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The Witcher – Season Finale – 1ª Temporada

PODE CONTER SPOILERS DE THE WITCHER!!!

2019 testemunhou o fim de uma certa série de fantasia medieval conhecida como Game of Thrones, ainda que dito final tenha deixado bastante a desejar. Desde então que a comunidade tem observado várias séries de perto como forma de encontrar o seu próximo sucessor, mas sem grande sucesso. The Witcher, a adaptação da Netflix dos famosos livros de Andrjez Sapkowski, é uma dessas grandes promessas. Mas será que possui o que é necessário para singrar numa indústria televisiva já apilhada.

A série de oito episódios acompanha as aventuras de Geralt de Rivia (Henry Cavill), o titular Witcher, especializado em caçar monstros. Durante essas mesmas aventuras, Geralt vai encontrando algumas personalidades próximas dele. Ao mesmo tempo, a série mostra-nos o trajeto de Cirilla (Freya Allan), uma princesa em fuga depois do seu reino cair perante as mãos do Imperador Cahir (Eamon Farren) de Nilfgaard, que tem os seus próprios planos para a Leozinha de Cintra.

The Witcher

O MELHOR:

The Witcher pode muito bem ser uma das maneiras mais belas de encerrar o ano de 2019.

O mundo do Continente e os seus reinos particular pode ser um desafio gigante para trazer ao pequeno ecrã, mas é uma tarefa que a série – sob a orientação de Lauren Schmidt – consegue trazer de uma forma natural. É impossível não olharmos para os vários reinos e ficarmos maravilhados com os sets físicos e digitais. O mesmo também se aplica aos cenários mais naturais, como florestas, montanhas ou desertos e as sensações de terror ou maravilha que desperta em nós.

No entanto, não é de espaços cénicos que The Witcher também se baseia. Também nos traz uma sociedade que parece perfeita, mas possui grandes falhas. Quem está a par das obras do autor (pessoalmente, não tenho contacto nem com os livros nem com a saga recente de videojogos) sabe que o mundo do Continente está envolto em ideais mais nocivos como corrupção, abuso da autoridade ou mesmo racismo perante outras raças consideradas “inferiores” ou mesmo pelos seus estatutos sociais. A série deixa a ideia de que é fácil de culpar os monstros por estes ceifarem vidas inocentes, quando é a própria humanidade em si que colhe os próprios horrores que semeia. E essa ideia é mais do que implementada em quase todos os episódios da série, seja com o tratamento que Geralt recebe da povoação, ou de como os monstros nem possuem motivações que mereçam o ódio.

The Witcher

O mundo de The Witcher também se encontra povoado por um vasto leque de personagens com algo para dizer. Confesso que dificilmente veria Henry Cavill no papel de Geralt de Rivia, especialmente considerando a sua estadia controversa no grande ecrã. No entanto, tanto quanto baste, o ator britânico conseguiu mostrar um Geralt pelo qual estávamos à espera, tanto pelas suas sequências de ação como nos momentos mais calmos em que interage com quem está à sua volta. Ainda que pareça beber alguma inspiração da série de videojogos, não deixa de ser uma nota redentora para Cavill.

A ele junta-se também outros personagens secundários que o acompanham no seu trajeto, com especial destaque para duas. Uma delas – e que possui uma maior presença durante a temporada – é Yennefer (Anya Chalotra), cuja beldade consegue chamar todas as atenções, inclusive de Geralt em mais do que uma ocasião, mas que possui um desejo ardente por poder depois de anos de maus tratos graças à sua aparência original. Nunca tinha ouvido falar de Chalotra até agora, mas se o seu trabalho na temporada serve de alguma coisa, é que esta parece ser uma atriz que deveremos ter em estima durante algum tempo. E não podia esquecer de mencionar o scene-stealer da temporada, Jaskier (Joey Batey), o bardo que acompanha e canta sobre os feitos incrédulos de Geralt. Batey serve como uma fonte bem-vinda de humor numa série bastante pesada, já para não falar dos seus cânticos igualmente icónicos (se não deram uma espreitadela ao tema icónico do segundo episódio da série, podem conferi-lo aqui em baixo:)

O PIOR:

Infelizmente, The Witcher ainda tem algumas arestas por limar quando regressar para a sua segunda temporada.

Pouco ou nada vimos de Nilfgaard e dos seus habitantes e jogadores importantes, e isto seria um bom ponto a ter em conta quando se fala em críticas construtivas. Mas há outros elementos menos bons nesta série.

Um desses casos é o de Ciri, que a série não conseguiu escapar da trupe da “princesa indefesa com um poder misterioso”. Ainda que a jovem Freya Allan tente fazer o melhor que pode, infelizmente a sua narrativa deixa bastante a desejar com a repetição de eventos e circunstâncias a que fomos testemunhando.

Mas se há um elemento que deixará bastante gente frustrada reside na própria estrutura de temporada, que se dividiu em várias linhas temporais sem quaisquer dicas. Claro que, perto do findar da temporada, as linhas temporais começam a ganhar contornos mais definidos, mas não deixa de ser um ponto frustrante para quem acompanhou a série desde o início.

Ainda assim, The Witcher tem toques promissores daqui para a frente. E se tudo correr bem, a Netflix pode ter em suas mãos uma verdadeira mina de ouro. Isto é, se souber bem o que fazer com ele e não apresentar “mais do mesmo”. Entretanto, a série já tem uma segunda temporada confirmada.

Podem ler outras das nossas Mini-Reviews aqui.

Estado da série: RENOVADA

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Average Rating

Apesar de algumas claras falhas em termos da sua estrutura, The Witcher assume-se como uma das séries promissoras durante os próximos tempos.

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