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Auga Seca – Season Finale – 1ª Temporada

Auga Seca season finale

PODE CONTER SPOILERS DE AUGA SECA!!!

Em anos mais recentes, a RTP tem investido os seus esforços em criar séries de ficção de qualidade. É fácil recordarmos de Conta-me Como Foi, uma série de época que retratava as vivências de uma família portuguesa antes do fim do Salazarismo, ou das séries 1984 e Sara, criadas por Nuno Markl e Bruno Nogueira respetivamente. Estas e tantas outras têm pautado uma mudança mais positiva no que toca à criação de conteúdos de qualidade. No início do ano, a RTP exibiu a mini-série Auga Seca, um thriller policial fruto de uma co-produção luso-galega, tendo sido exibida nos dois países em simultâneo. Três meses depois, esta agora encontra-se disponível para os subscritores da HBO Portugal!

A série arranca quando Teresa, uma jovem residente em Lisboa, recebe a notícia da morte do seu irmão, Paulo, enquanto este trabalhava em Vigo na empresa de uma família próxima. Não convencida da ideia de isto ter sido um suicídio, Teresa muda-se para Vigo e alia-se à Polícia de Vigo, com as investigações a demonstrarem uma misteriosa ligação a uma rede de tráfico de armas.

O MELHOR:

Auga Seca é impressionante num ponto de vista técnico.

A minha experiência pessoal com as obras de ficção nacionais têm sido “mais do mesmo”, muito por acompanhar mais as chamadas telenovelas do que as séries mais propriamente ditas. E mesmo algumas das séries produzidas por estes lados tendem também a ser já previsíveis.

Portanto, o que torna Auga Seca diferente das restantes? Sendo uma co-produção entre Portugal e Espanha (especificamente a região que compõe a Galiza), a série ganha maiores possibilidades nas suas técnicas. Em mais do uma ocasião, a fotografia consegue ser diferente do que estamos habituados a ver, e mesmo alguns overviews das cidades em que a série toma lugar conseguem ser impressionantes. De uma certa forma, Auga Seca aproxima-se bastante de uma série a que nos habituámos a ver nos Estados Unidos, no Canadá ou no Reino Unido.

Outro ponto bem assente nesta série é que esta assume postura mais bilingue. Com a maior parte da ação a tomar lugar em Vigo ou de a maior parte do elenco nacional interagir com o elenco galego, testemunhamos momentos em que vemos o galego a fluir de uma forma natural, ainda que se note que os atores portugueses não estão habituados com esta vertente da língua (diz-se que o galego é a variante da língua espanhola que mais se aproxima do português, e se tirarem um tempo para ver a série, de certeza que notarão em algumas claras semelhanças).

A narrativa de Auga Seca pode não ser necessariamente um dos elementos mais fortes à sua disposição, mas cumpre com o seu objetivo de entreter o público-alvo. Repleto de twists & turns, os seis episódios vão deixar-vos a adivinhar sobre a identidade e motivações sobre alguns dos personagens aqui presentes.

Auga Seca conta com um elenco repleto de caras conhecidas dos dois países, e a grande maioria cumpre com os seus objetivos de forma competente, mas há uma ou outra exceção que consegue fugir a esta norma. Um desses casos é o de Victória Guerra. A atriz tem dado cartas no entretimento em anos recentes e com resultados deveras surpreendentes, e a sua performance como Teresa é certamente um dos claros destaques da série.

O PIOR:

Auga Seca não é, de todo, um produto perfeito.

Sim, a história que nos pretende contar pode contar com algumas surpresas espalhadas de forma abundante, mas isso não mascara a familiaridade da mesma, uma vez que nos relembra de tantos outros thrillers policiais que temos vindo a testemunhar durante anos. E isto sem mencionar alguns plot holes que podem deixar muita gente confusa. Por exemplo, vemos Teresa a viajar de Lisboa a Vigo num motociclo. Nada fora do normal, tirando o facto de se tratar de uma viagem, no mínimo, de oito horas e esta aparecer como se o tempo não avançasse de forma significativa.

A maior parte do elenco está de parabéns com algumas performances mais dimensionais, mas isso não nos ajuda a ignorar o facto de termos alguns personagens, por vezes importantes, a não saírem da cepa torta. Temos o exemplo de Fran (Santiago Romay), que parece não sair do fato de “boa pessoa” e ignorante aos eventos à sua volta ao ponto de ser irritante, ou Laura (Joana Santos), que não sai do seu posto de “melhor amiga”.

Mas apesar das suas falhas, Auga Seca mostra ser uma aposta diferente do que estamos habituados a ver, e o facto de terem conseguido alcançar tanto como uma co-produção luso-galega já merece o nosso apreço. Desconhece-se se a série terá direito a uma renovação para já, ainda que o final tenha deixado algumas pontas soltas.

Podem ler outras das nossas Mini-Reviews aqui.

Estado da série: RENOVADA

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Average Rating

Embora não seja uma mini-série perfeita, Auga Seca demonstra uma clara ambição e potencial para se tornar algo diferente nas televisões portuguesas e espanholas.

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