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Crítica: Star Wars: Episode IX – The Rise of Skywalker

Star Wars

Esta crítica de Star Wars: Episode IX – The Rise of Skywalker é SPOILER-FREE.

Uma última viagem numa saga que se prolongou por mais de 40 anos com 9 episódios, uns menos bons, outros melhores. Apesar do The Last Jedi (TLJ) ter um monte de incongruências, The Rise of Skywalker surge com dois fardos. O primeiro é claramente de dar um sentimento de desfecho à saga, o segundo é retificar (ou pelo menos tent… Do or do not, there is no try!) todos os Plot Holes criados nos dois primeiros filmes desta trilogia final, e pode-se dizer que o fez com sucesso.

The Rise of Skywalker (TROS) é tudo aquilo que um apaixonado da saga pode desejar, ainda que não saiba ao certo.
Para dar um pouco de contexto, é preciso recuar no tempo à primeira trilogia e à prequela.
Na trilogia original, ainda que tenha sido um grande avanço tecnológico na altura em que foi lançada, a base é a história, as relações e os laços entre as personagens. Ao ver os primeiros 3 filmes há aquele sentimento de que estamos “em casa”.
Na prequela, ainda que tenha havido muitas falhas na parte mais humana e das relações entre personagens ao ponto de falhar em criar ligações tão fortes com as mesmas (exceptuando o Obi Fan Kenobi, talvez) como nos filmes originais, é-nos oferecido MUITO entretenimento através de duelos com os lightsabers (que quer queiramos ou não é a imagem de marca de Star Wars).

The Force Awakens (TFA) agarra-se com força à nostalgia da trilogia original e muito graças a isso arrancou com o sucesso que se viu, ainda que houvessem algumas falhas a nível de batalhas.
TLJ é quase uma sátira a tudo o que George Lucas nos ofereceu na trilogia original e na prequela, um filme fantasioso com falhas graves nos duelos (nomeadamente Rey/Ren na batalha na sala do trono), personagens cujo desenvolvimento em TFA tinham potencial para ser temíveis que acabaram ridicularizadas, personagens que não acrescentaram absolutamente nada (e continuam a não acrescentar em TROS) e aventuras sem utilidade que surgem apenas com o propósito de tornar o filme visualmente mais apelativo. Não me deixem enganar-vos, TROS também tem uma aventura do género, mas há para além de propósito, há desenvolvimento e acaba por ser surpreendente (coisa que falhou no Canto Bight). TLJ surge então com a “missão aparente” de ser apenas um build-up atabalhoado para o TROS.

Temos assim TROS que volta a dar vida e propósito à nostalgia que TFA trouxe como núcleo central da nova trilogia, dando utilidade a personagens veteranas, a personagens mais recentes e sobretudo a personagens apresentadas na hora (tanto que é fácil criar ligação com as mesmas num só filme, coisa que não aconteceu no Episódio VIII).
A aventura é entusiasmante e refrescante, os confrontos (nomeadamente com lightsaber) estão melhor orquestrados e coreografados que nos dois filmes anteriores e há mais violência e profundidade contido personagens base. Daisy Ridley (no papel de Rey) e Adam Driver (no papel de Kylo Ren) são brilhantes quer na densidade, quer na intensidade emocional que conferem às personagens, impossível não nos deixarmos absorver por ambos.
Para além de tudo isto, temos um filme de Star Wars que transcende a definição de “filme comum”, dotado de um contexto político e cultural atual, que explora temáticas (ainda que de forma suave) que surgiram com a abertura e tolerância desenvolvida pela sociedade ao longo dos últimos anos.

Para finalizar, outra coisa que TROS nos ofereceu com distinção foi a intriga, o mistério e a surpresa. Os 3 ingredientes base para tornar qualquer filme interessante.
As maiores falhas?
Era possível dividir o filme em duas partes, com a riqueza de conteúdo apresentado. Em todo o caso, excelente trabalho de J.J. Abrams, que conseguiu assim, com este filme encontrar o balanço na forca e restabelecer a ordem.
E infelizmente J. J. Abrams teve uma missão ingrata com este episódio, com a obrigação de unir todas as pontas soltas dos dois capítulos anteriores, dar desfecho aos veteranos da trilogia original, oferecer uma experiência visual memorável (que contou com uma das melhores cenas da saga perto do final), aliado a uma história com sentido (ainda que apressada) e teve de fazer isto tudo de pés atados, pois a morte súbita de Carrie Fisher pouco tempo depois da gravação das cenas para TLJ, obrigou J. J. Abrams a modelar toda a narrativa que se passava em torno dela com base no improviso a partir de takes não usados nos filmes anteriores. Ficou aquela sensação de que podia ter sido melhor, mas neste caso ninguém tem culpa, por isso não dá para pegar por aí.

Em relação a críticas negativas que já li, deixo-vos este excerto do New York Times, que acaba por definir a linha de pensamento por detrás do críticos de “renome”, que suspeito que sejam Sith:
The Rise of Skywalker isn’t a great Star Wars movie, but that may be because there is no such thing. That seems to be the way we like it.

E com isto dito, I rest my case.
Vale a pena ver no cinema e daqui a 2 dias vou voltar a ver em IMAX só para garantir que desfruto ao máximo da beleza visual de The Rise of Skywalker.
É o final que a saga merece!


Título: Star Wars: Episódio IX – A ascensão de Skywalker

Título Original:Star Wars: Episode IX – The Rise of Skywalker

Realização: J.J. Abrams

Elenco: Adam Driver, Daisy Ridley, Billie Lourd, Keri Russell, Harrison Ford, Carrie Fisher, Mark Hamill, Ian McDiarmid, Kelly Marie Tran, Lupita Nyong’o, Oscar Isaac, Domhnall Gleeson, Joonas Suotamo, Billy Dee Williams, John Boyega, Anthony Daniels, Naomi Ackie, Jimmy Vee

Duração: 141 min.

Trailer | Star Wars: Episode IX – The Rise of Skywalker

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