Cinema Críticas

Crítica: The Gentlemen (2020)

The Gentlemen Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE THE GENTLEMEN!

Guy Ritchie nem sempre foi apreciado pelos críticos. Talvez porque os seus filmes se focam numa exposição clara (e clássica) de machismo gangster em enredos irónicos e onde as façanhas são totalmente desequilibradas e, muitas vezes, regem-se pelo improviso e pela impulsividade do elenco. Tudo isto é verdade, mas é aqui que Ritchie encontra o seu conforto e na sua contribuição para a 7ª arte.

The Gentlemen Critica de Cinema

The Gentlemen é mais um destes casos, depois dos frustrantes filmes mais recentes do realizador (ainda não recuperei da futilidade de Aladdin para vos ser honesto), ele está de volta “à sua praia”, com uma história repleta de momentos de ação divertidos, humor audaz e muita testosterona desmesurada. Assim que The Gentlemen começa a desenvolver, podemos reconhecer (quase) todos os rostos que compõem a sua narrativa. Mickey Pearson lidera um negócio de venda ilegal de marijuana e, como qualquer “barão” que se preze, necessita de proteger o negócio dos olhos alheios de inúmeros indivíduos que procuram retirá-lo dele mesmo.

Numa história aparentemente imaginativa, Fletcher (um Hugh Grant cada vez mais renascido das cinzas) conta ao braço direito de Mickey, Buenas Tardes Raymondo (um Charlie Hunnam à procura do carisma de um Tom Hardy que havia já participado em RocknRolla deste mesmo realizador) a sua versão dos acontecimentos em torno deste negócio de Mickey que está, aos olhos do mesmo, em risco de estar completamente perdido.

The Gentlemen Critica de Cinema

Para não alimentar muito mais spoilers, é difícil não nos rendermos ao estilo argumentativo de Ritchie, ainda que mesmo com todos os complexos machistas que o filme acaba por estar constantemente a “esfregar na cara do espectador”. Isto porque Ritchie é perito em tornar este machismo em algo espontâneo e livre, permitindo que os atores não fujam das suas personagens vincadas e, como já sabemos, os estereótipos estão todos ali. Esta amálgama resulta… e bem.

É igualmente difícil não nos recordarmos das obras anteriores do cineasta, desde Lock, Stock and Two Smoking Barrels, Snatch ou mesmo RocknRolla. Todo o cinema em que Ritchie se formou é emanado em The Gentlemen, trazendo-o de volta às suas origens e trazendo de volta ao espectador toda esta adrenalina de diálogos irónicos e satíricos, rápidos e repletos de twists.

Mesmo não sendo o seu melhor, The Gentlemen consagra mais uma vez o trabalho, com a ajuda de uma banda-sonora palpitante, atores ao mais alto nível e uma história que entretém do início ao fim. Talvez possa ser uma daquelas receitas já cliché, mas não deixo de sentir um certo apreço por o cinema de foco no crime organizado não ser tratado com tanta seriedade como um The Irishman ou The Godfather. E, quer se ame ou se odeie Guy Ritchie, The Gentlemen é uma sátira divertida e que satisfaz todas as necessidades de um fã dos seus filmes anteriores.

The Gentlemen Critica de Cinema

Portanto, em fase de quarentena, The Gentlemen é o serão perfeito mas, ainda melhor, é vê-lo posteriormente a todas as restantes obras mencionadas em cima do realizador. Maratona de Guy Ritchie é sempre um bom entretenimento nestes tempos tão trágicos e tão duros.

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Título: The Gentlemen: Os Senhores do Crime

Título Original: The Gentlemen

Realização: Guy Ritchie

Elenco: Matthew McConaughey, Charlie Hunnam, Michelle Dockery, Jeremy Strong, Colin Farrell, Henry Golding, Tom Wu, Hugh Grant, Eddie Marsan.

Duração: 113 min.

Trailer | The Gentlemen

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