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Chilling Adventures of Sabrina – Midseason Finale – 2ª Temporada (Parte 3)

Chilling Adventures of Sabrina midseason finale

PODE CONTER SPOILERS DE CHILLING ADVENTURES OF SABRINA!!!

Se há uma coisa que podemos dizer das séries orientadas por Roberto Aguirre-Sacasa – o fundador da atualmente ativa Archie Comics – é que não têm receio de abordar uma postura cada vez mais enraizada na loucura das suas histórias. Riverdale é um desses exemplos mais recorrentes, e cheira-me que Katy Keene – a próxima série da The CW dentro deste universo e que será transmitido na HBO Portugal, caso estejam interessados – também se aventurará por esses lados. O que quero dizer com isto é o seguinte: esta terceira parte de Chilling Adventures of Sabrina – que, para todos os efeitos e circunstâncias, pode ser vistas como uma midseason de uma segunda temporada, se bem que estou a ponderar alterar esse prisma – é, de longe, a mais louca de todas!

Esta terceira parte arranca um mês depois dos eventos da parte anterior, em que Sabrina Spellman (Kiernan Shipka) conseguiu destronar o seu pai, Lucifer Morningstar (Luke Cook), do trono do Inferno ao alojá-lo a Nick Stratch (Gavin Leatherwood), ao mesmo tempo que institui Lilith (Michelle Gomez) como a Rainha do Inferno. Sabrina reúne os seus amigos – Harvey (Ross Lynch), Roz (Jaz Sinclair) e Theo (Lachlan Watson) – para resgatar Nick do Inferno. No entanto, o que poderia ter sido um simples resgate infernal acaba por complicar-se com um “golpe de estado” e deuses pagãos a fazerem residência em Greendale.

Chilling Adventures of Sabrina midseason finale

O MELHOR:

Chilling Adventures of Sabrina finalmente abraça o seu lado mais absurdo e mais violento. Leia-se, tomou algumas lições de Riverdale!

O mundo de Greendale, habitado por bruxas que clamam pelo Senhor das Trevas, criaturas e afins, já era bizarro em si nas duas partes anteriores. No entanto, no que toca a insanidade, esta terceira parte coloca as anteriores no “canto da vergonha”. Aliás, quantas séries de adolescentes é que contam com o Inferno como um dos locais frequentemente visitados, já para não falar de estarem povoados por indivíduos saídos diretamente de um álbum de vinil de uma banda de heavy metal?

Em verdade vos digo que, com a introdução do Inferno, Chilling Adventures of Sabrina abraça a sua veia mais negra, em que cada episódio conta com algum tipo de eventos que pode representar um grande perigo para os seus personagens mais importantes (e alguns close-calls), já para não falar da introdução de outras entidades de religiões há muito esquecidas que acaba por injetar uma espécie de variedade que não sabíamos que precisávamos. E considerando o tease de a série em breve abordar o que parece ser algo retirado da mente retorcida de um certo H.P. Lovecraft, parece que a série ainda não se cansou de nos apresentar outras ameaças bem criativas.

Chilling Adventures of Sabrina midseason finale

O PIOR:

O que acontece é que esta terceira parte de Chilling Adventures of Sabrina tenta fazer muita coisa ao mesmo, e essa mesma dedicação acaba por lhe sair pela culatra.

Entre as jornadas no Inferno, a vida de adolescente, ameaças paranormais e whatnot, parece que a série não se consegue decidir no que se quer tornar. E isto coloca em risco algumas linhas narrativas que possuem um claro potencial para se tornar em algo especial, mas acaba por ser renegado para segundo plano assim que não apresenta qualquer valor para a narrativa principal. Isto aplica-se ao subplot ao stress pós-traumático de Nick, que tinha tudo para ser uma poderosa analogia sobre a violação sexual, mas acaba por ser resolvido de forma bastante fácil e sem quaisquer cerimónias.

Aliás, nem todas as personagens se safam nesta temporada. Como seria de esperar, Kiernan Shipka continua a ser a fonte de humor e sarcasmo desta parte, apesar das suas constantes péssimas decisões, mas o resto do elenco secundário é relegado para segundo plano. É uma pena, visto termos elementos do elenco como Lucy Davis (Hilda Spellman) ou Miranda Otto (Zelda Spellman) que não ganham muito para fazer. Ou mesmo dos elementos recorrentes que mal saem da cepa torta (para que, para interpretar Lucifer Morningstar, Luke Cook simplesmente viu a versão de Tom Ellis em Lucifer e seguiu o exemplo, menos o sex appeal). Mas não se preocupem, que as várias novas entradas também não surpreendem. Aponto o dedo a Sam Corlett que mais parece um surfer boy retirado de uma sitcom australíana do que um “Príncipe do Inferno” com algum tipo de personalidade.

Apesar dessas falhas, Chilling Adventures of Sabrina continua a ser aquele pedaço televisivo que serve mais para passar tempo do que necessariamente ser um produto relevante para a era moderna ou com uma história cativante para nos partilhar. E se virmos bem as coisas, não é necessariamente uma coisa má.

Podem ler a nossa Mini-Review da parte anterior de Chilling Adventures of Sabrina aqui. E não desesperem por mais, já que a quarta parte está atualmente em produção.

Estado da série: STAND-BY

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Average Rating

Existem alguns problemas que previnem Chilling Adventures of Sabrina de se tornar num produto televisivo para ser levado a sério, mas não deixa de ser um guilty-pleasure aliciante.

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