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Crítica: Sea of Shadows (2019)

Sea of Shadows Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE SEA OF SHADOWS!

Há que reconhecer esforços quando eles são feitos. Conheçam a vaquita, a baleia mais pequena e mais ameaçada de todo o planeta. Vive no Golfo da Califórnia, entre o México e os EUA, numa zona que é vítima da pesca excessiva e ilegal do peixe totoaba, a qual sua bexiga é considerada uma iguaria na China. Capturada pela quantidade desmesurada de redes, existem menos de 15 animais no meio selvagem.

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Vaquita CPR rescue base in the coastal waters of San Felipe. (photo credit: National Geographic)

Sea of Shadows é provavelmente um documentários mais prodigiosos que vi até hoje. Isto porque combina todo o tipo de esforços, não só por motivos ambientalistas, mas também para destruir as redes de crime organizados em torno deste negócio ilegal. A vaquita, que é um dos animais mais adoráveis de que há memória e é tão raro que quase não existem dados sobre o animal, encontra-se na rota de colisão de um cartel mexicano e a máfia chinesa que continuam a caçar desmesuradamente um dos seus companheiros de habitat. O próprio peixe totoaba está considerado em vias de extinção.

Nesta expedição, vemos um grupo de investigadores, jornalistas, ambientalistas, políticos e forças armadas, numa tentativa desenfreada de acabar com este negócio, ou estas espécies ficarão extintas num espaço muito curto de tempo. A verdade é que Sea of Shadows é uma mistura incrível de trabalho de conservação, mudança de mentalidades, com sequências de ação como se se tratasse de um episódio de Narcos em alto mar. Os twists são imensos e é impossível o público não se sentir cativado.

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E Sea of Shadows não é propriamente uma história com um final feliz, já que nada parece conseguir destruir por completo as forças do cartel e da máfia chinesa. No entanto, há algumas conclusões importantes e que podem permitir que as espécies ameaças, em especial a vaquita, consiga ainda ter uma breve brecha temporal para garantir que a espécie não fique extinta diante dos nossos olhos. A magnitude de Sea of Shadows é impressionante, de facto, tanto que nem mesmo no tom ambientalista, os esforços são suficientes.

Vemos uma operação a correr mal ao tentar capturar os animais e protegê-los enquanto a ameaça é terminada pelo governo mexicano e todos os restantes envolvidos. Mas a vaquita é um ser que nunca este aprisionado, seja em que plataforma for. O contacto com seres humanos é tão raro ou quase inexistente que é impossível tentar fazer esforços para salvar a espécie num espaço mais pequeno que o oceano, que sempre foi a sua casa.

Sea of Shadows está envolto de forma dura numa área muito perigosa e sensível, mas não tem medo de revelar os seus segredos. Acompanhando as vidas destes guerreiros, ficamos com a perceção de que isto é uma luta que só pode ser travada quando a China parar obrigatoriamente de consumir produtos provenientes da vida selvagem e se consciencializar que as vidas de todos os seres vivos devem ser respeitadas e deixadas no seu canto. (Vou reforçar a ideia do nascimento do COVID-19 e do quanto estamos a sofrer por causa disso).

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Portanto, se gostam de um documentário de ação, com espionagem, twists surpreendentes e com uma mensagem ecológica poderosa, Sea of Shadows é o filme perfeito para a ocasião.

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Título: Mar de Sombras

Título Original: Sea of Shadows

Realização: Richard Ladkani

Duração: 104 min.

Trailer | Sea of Sorrows

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