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American Horror Story: 1984 – Season Finale – Temporada 9

American Horror Story: 1984

Antes de começar esta review à 9ª temporada de American Horror Story (AHS), quero deixar aqui imortalizado um dos melhores créditos de abertura da história de televisão, que reflete em muito a qualidade desta temporada.

Agora que já tirei este peso de cima, que era homenagear quem criou esta obra de arte, avancemos para a análise desta temporada.

Os anos 80 são provavelmente a década mais interessante da história da humanidade, porque foi início do boom tecnológico, do desenvolvimento da cultura Pop, do lançamento de inúmeros filmes icónicos, de músicas intemporais, de roupas únicas e do crescimento da qualidade de vida pós-guerras (nomeadamente nos Estados Unidos).
Ryan Murphy aproveitou a actual nostalgia recriada por séries de sucesso do momento como Stranger Things e Black Mirror (com o episódio San Junipero que limpou vários prémios, incluindo um Emmy) e desenhou uma temporada toda ela com base nessa década magnífica.

1984 arranca com a reabertura do Camp Redwood, que anos antes foi palco de um massacre sangrento protagonizado por um antigo soldado conhecido por Mr. Jingles (protagonizado por John Carroll Lynch) que trabalhava no parque. Esta temporada é baseada no lado negro dos anos 80, apoiando-se na clássica cultura de “histórias de terror contadas por jovens nos campos de férias durante o verão”.

Com base na experiência das temporadas anteriores, era um facto adquirido de que a nova temporada ia ser sangrenta, a questão que se colocava era: A história vai valer a pena e os meios vão justificar o fim?

Levanto esta questão porque apesar de AHS ter criado um movimento excelente que foi pegar em temas únicos e criar temporadas independentes a coisa nem sempre correu bem. Analisando de forma mais minuciosa para explicar o que significa esta temporada…
Arrancou com Murder House (2011) que não foi excelente, mas a temática era um clássico, então foi um sucesso;
Asylum (2012) trouxe-nos a temporada mais interessante (até à data de estreia de 1984), começando a aumentar a base de fãs da série.
Coven (2013) foi talvez a temporada mais Pop e o aumento de protagonismo de Sarah Paulsen e a entrada de Emma Roberts resultou numa explosão a nível de popularidade.
Freak Show (2014) foi ousado e a fórmula de reciclar atores estava a funcionar na perfeição, no entanto Ryan Murphy revelou que as temporadas estavam ligadas e que no futuro iam haver ainda mais ligações. Como é óbvio, esta revelação no momento estrela de AHS, gerou uma onda de entusiasmo enorme.
No entanto, com Hotel (2015) iniciou-se a viragem onde as coisas começaram a dar para o torto, que coincidiu com a saída de Jessica Lange (fan favorite), numa temporada algo desinteressante e muito linear.
Roanoke (2016) trouxe a promessa de algo novo, mas acabou por falhar de forma grosseira, graças à confusão gerada pela famosa reciclagem de atores e ao desvio do tema, com a perda de objectividade.
Em Cult (2017) pegaram numa temática actual e com imenso potencial, mas ficou também aquém do prometido. O momento estrela da série passou graças ao 3º fracasso seguido e os fãs casuais começaram a desistir da série.
Apocalipse (2018) foi o apocalipse total da série (pun intended). AHS bateu no fundo com a temporada mais confusa e aborrecida do rooster. A fanbase também bateu no fundo, tendo muita gente desistido no final ou até a meio.

Chegamos a 2019 sem expectativas para a nova temporada de AHS, intitulada de 1984. Foi a primeira vez que Ryan Murphy apostou numa época em vez de uma temática específica. Penso que falo por muita gente quando digo que já só desejava que a série fosse cancelada para acabar com o sofrimento.

Algo fantástico aconteceu, pois esta foi a temporada mais sólida e entusiasmante da série. Começando pela recriação fiel dos anos 80 (como já falei acima) a nível de dinâmica, caracterização de personagens (viva a lycra e os spandex), espaços e música.

O facto de só ter 9 episódios (sendo a temporada mais curta) impediu que se perdesse tempo com fillers e histórias paralelas, mantendo a narrativa a avançar a um fluxo constante. A desistência de tentar entrelaçar esta temporada com outras à força também impediu muita complicação desnecessária. Acabamos assim por ter uma temporada objectiva e sem grandes confusões e no final tudo fez sentido sem pontas soltas graves.

Terem deixado actores que já eram mobília (como Evan Peters e Sarah Paulsen) no banco de suplentes para apostar em caras novas e entregar o remo a atores mais verde dentro deste universo, foi um risco e podia ter sido a desgraça da série, no entanto acabou por ser uma lufada de ar fresco.
Com 1984 o foco foi o público-alvo de AHS, que são os jovens e isso refletiu-se na seleção do cast.
Leslie Grossman (no papel de Margaret Booth) foi talvez a única escolha que me deixou de pé atrás muito por culpa da performance que teve em Cult ou Apocalipse, mas para o papel em questão, revelou ter sido a escolha certa.
Matthew Morisson (como Trevor Kirchner), Angelica Ross (como Nurse Rita), Gus Kenworthy (no papel de Chet Clancy), Zach Villa (Richard Ramirez) e Deron Horton (a interpretar Ray Powel) foram algumas das novas entradas no cast, que vieram trazer a frescura e vitalidade que a série precisava.
A nível de All-Stars, tivemos um Big 3 composto por:
Cody Fern (no papel de Xavier Plympton), que apesar de se ter estreado na temporada anterior num papel com maior protagonismo, este foi sem dúvida a sua melhor prestação.
-A fantástica Emma Roberts (como Brooke Thompson) veio provar o quão versátil é como atriz. Quem se lembra dela em Coven ou até mesmo na temporada anterior, vai perceber o que estou a dizer.
Billie Lourd foi a verdadeira MVP desta temporada. Se a frase “The 80s will never die” faz sentido, é graças ao desempenho dela como Montana Duke. Ryan Murphy precisou de duas temporadas a desperdiçar o potencial de Billie Lourd, para lhe dar o papel perfeito. Papel esse que esta agarrou com unhas e dentes e acabou por arrasar.

AHS: 1984 - Big 3

Fica o desejo que este seja o ponto de viragem para American Horror Story e que o próximo capítulo seja tão ou mais fantástico que este.

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