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Crítica: White Boy (2017)

White Boy Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE WHITE BOY!

Recordam-se de White Boy Rick? O magnata de 17 anos que supostamente era líder de um negócio de crime organizado de tráfico de droga? Pois… se calhar conhecem apenas a história que é contada no filme de ficção protagonizado por Matthew McConaughey. Eis que a Netflix disponibilizou o documentário que conta toda a verdade sobre o envolvimento deste jovem numa conspiração gigantesca que está repleta de corrupção policial e governamental, pequenos delitos e toda uma tramóia digna de filme que condenaram o rapaz para a vida inteira na prisão.

White Boy Critica de Cinema
Rick Wershe Jr. is escorted into a courtroom at Frank Murphy Hall of Justice in Detroit. Friday, Sept. 4, 2015. Wershe, a major Detroit-area drug trafficker known as “White Boy Rick” and who has spent nearly 30 years in prison, could soon be released after a judge ordered a resentencing Friday. Wershe Jr., 46, deserves a new sentence because he was sentenced at the age of 18 under old law and the justice system now treats juveniles constitutionally different than adults, Wayne County Circuit Judge Dana Hathaway ruled.(David Coates/Detroit News via AP) DETROIT FREE PRESS OUT; HUFFINGTON POST OUT; MANDATORY CREDIT

O documentário White Boy é uma análise direta que está capitulada de forma a que o espectador consiga absorver uma quantidade de informação enorme num curto espaço de tempo. A verdade é que esta montagem rápida ajuda e torna o documentário extremamente prazeroso. É inegável o estado em que este caso em particular deixou este indivíduo. Encarcerado durante 28 anos, Rick Wershe Jr., luta para provar a sua inocência contra todo um sistema governamental corrupto, cujo líder apoiava os gangs de droga que, nos anos 80, dominavam toda a zona de Detroit.

Para além disto, vão desfilando no filme todas estas personagens que contribuíram para que Wershe Jr., não só se tenha envolvido com elas, como a forma como ele ascendeu a este estatuto de “homem tão perigoso”. Não estamos perante nenhuma mastermind do crime, muito pelo contrário, vemos aquilo que é uma vítima de um sistema (o seu próprio pai incentivou-o a tal) que o recrutou para saber das operações destes problemáticos gangs que eram conhecidos pela rede de narcotráfico na cidade. Após anos como informador do FBI, polícia e outros organismos contra o narcotráfico, Rick Wershe Jr. é condenado quando assumiu a sua própria operação de venda de estupefacientes. É culpado? Sim, sem dúvida, mas aos 17 anos e tendo toda esta vida em volta de personagens tão perigosas, quem o pode julgar? O próprio pai contribuiu para que ele levasse esta vida…

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A questão que o documentário evoca com frequência é a de que White Boy Rick tornou-se icónico como uma figura a temer quando os verdadeiros culpados e predadores são todos aqueles que o puseram, literalmente, na posição em que ele se encontra atualmente. Um breve spoiler, até uma “estrela” de cinema está envolvida nesta paródia do sistema judicial norte-americano.

O nível de corrupção transcende os limites da nossa paciência quanto espectadores e White Boy é um documentário interessante (ainda que não fenomenal) e que cumpre a sua missão de forma direta e sem pudor. Claro que há demasiada informação a ser atirada rapidamente e que necessitava de ser ainda melhor explorada mas, no entanto, White Boy é competente a todos os níveis e merece a atenção de um público mais abrangente.

White Boy Critica de Cinema

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Título: White Boy

Título Original: White Boy

Realização: Shawn Rech

Duração: 82 min.

Trailer | White Boy

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