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Crítica: Never Rarely Sometimes Always (2020)

Never Rarely Sometimes Always Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE NEVER RARELY SOMETIMES ALWAYS!

Agora que os filmes não têm outra opção senão saírem no meio digital, uma das surpresas mais agradáveis é que o acesso aos mesmos é bem mais facilitado. Uma das pequenas pérolas deste fenómeno é Never Rarely Sometimes Always.

Esta é a história de Autumn, uma jovem que engravida contra a sua vontade e que pede ajuda à sua prima para ir com ela a uma clínica especializada em abortos. Vivemos numa época em que as controvérsias acerca do aborto borbulham por toda a sociedade. E a tensão que se cria neste filme independente é extremamente forte e competente, puxando a necessidade de se discutir novamente uma temática delicada, com todas as vantagens e desvantagens que dela advêm.

Never Rarely Sometimes Always Critica de Cinema
Sidney Flanigan appears in Never Rarely Sometimes Always by Eliza Hittman, an official selection of the U.S. Dramatic Competition at the 2020 Sundance Film Festival. Courtesy of Sundance Institute.
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Cada um de nós tem direito à sua opinião face ao tema, mas com base em Never Rarely Sometimes Always, sentimos a dor e a prisão que se abate sobre a sua protagonista. Aliás, partilhamos também do seu dilema moral, bem como entendemos a fragilidade de querer impedir que o futuro fique arruinado por algo que, de planeado, nada teve.

A verdade é que este pequeno filme, ainda que pudesse ser mais intenso do que o que realmente é, é perfeito para entendermos o negativismo do que são as gravidezes indesejadas. Seja ela consentida ou não, o corpo é propriedade de cada um. Em Never Rarely Sometimes Always, percebemos desde o início que Autumn não vive particularmente num meio feliz para trazer uma criança ao mundo, bem como foi concebida contra a sua vontade. É quase impossível julgá-la pela sua decisão, já para não falar que a jovem ainda não é uma adulta formada, o que complica ainda mais a situação.

Quer se seja a favor ou não, o aborto é algo que diz respeito à mulher enquanto ser humano. É uma escolha que requer maturidade, ponderação e avaliação de todos os elementos que interferem no crescimento da criança que irá nascer. No caso particular do filme, é imprescindível a mensagem da realizadora Eliza Hittman: “my body, my rules“. E a verdade é que isto não pode ser contestado. Somos proprietários do nosso próprio corpo e somos livres de saber o que queremos fazer com ele. Se nos tatuarmos, podemos fazê-lo, porque o corpo é nosso, se queremos um piercing, o corpo é nosso também. Alheio dos preconceitos sociais, cada um decide o que fazer com ele.

Never Rarely Sometimes Always Critica de Cinema

Uma criança… bem, é outro nível, mas a liberdade dada à mãe é obrigatória. O facto de Never Rarely Sometimes Always se focar numa adolescente e em todos os dilemas psicológicos (e físicos) que são inerentes à questão, faz com que a mente dos espectadores se abra. E este é o maior trunfo da película.

Refletir sobre a questão é o passo número um da realizadora e a simplicidade da narrativa provoca momentos de incerteza e tensão extremamente fortes. No entanto, sente-se que o filme precisa de ir um pouco além e ser mais cruel para criar o choque e colocar o mundo a falar-se sobre ele. Não chega a esse facto, mas é competente o suficiente para nos deixar algo desconfortáveis.

Portanto, Never Rarely Sometimes Always é extremamente acutilante ainda que podia ter ido um pouco mais além na sua composição. Ainda assim é um filme altamente recomendável e que poderá, não só ser um chamamento para a questão do aborto, como também poderá ajudar alguém no mundo que se sinta da mesma forma.

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Título: Nunca Raramente Algumas Vezes Sempre

Título Original: Never Rarely Sometimes Always

Realização: Eliza Hittman

Elenco: Talia Ryder, Sidney Flanigan, Ryan Eggold, Théodore Pellerin.

Duração: 101 min.

Trailer | Never Rarely Sometimes Always

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