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Crítica: The Hidden Kingdoms of China (2020)

The Hidden Kingdoms of China Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE THE HIDDEN KINGDOMS OF CHINA!

Ultimamente conhecemos a China como o berço do COVID-19, ou das nuvens de poluição causadas pelos habitantes das cidades mais povoadas do país, ou então como um povo que ostraciza (e se alimenta) da vida selvagem. Vamos abandonar estes pensamentos xenófobos e vamos viajar até à China para conhecer o seu lado menos humano e mais selvagem, mais belo e mais desconhecido da sua vasta imensidão.

The Hidden Kingdoms of China Crítica de Cinema

The Hidden Kingdoms of China acompanha os seres vivos que habitam os diferentes habitats que o país proporciona. Desde  as florestas de bambu, passando pelas encostas escarpadas dos Himalaias, nas pradarias onde todas as estações do ano podem acontecer durante um dia inteiro (!) , até às selvas tropicais que julgávamos não existir no país. Nestes diversos cenários, acompanhamos algumas famílias extraordinárias: a mamã panda com o seu recém-nascido, o grupo de macacos de rosto azul e as suas semelhanças com a mitologia do Yeti, uma mãe leopardo-das-neves que viaja nos declives dos Himalaias para fornecer alimento à sua cria, passando pela notória raposa tibetana que necessita de proteger os seus filhotes de todos os perigos que surgem na vasta pradaria.

A verdade é que The Hidden Kingdoms of China tem as suas particularidades interessantes e outras um tanto menos apreciativas. Apesar de todo o trabalho notório de filmagem, bem como alguns planos maravilhosos das paisagens mais belas do país, o documentário é mais expositivo que elucidativo nos comportamentos destes animais tão únicos e tão raros. Sente-se que há uma procura por ser mais “adorável” ou “carinhoso” na exposição dos animais do que expor as dificuldades da sua jornada pela vida. Há também um estranho e desconfortável tom durante a narração de Michelle Yeoh, onde ela compara a China (tentando forçosamente enaltecer o seu país natal) com os EUA. 90% destes comentários têm uma conotação depreciativa para com o país norte-americano sem haver muita necessidade. Pode comparar com a Rússia, Brasil, ou qualquer outro país de grandes dimensões.

The Hidden Kingdoms of China Crítica de Cinema

Portanto, apesar de todos os seus aspetos positivos, The Hidden Kingdoms of China oferece menos do que lhe é pedido. Estamos perante criaturas únicas, raramente filmadas no seu meio natural e era essencial permanecermos um pouco mais nas suas vidas e perceber como é lutarem pelas suas vidas num meio hostil e repleto de perigos. Em vez de um breve filme documental, este documentário precisava de vários episódios dedicados a cada uma das espécies para melhor entendermos o seu comportamentos, as suas complexas vidas sociais e naturalmente quem são os seus predadores ou presas.

Mas nem tudo é mau, obviamente. Para além da belíssima componente técnica – que já é característica deste estilo documental – pandas bebés? Raposas tibetanas bebés? Leopardos-das-Neves bebés? Macacos de rosto azul bebés? Somos atingidos por uma vaga de calor de tão adoráveis que todos eles são. Não só ficamos derretidos como transmite alguma esperança de que estas espécies consigam suportar e sobreviver o forte peso e impacto que a humanidade está a ter nos poucos meios selvagens que existem por todo o globo.

Sem grandes floreados e exposto de forma simples, The Hidden Kingdoms of China não conquista por todo, mas também não desilude em ludibriar o expectador a derreter-se pelos animais bebés que compõem a sua diversidade.

The Hidden Kingdoms of China Crítica de Cinema
Qinghai, China – Male Tibetan fox with cubs playing. (National Geographic/Rolf Steinmann)

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Título: Os Reinos Escondidos da China

Título Original: The Hidden Kingdoms of China

Narração: Michelle Yeoh

Duração: 88 min.

Trailer | The Hidden Kingdoms of China

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