Cinema Críticas

Crítica: Child’s Play (2019)

Child's Play

A produção cinematográfica mundial tem-se voltado cada vez mais frequentemente para remakes. Pegar em clássicos de várias décadas, que encantaram os públicos a quando da sua altura não é fácil. Muitas vezes as expectativas estão em alta e linha que separa o sucesso do fracasso é ténue. Child’s Play é mais um desses filmes. Terá Chucky tido um regresso à altura do seu legado?

Este novo Child’s Play esconde surpresas debaixo de um conceito já sobejamente conhecido do grande público. O novo boneco, de aparência mais simplista revela-se uma máquina de matar impiedosa e surpreende que o seu regresso seja tão eficiente.

Sobre Child’s Play

Os elementos de magia negra do original foram descartados e não fazem falta nesta versão. Na verdade Chucky passa de boneco possuído para robô mal-programado, graças ao guionista Tyler Burton Smith, algo que torna a obra distinta da sua fonte, instigando com novas dinâmicas e reviravoltas.

Child's Play

A relação que se forma entre Andy (Gabriel Bateman) e Chucky (voz de Mark Hamill), é um dos pontos mais cativantes do filme. Programado para defender o seu amigo mas sem quaisquer filtros estabelecidos pela própria programação, o que abre espaços a que o boneco possa cometer atos que vão desde linguagem obscena a assassinar.

Chucky sofre um processo de transformação gradual ao longo do enredo tornando-se o antagonista de forma progressiva. Mais do que tudo, a consciência de que Chucky faz o que faz por carinho a Andy acrescenta uma aura de desassossego ao filme.

Tyler Burton Smith acerta ao assumir Chucky como um robô movido a inteligência artificial resistindo à tentação de mimetizar o vilão original e dando ao público mais conhecedor do original algo novo e inesperado permitindo ao mesmo tempo momentos conceptualmente marcantes e promissores, como, por exemplo, a sua assimilação da violência contra humanos através de uma exibição de Texas Chaisaw Massacre 2, assistido por um grupo de jovens, legitimando aquelas ações aos olhos de Chucky.

Child's Play

Lars Klevberg, concebe algumas das mortes mais espirituosas dos últimos anos no género.

Assim, a versão de Klevberg aposta em cores saturadas na fotografia e numa banda sonora lúdica de Bear McCreary. O próprio boneco sofre um lifting no rosto: mais borrachudo. Além disso, fornece situações que desfrutam da imensa capacidade do boneco em controlar outros dispositivos electrónicos conectados à cloud, como drones ou carros.

Por outro lado, nas ações mais mundanas como as interações de Andy com a mãe, o filme perde ritmo e interesse por falta de coesão nas relações que a narrativa falha em transmitir.

Título: O Boneco Diabólico
Título Original: Child’s Play
Realizado por: Lars Klevberg
Elenco:   Mark HamillAubrey PlazaTim Matheson
Duração: 90 minutos

Trailer – Child’s Play

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