Cinema Críticas

Crítica: Sonic the Hedgehog (2020)

PODE CONTER SPOILERS DE SONIC THE HEDGEHOG!!!

Se há uma coisa em que podemos ter a certeza absoluta, é que filmes baseados em videojogos populares tendem a não serem muito bem recebidos. Claro que tivemos direito a algumas exceções à regra; Mortal Kombat recai na velha categoria de “tão mau que chega a ser bom” ou o primeiro Resident Evil foi decente de certo modo (ainda que as sequelas tenham deitado tudo a perder. No entanto, as restantes tentativas deixaram um travo amargo em muita gente, uma tendência que ainda hoje teme-se que tome lugar. Felizmente, se há algo que um filme centrado num certo rato amarelo eletrizante conseguiu provar, é que ainda há espaço para outros filmes baseados em videojogos que conseguem roçar no “decente”. E é nessa mesma categoria em que podemos encontrar este Sonic the Hedgehog!

Sonic (voz de Ben Schwartz) é um jovem ouriço antropomórfico oriundo de um planeta distante e abençoado com uma velocidade estonteante. No entanto, circunstâncias obrigam-no a fugir, encontrando uma espécie de abrigo em Green Hills, Montana, no planeta Terra. Durante 10 anos, Sonic conseguiu passar despercebido pelos seus habitantes; no entanto, as suas ações captam a atenção de um Dr. Robotnik (Jim Carrey). Obrigado a fugir novamente, Sonic trava uma aliança com Tom Wachowski (James Marsden), o xerife de Green Hills.

Sonic the Hedgehog Crítica de Cinema

Sonic the Hedgehog não começou a sua corrida da melhor forma. É impossível não iniciar uma conversa sobre o filme sem mencionar o seu design original, uma atrocidade que despertou a ira de tudo e de todos. Felizmente, a Paramount, que esteve encarregue da produção do filme, deu ouvidos aos fãs e corrigiu esse erro, e é aqui que entra o primeiro elogio ao filme: a dedicação para satisfazer os fãs dos videojogos clássicos.

É interessante como, ao longo de quase uma 1h40min de filme, Sonic the Hedgehog conseguiu integrar imensas referências ao legado do personagem e que decerto fará a delícia dos fãs. Temos o exemplo de Green Hills – uma referência ao primeiríssimo nível dos videojogos -, alguns acessórios também eles icónicos, ou mesmo Easter Eggs mais “obscuros” deste lado do ecrã. E se essa era a intenção, então o filme conseguiu atingir o resultado desejado.

Sonic the Hedgehog Crítica de Cinema

Claro que não podíamos falar de Sonic the Hedgehog sem termos de abordar o ouriço titular. O personagem tem sido alvo de diversas interpretações ao longo dos anos, seja pelas séries animadas dos anos 90, uma série de animé deste milénio e uma série de jogos mais modernizados. Cada ator vocal escolhido conseguiu trazer algo único para o personagem, ao mesmo tempo que mantém intacto aquele espírito indomável que se tornou já característico da cultura pop. E Ben Schwartz – vários fãs da televisão decerto reconhecerão o nome graças aos seus contributos na série Parks and Recreation – não é diferente. O ator mantém-se fiel aos aspetos mais familiares no que refere à personalidade de Sonic, mas também traz consigo uma boa dose de humor e, por vezes, vulnerabilidade, dando assim um toque raramente visto em qualquer meio ligado ao personagem.

Por incrível que possa parecer, há momentos em que Schwartz encontra um rival à altura, e esses momentos são aqueles em que Jim Carrey aparece em cena. Em anos recentes, o ator tem enveredado por desafios mais dramáticos, e vem vindo a ganhar cada vez mais seguidores graças a esses esforços. Dito isto, Sonic the Hedgehog marca o regresso de Carrey para aquela veia mais campy que os fãs estão mais a par no que refere ao seu trabalho nas comédias dos anos 90. Fica mais do que patente que, além de revisitar um aspeto que não pratica há muito, mas é perceptível que o ator está a divertir-se à grande com este filme!

Sonic the Hedgehog Crítica de Cinema

No entanto, Sonic the Hedgehog não é um filme perfeito, e perde imenso com a sua narrativa. Sendo um filme orientado para uma camada mais familiar, não é, de todo, surpreendente que a narrativa do filme não se deva levar tão a sério. Infelizmente, existem aspetos e temas que acabam por tornar-se repetitivos justamente por termos visto em outros filmes inseridos no género. O filme exibe um par de sequências de ação que tomam inspiração da saga X-Men; ou seja, não são maus per se, mas não são necessariamente inovadores.

Ben Schwartz Jim Carrey podem carregar o filme nas costas, porque o resto do elenco simplesmente fracassa aonde é mais preciso. Por exemplo: James Marsden faz o melhor que pode com o que lhe é dado para fazer, mas acaba por não surpreender, incorrendo também em algumas ideias já vistas anteriormente noutros filmes. E considerando que este tem sido um dos destaques ocasionais de Westworldsó nos enche o coração de dor. E quanto menos falarmos dos restantes membros do elenco, melhor ainda.

Sonic the Hedgehog pode não quebrar com a maldição dos videojogos no grande ecrã por completo, mas exibe o potencial que podemos testemunhar nesta nova era. Trata-se de uma carta de amor por fãs para os fãs, e o facto de conseguir entreter é uma franca ajuda.

Podem ler outras das nossas Críticas aqui.

Título: Sonic – O Filme
Título Original: Sonic the Hedgehog
Realização: Jeff Fowler
Elenco: Ben Schwartz, James Marsden, Jim Carrey, Tika Sumpter
Duração: 
109 minutos

Trailer | Sonic the Hedgehog

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