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Earthlings: A Altura Perfeita para Consciencialização!

CONTÉM SPOILERS DE EARTHLINGS!

Ainda há pouco tempo vos escrevia sobre o filme mais traumatizante da minha vida e, por conselho, decidi ver a película que lhe deu origem ou que, pelo menos, lhe serviu de inspiração: Earthlings. A mensagem é a mesma, ainda que inclua mais algumas componentes – afinal de contas, em 2005 ainda vigoravam muitos circos com animais. No entanto, o processo de filmagem é quase tão duro como Dominion, ainda que Dominion seja ainda mais eficaz devido à imagem ser mais recente.

O impacto destes filmes é importante. E porquê? Porque a humanidade continua a ter hábitos e práticas abusivas em relação ao mundo natural e ao animal em si, enquanto espécie. O choque, as crises de ansiedade, a dor, as lágrimas, todas elas são justificadas para mexer com o nosso sistema e de provocar um impulso de mudança. Este impulso é essencial na fase em que nos encontramos.

Estamos há já algum tempo de quarentena. Trancados em casa, sem poder respirar o ar puro e praticar a socialização, que é tão característica quanto é essencial ao ser humano, viver em medo de sermos contagiados por uma ameaça que a olho nu não conseguimos ver. Esta ironia é uma que, por muito que a queiramos contrariar, é uma bofetada de luva branca. A natureza retaliou, após tantos anos de abuso e maus tratos. Devemos ser humildes o suficiente para nos mentalizarmos que todos os companheiros de quatro patas não conhecem outra realidade como a que estamos a passar agora.

Todos os rostos, todos os olhares, todo o sentimento de dor que eles emanam são reais. Perdas de um mundo dominado pelo homem. O ser vivo dotado de sabedoria e que prefere substituí-la por poder. Poder de manipulação, subjugação, tortura, crueldade, autoridade. E por causa desta sede insaciável, estamos agora a ter uma breve consciencialização de tudo o que fizemos ao mundo natural. A verdade é que podemos mudar ainda. Podemos marcar pela diferença e perceber de que forma podemos atenuar estas questões. Podemos perceber que estratégia devemos utilizar para suprimir o flagelo e a chacina em massa de todos aqueles que foram cruciais para o nosso próprio desenvolvimento enquanto espécie.

Sem o cavalo não teríamos meios de transporte, sem o porco, a vaca, a galinha, a cabra e a ovelha não teríamos alimentação, roupa, e progresso e industrial. Sem os animais selvagens, não temos o equilíbrio do planeta nem a preservação dos ecossistemas. Sem os primatas e os ratos, não teríamos avanços na medicina. Mas o que é que continuamos a fazer? Precisamente o que não devíamos… continuar a utilizá-los para práticas para elevar o nosso ego. Aprisioná-los, tratá-los sem misericórdia, assassiná-los sem pudor. Está na hora de acordarmos…

Está na hora de pedirmos desculpa ao mundo natural por todos os horrores que lhe causámos e continuamos a causar. Está na altura de nos insurgirmos e mudarmos os nossos comportamentos, para que esta simbiose continue a funcionar e conseguirmos que o Planeta Terra continue a sarar as feridas. Se continuarmos desta forma, irão surgir mais pandemias, mais calamidades, mais retaliações. Vamos pensar que o circo com a utilização de animais não é educativo porque, de facto, não é. Vamos pensar que o fascínio pelos zoos é apenas uma camuflagem para alimentarmos o nosso fascínio pelo selvagem. Vamos pensar em mudar a nossa dieta por todos os danos, sofrimento físico e psicológico que exercemos nestes seres tão especiais. Vamos pensar que todos merecem ser tratados com respeito e que devemos respeitar as suas vidas. Está na altura de nos consciencializarmos. Está na altura de sermos donos de nós próprios e não dos outros.

Está na altura de lutarmos pelo nosso planeta e por todos os que o habitam juntamente connosco. Está na altura de pararmos para pensar em como, daqui a uns anos, estas mudanças para melhor podem trazer consequências positivas para o desenvolvimento da nossa própria espécie. Chega de apocalipses na nossa mente. Chega de sermos egoístas. Chega de dor e tortura. Esta é a ode e o grito de sensibilização que precisamos.

Com isto, ganhei um novo ídolo. Joaquin Phoenix, por quem já nutria um enorme apreço. Mas ele é a voz dos sem-voz, a figura do contra-ataque, o homem que não tem medo de mostrar a realidade e que não perde a fé e a esperança nesta luta tão difícil que é mudar mentalidades.

Para quem se quer informar (ATENÇÃO: o link que aqui coloco vai ferir suscetibilidades) e que quer fazer a diferença, deixo aqui o filme Dominion disponível gratuitamente no YouTube. Sejam conscientes e abram a mente. Até agora preferi ser cobarde e dizer que “prefiro não ver”, “prefiro não saber de onde e como vem a minha comida”, prefiro “não me chocar”. Mas é necessário. É necessário e, ao verem Dominion (o Earthlings é difícil de encontrar), certamente irão proceder a uma consciencialização e, esta altura, é a altura perfeita.

Make the connection!

Since we all inhabit the earth, we are all considered earthlings. There is no sexism, racism, or speciesism in the term ‘earthling’. It encompasses each and every one of us: warm- or cold-blooded, mammal, vertebrate or invertebrate, bird, reptile, amphibian, fish and human alike.

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