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Legion – 3×08 – Chapter 27

PODE CONTER SPOILERS DE LEGION!!!

Bem, aqui estamos nós, para o final definitivo de Legion. Esta pode não ter sido perfeita, mas não se pode dizer que, no meio de tantas séries que a Marvel nos apresentou até agora, esta se revelou bastante única, especialmente na sua componente visual, no uso de músicas bastante icónicas e, acima de tudo, subverter as nossas expectativas já pré-estabelecidas dentro do género de séries baseadas em bandas desenhadas. E este episódio final não foi exceção: teve alguns problemas, mas não deixou de partir nos seus próprios termos.

Neste episódio, David (Dan Stevens) e Charles (Harry Lloyd) preparam-se para enfrentar as duas versões diferentes de Amahl Farouk (Navid Negahban), enquanto Syd (Rachel Keller) e Kerry (Amber Midthunder) fazem tudo por tudo para protegerem Gabrielle (Stephanie Corneliussen) e David (na sua forma de bebé) das forças dos Time Demons.

Legion 3x08

Tal como tinha mencionado acima, Legion é uma das pouquíssimas séries baseadas em bandas desenhadas  que continua a desafiar as nossas próprias expectativas. Considerando o esperado combate entre quatro telepatas no plano astral, seria de esperar que a imaginação de cada um dos combatentes dava pano para mangas para verdadeiros espetáculos de encher o ecrã.

No entanto, isto é Legion, por isso seria razoável pensar que as coisas não iriam propriamente correr conforme o esperado. E de facto, o combate entre David e a versão mais nova de Farouk esteve mais recheada de ação e de momentos de puro efeito psicadélico. Inclusive um momento musical em que David começa a entoar a música Mother dos Pink Floyd, num dos momentos mais bizarros e doces deste episódio. Em contraste, Charles e o Farouk mais vermelho não combatem de todo, somente discutem as suas perspetivas sobre a posição de David e de como este cresceu desde a sua infância até à sua fase adulta. É uma instância diferente do habitual, mas não deixa de ser sinónimo da série.

Legion 3x08

O segmento de Syd, dos Loudermilk e de Gabrielle, por outro lado, não apresentou necessariamente o mesmo estilo criativo, se bem que tirou da sua cartola algumas claras surpresas (que seguidamente deram origem a alguns momentos comoventes), mas claro que a resolução deste segmento só teria origem num twist de última hora.

Twist esse que esteve a cargo de Switch (Lauren Tsai). Quando se pensava que esta não podia ter batido mais fundo no que toca ao seu impacto total na série, eis que este episódio nos apresenta uma nova reviravolta que coloca-a com uma maior importância (e que torna a colocar o tempo no cerne da questão).

Mas mesmo as mensagens positivas, de que o crescimento num seio familiar pode fazer toda a diferença e que todos as nossas ações, por mais pequenas que possam ser, são importantes, não faziam prever o desfecho final. Não com uma choradeira ou algo insatisfatório, como se tivéssemos de esperar por uma temporada que nunca mais virá, mas sim com um olhar esperançoso para um futuro incerto e que nos dará bastantes largas à imaginação.

Portanto, Legion não é uma série que certamente tenha agradado a todos os gostos tradicionais da Marvel, mas desde cedo se revelou como algo verdadeiramente único num panorama que se revela cada vez mais do mesmo, sem medo de arriscar numa veia mais artística. E é essa fasquia que a série elevou e que dificilmente será desafiada durante longos anos.

Podem ler o Frame By Frame anterior de Legion aqui.

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Apesar de algumas claras imperfeições, esta não deixa de ser uma despedida de Legion, uma das séries de super-heróis mais únicas e inovadoras de que há memória recente.

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