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Crítica: The Call of the Wild (2020)

CONTÉM SPOILERS DE THE CALL OF THE WILD!

The Call of the Wild é provavelmente um dos filmes mais difíceis até hoje de colocar em palavras. Num breve resumo, Buck é um cão travesso que é raptado do seu lar e enviado para o Alasca onde é forçado a ter uma vida como cão de trenó, cedendo constantemente à pressão humana, até encontrar John Thornton (Harrison Ford) que o leva para uma aventura dentro da floresta.

Este é um filme que tem a fórmula aparentemente perfeita para garantir um serão amoroso em família, com cães animados a saltar no ecrã, um Harrison Ford resgatado de franchises, e ainda algumas belas paisagens das florestas remotas do Alasca. É também um filme que pretende, com uma missão clara, evitar a utilização de animais vivos em cinema. Uma missão que, de alguma forma, parece ser vantajosa em muitos aspetos mas que se torna estranha e bizarra a longo prazo. E muito disto se deve ao cariz demasiado jovem da produção.

The Call of the Wild Critica de Cinema

Ter um cão quase humano é simplesmente pouco credível e realista. Obviamente que tratamos os nossos melhores amigos de quatro patas como membros da família, mas sabemos perfeitamente até onde vai a expressividade dos mesmos. Em The Call of the Wild, Buck parece entender tudo o que lhe é dito como se falasse a mesma língua e partilhasse das mesmas características do ser humano. É um aspeto que, a curto prazo, oferece algum entretenimento mas, a longo, prejudica o realismo da película no seu todo.

A intenção é boa, mas a execução é, por demais, estranha, pouco credível e chega mesmo a ser incomodativa. A história perde-se num misto de animação digital com a utilização de seres humanos para florear a narrativa, mas… porque não utilizar apenas animação? Se calhar o impacto que The Call of the Wild teria era bem maior, mais sincero, honesto e puro. Sente-se que todos os intervenientes em “carne e osso” são completamente adornais e sem dimensão.

Eu, como um fã incondicional de filmes como Marley & Me ou Hachi: A Dog’s Tale, sinto-me um pouco culpado por exonerar esta película em particular, especialmente pela posição em que ela me coloca. Mas, tendo em conta que estamos perante um produto cinematográfico, terei de ser duro na análise. As opções de realização foram pior que más em determinar toda a composição do filme. Diria mesmo que tentar “humanizar” Buck e os companheiros torna-os caricaturais, pouco realistas. O objetivo de The Call of the Wild seria sensibilizar para a exploração animal e expor a ganância humana de forma clara.

The Call of the Wild Critica de Cinema

No entanto, o resultado é um misto de sensações negativas com uns sorrisos breves pelos efeitos visuais serem dignos de Óscar. Mas manipular uma história com base nisto não chega para causar o efeito pretendido. Portanto, The Call of the Wild é um filme péssimo, que, embora tenha o coração no sítio certo, resolveu usar o sistema mais fútil para o demonstrar.

Se agora quisessem um live-action do Spirit: Stallion of the Cimarron e tivessem um cavalo totalmente digital, que fosse mais humano que a maioria dos seres humanos, vocês próprios iriam achar estranho e iria causar-vos algum desconforto. É, pelo menos, a maneira como eu encaro esta tentativa frustrada de procurar incessantemente o “adorável” através da animação digital, plastificando todas as emoções que um filme deste calibre deveria suscitar.

The Call of the Wild Critica de Cinema

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Título: O Apelo Selvagem

Título Original: The Call of the Wild

Realização: Chris Sanders

Elenco: Harrison Ford, Omar Sy, Cara Gee, Dan Stevens, Bradley Whitford, Karen Gillan.

Duração: 100 min.

Trailer | The Call of the Wild

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