. Ainda que não saibamos ao certo como é que isto influenciará a sua ausência em Breaking Bad, mas é uma questão que se tornará mais evidente com a temporada final.

É claro que os “bons da fita” mostram uma clara mudança, mas a exploração do submundo do crime continua a ser um dos claros destaques de Better Call Saul nesta reta final, e mesmo os jogadores importantes também exibem trajetos bem definidos. Gus pode não ser alvo de mudanças repentinas ou mesmo esperadas, mas valendo o que vale, Giancarlo Esposito continua a mostrar aquela intensidade aterradora que tornaram o futuro barão da droga em Albuquerque, Novo México, na personagem icónica que Breaking Bad nos apresentou. Temos também a questão de Mike, cuja rota pessoal o coloca mais perto da posição em que o encontrámos anteriormente na série principal, e também é impossível não sentirmos pena da história trágica de Nacho. Jonathan Banks e Michael Mando podem exibir performances diferentes com personagens, mas em mais do que uma ocasião, Better Call Saul coloca o devido destaque nestes dois e nos seus conflitos internos.

E depois temos Lalo Salamanca. Esta não é primeira vez que encontramos este personagem, já que teve uma presença mais limitada na temporada anterior. No entanto, a promoção de Tony Dalton para o elenco principal certamente deixou o seu impacto. Este demonstra um lado mais “relaxado” e bem disposto, a roçar no “charmoso” e carismático. No entanto, possui uma semelhança com Gus em termos de intensidade e imprevisibilidade nas suas aparições e ações, o que o tornam um vilão inédito mas com um claro impacto inegável. Não há melhor exemplo disso do que os minutos finais no penúltimo episódio.

De resto, em termos técnicos, Better Call Saul continua a exibir as mesmas forças do costume, o que não é mau. A orientação de Vince Gilligan e Peter Gould como criadores da série deixam isso bem claro. A fotografia da série persiste com os seus frames das paisagens não só de Albuquerque, mas também do espaço que separa os Estados Unidos do México. Temos também os close shots, que nos dão uma sensação de claustrofobia em alguns casos, mas também de pequenos detalhes com um grande subtexto. Podem tirar as vossas dúvidas com o cold open do terceiro episódio, que tem tanto de impactante como de maravilhoso.

O PIOR:

Esta temporada de Better Call Saul pode estar ao mesmo nível que as anteriores, mas não em todos os aspetos.

Um desses claros exemplos reside na narrativa principal da temporada, que não é tão direta como as anteriores. Em jeito de comparação, a terceira e a quarta temporada ilustram, em jeito de narrativa geral, o conflito entre os irmãos McGill e o longo ano em que Jimmy se prepara para reativar a sua licença de advogado, respetivamente. Claro que as mesmas tiveram alguns desvios aqui e acolá, mas a direção geral continuava presente. O mesmo já não se aplica a esta temporada, que se assemelha mais a conjunto de vinhetas díspares que depois se unem de formas surpreendentes. Ainda assim, e durante uma maior porção da temporada, Better Call Saul encontrou-se “sem direção”.

E essa falta de direção tornou-se mais palpável com algumas narrativas sem nexo, especialmente as centradas em Howard (Patrick Fabian), que não teve nada de interessante para adicionar à temporada senão a sua posição na temporada final como o endgame que alterará as vidas de Jimmy e Kim de forma possivelmente permanente.

De resto, Better Call Saul continua a ser um bom exercício de televisão, concentrando os seus esforços mais nos character studies do que numa narrativa que, infelizmente, leva o seu tempo a levedar. Boas performances e elementos técnicos de invejar tornam esta série um must-see, especialmente em época de quarentena ou distanciamento social.

Infelizmente, Better Call Saul chegará ao seu destino final com a sexta temporada, que tem data prevista para o ano que vem. Até lá, podem ler a nossa crítica anterior aqui, tal como poderão consultar outras das nossas Mini-Reviews aqui.

Estado da série: RENOVADA

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Average Rating

Embora esteja cada vez mais perto da sua conclusão, Better Call Saul continua a ser um dos melhores exemplos de como se faz boa televisão.

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