Cinema Críticas

Crítica: Knives Out (2019)

A PEDIDO DO PRÓPRIO REALIZADOR, RIAN JOHNSON, A SEGUINTE CRÍTICA DE KNIVES OUT TENTARÁ EVITAR O MAIOR NÚMERO DE SPOILERS POSSÍVEL!!!

Rian Johnson pode não um nome sonante dentro da indústria, muito devido à sua experiência dentro do circuito mais independente do cinema. No entanto, isso não significa que o realizador norte-americano nos atire com algumas pérolas do mainstreamLooper foi praticamente o filme que o lançou como um dos realizadores mais promissores desta década, o que lhe valeu também a cadeira de realizador de Star Wars: The Last Jedise bem que este último se revelou bastante divisor para os fãs e críticos (por exemplo, sou um dos poucos que defende o que Johnson tentou fazer). E enquanto esperamos pela sua (muito) aguardada trilogia de filmes dentro da saga, Rian Johnson regressou às suas “origens” com Knives Out, um filme que faz o seu melhor para tentar homenagear (e dar nova vida) ao clássico género criminal adoravelmente denominado de whodunnit.

Harlan Thrombey (Christopher Plummer) ganhou a sua fama como um escritor bem sucedido de romances criminais (à lá Agatha Christie). No entanto, no dia do seu 85º aniversário, Harlan é encontrado morto, deixando todos em choque. A polícia fica encarregue de investigar o que parece ser um simples suicídio; entra Benoit Blanc (Daniel Craig), um detetive privado que é contratado para averiguar melhor a situação.

Knives Out

Se têm acompanhado o trabalho de Rian Johnson até agora, sabem que o realizador gosta imenso de subverter as nossas próprias expectativas. Ele fez isso com Looper, e tornou a fazer o mesmo com The Last Jedi (ainda que com resultados um tanto ou quanto mistos, até eu tenho de o admitir), e repete essa mesma façanha com Knives Out. Se algumas vez viram uma série ou filme dentro do género whodunnit, então já deverão estar a par do tipo de fórmula já pré-estabelecido. Este filme não arrebenta com os moldes, servindo quase como uma espécie de homenagem a um género que já não tem tanta procura hoje em dia, mas também joga com as nossas próprias expectativas, de forma a oferecer-nos algo verdadeiramente único.

E grande parte dessa força reside no guião que o próprio Johnson elaborou. O próprio enredo está envolto num mistério bem escondido e de resolução um tanto ou quanto subjetiva, mas não deixa de oferecer algumas surpresas agradáveis pelo caminho. Não se baseia apenas na história por contar, mas também como o mundo reage. O filme está repleto de drama e momentos de suspense pelo meio, mas também tem uma ampla liberdade para referir a alguns exemplos reais de filmes do género whodunnit, além de fazer uma leve troça aos eventos a serem retratados. O guião pede-nos, não de forma ampla, para tomarmos especial atenção aos mais pequenos detalhes e tirarmos as nossas conclusões. E o facto de também contar com uma espécie de humor que tornam Knives Out num filme diferente do habitual. Mas a surpresa do guião é de como consegue incorporar alguns temas delicados da vida real, como o caso da emigração ilegal ou mesmo do clima politico-social que se encontram bem assentes no quotidiano norte-americano de hoje em dia.

Knives Out

Knives Out conta ainda com um elenco repleto de nomes sonantes. Ainda que a maior parte dos atores apresentados cumpram com as suas funções de forma bastante competente (e por vezes surpreendente), do filme destacam-se Daniel Craig, Ana de ArmasChris Evans. No caso de Craig, este foge da sua zona de conforto (e do seu sotaque naturalmente britânico) a favor de um detetive privado com um claros toques de Sherlock Holmes, ao ponto de se revelar também como uma espécie de comic relief (algo que não esperava colocar por palavras para descrever o atual James Bond), enquanto Evans, no rescaldo dos seus momentos mais altos de Avengers: Endgame, oferece-nos algo diferente e que consegue também oferecer alguns momentos surpreendentes pelo caminho. No entanto, é Ana de Armas que tem de receber os merecidos louros do filme. Armas tem sido uma franca revelação que vai arrecadando cada vez mais projetos ambiciosos (Blade Runner 2049 é o exemplo mais recente) e Knives Out volta a ilustrar as suas forças no seu pleno, sem esquecer também uma certa humanidade que permite com que a audiência se ligue à personagem e aos seus conflitos internos e externos.

Depois de The Last JediRian Johnson volta a unir a sua fandom dividida com este Knives Out, um whodunnit à moda antiga que joga contra as nossas expectativas em todas as maneiras possíveis, acoplado com um elenco de luxo no seu melhor. Mas no fim e ao cabo, consegue entreter e entregar-nos uma experiência diferente.

Título: Knives Out – Todos São Suspeitos
Título Original: Knives Out
Realizador: Rian Johnson
Elenco: Daniel Craig, Chris Evans, Ana de Armas, Jamie Lee Curtis, Michael Shannon, Don Johnson, Toni Collette, LaKeith Stanfield, Christopher Plummer, Katherine Langford, Jaeden Martell, Riki Lindhome, Edi Patterson, K Callan, Noah Segan
Duração: 
130 minutos

Trailer | Knives Out

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