Frame by Frame The 100 TV

The 100 – 6×11/12 – Ashes to Ashes/Adjustment Protocol

Contém spoilers!

A um episódio do fim da sexta temporada, The 100 perdeu completamente o ritmo. Depois de vários episódios emocionantes e carregados de tensão que deixaram um cheirinho de quero mais, estas duas últimas semanas foram desilusão e aborrecimento.

No episódio 11, “Ashes to ashes” fomos confrontados com o regresso de Clarke que – surpresa, surpresa – está pronta para a acção. E, obviamente, isto levou à separação de Bellamy. A sério, já nem pedimos uma relação romântica entre os dois, mas um pouco daquelas aventuras suicidas a dois que nos apaixonaram durante a primeira temporada. Parece que a missão dos escritores é manter esta dupla explosiva separada. Afinal, não queríamos que eles rebentassem um segundo plano, certo?

Ok, vamos por partes. Na floresta, Gabriel, Bellamy, Clarke e Octavia tentam encontrar uma forma de entrar no Sanctum e, não só salvar o grupo deles, mas impedir Russell de criar mais hospedeiros. No entanto, a reunião deles é encurtada pela chegada dos Filhos de Gabriel. O prime é obrigado a revelar a sua identidade, para revolta dos seus seguidores, mas o grupo consegue convencê-los a atacar Sanctum.

Os irmãos Blake vão à procura dos plantas que contêm a toxina do eclipse e temos finalmente a conversa que todos esperávamos. Octavia implora por perdão, Bellamy finge-se que não se importa… É de partir o coração sinceramente. A performance de Marie é assombrosa e Bob Morley já provou várias vezes esta temporada a sua capacidade como ator. Mas, a grande facada foi provavelmente quando Octavia implora a Bellamy para que ele afirme que ela é sua irmã. “You’re my sister. But you’re not my responsability.” Para ser honesta, vejo isto de duas formas: por uma lado, consigo ver o crescimento da personagem que se distância do adolescente rebelde com apenas uma missão; por outro, parece-me tão fora de contexto ver Bellamy distanciar-se dos sentimentos pela irmã que sempre o caracterizaram tão bem.

Enquanto isso, no Sanctum, Abby, Raven e Jackson estão ocupados a tentar extrair a medula óssea de Madi, que está cada vez mais perdida para Sheidheda. Echo é prisioneira de Ryker, que a transforma numa nighbleeda para servir como hospedeira de Simone; E Miller e Gaia continuam fechados no quarto, sem forma de escapar.

Esta última era uma dupla que eu não sabia que precisava. Miller é uma personagem que tem marcado presença na série desde o primeiro episódio e é tão refrescante ver que a sua prestação e importância é reconhecida para além de ser mais um rosto no plano de fundo. Também Gaia tem provado ser um membro importante do grupo, não só para manter Madi sob controlo, mas como consciência moral de muitos dos companheiros, apesar de ela própria estar em conflito com as suas próprias convicções.

Já Echo fez as tão esperadas revelações que tem sido imensamente comentadas e, ao contrário do que esperava, não me deixaram nem um pouco agradada. O grande segredo da ex-espiã é que o seu nome não é na verdade Echo, mas sim Ash. A verdadeira Echo era a melhor amiga de Ash, que morreu às suas mãos após a rainha Nia de Azgeda as obrigar a lutar uma contra a outro. Foi este o grande background que todos diziam que nos ia fazer compreender melhor Echo? Não foi possível sentir nem uma pinga de compaixão pela falsa Echo. Aliás, acho que todo o progresso que ela fez para chegar ao meu coração desapareceu com esta tentativa patética de fazer os fãs criarem empatia pela personagem.

No entanto, kudos para ela por conseguir matar Ryker. Não existia mais paciência para a cobardice e traições dele.

Por fim, Murphy, a “pedido” de Russell, consegue localizar Clarke e, ainda a acreditar que ela é Josephine, leva-a de volta para o pai. E é desta forma que a nossa destemida líder se consegue infiltrar no Sanctum e colocar em marcha o que plano que preparou com Bellamy, Octavia e Gabriel.

No último episódio, enquanto Bellamy, Octavia, Gabriel e os Filhos de Gabriel se preparam na floresta, Clarke é confrontada pelo pesadelo que está a viver Madi e um Russell cada vez mais inconstante.

É de louvar a prestação de JR Bourne. Desde o primeiro minuto conseguiu transmitir-nos a forma como luta contra a própria consciência, apesar de colocar a família constantemente em primeiro lugar. É possível ver a dúvida e hesitação nos seus movimentos, olhare e tom de voz.

Também Eliza se tem provado cada vez mais como atriz. Passou a temporada a saltitar entre Clarke e Josephine, ou Josephine a imitar Clarke e agora Clarke a imitar Josephine. E fê-lo com uma exatidão perfeita. O que só demonstra o quando a atriz australiana evoluiu nos últimos seis anos.

Passando ao que interessa. Clarke consegue contar à mãe, Jackson e Raven que está viva. As duas Griffin trocam abraços e é tudo muito emotivo. Mas o que quero mesmo saber é onde está a amizade entre Ravene  Clarke? Será que a ligação delas ficou de tal forma destruída que Raven não pode mostrar nem um pouco de sentimento pela amiga. A amizade das duas sempre foi uma das minhas ligações favoritas nas primeiras temporadas e continuo a sentir que os produtores estão a afastar Clarke de todos aqueles que sempre lhe foram querido, bem como continuarem a destruir a personagem de Raven.

O plano continua em marcha e Clarke descobre o corpo de Ryker, de onde retira o chip, fazendo Russell pensar que os culpados são Echo, Gaia e Miller. Para sorte do grupo, Clarke consegue encontrá-los e capturar Prya, que irá abrir o escudo para salvar o filho. Tudo muito bonito. Mas o que foi aquele abraço entre Echo e Clarke? As suas poucas interações tiveram e o tempo que passaram juntas no espaço, foi a dormir. De onde surgiu tanta amizarde? E porque é que Echo tem direito a um abraço e não Raven?

Na floresta, Gabriel ouve dois soldados a comentar como Russell vai trazer todos os primes de volta e resolver agir por conta própria. O médico entra no Sanctum, deixando Octavia e Bellamy na floresta com o resto dos Filhos de Gabriel, e é capturado por Russell. Para ser sincera, gosto de Gabriel e espero que ele sobreviva e posso passar o resto da sua última vida em paz. Seria de extremo mau gosto e previsível, matarem uma personagem com tanto potencial, mas seria mesmo ao estilo de The 100. Por isso, quem sabe?

Prya aceita abrir o escudo, Bellamy e Octavia entram – após trocarem uns conselhos no exterior. E é ótimo ver a relação entre os Blake melhorar aos poucos. – e Bellamy e Echo trocam um abraço enquanto Clarke e ele trocam aquele olhar cheio de significado.

Russell faz o seu discurso, mas Prya interrompe com Bellamy e confessa a verdade: os primes não são deuses, apenas usam os corpos dos hospedeiros para viver para sempre. É o caos no Sanctum. A população divide-se em dois e ataca-se mutuamente. Os pais de Simone matam Prya e o grupo – excepto Clarke e Gaia – tem de esconder de uma multidão elouquecida.

Enquanto isso, Clarke a fazer-se passar por Josephine, encontra Russell que lhe diz que eles vão deixar o Sanctum e fugir para a nave. E, surpresa, surpresa, Simone está de volta e não é no corpo que esperávamos. É possível ver a dor de Clarke ao perceber que a mãe morreu, mas ter de se fazer feliz por Josephine ter a mãe de volta. É a total loucura, mas também é loucura matar Abby poucos episódios depois de Kane.

Nas últimas duas temporadas, Abby tem perdido o interesse, tornando-se uma personagem aborrecida e sem aquele charme inicial que a caracterizava. No entanto, é doloroso saber que nunca mais vamos ver a mãe de Clarke, até porque estes últimos episódios trouxeram de volta a garra e poder que a caracterizavam. Tivemos cenas emotivas entre Abby, a filha, Raven e Jackson que nos deram uma sensação de satisfação por esta não partir com raiva e assuntos mal resolvidos. É ridículo pensar que foi preciso livrarem-se da personagem para lhe darmos devido valor, mas normalmente é assim que funciona.

Por fim, Murphy. A personagem debateu-se a temporada toda com o medo da morte e o fazer o que está correto. Para nossa alegria, no último minuto, Murphy e Emori decidem ficar no Sanctum e ajudar os amigos. E, como bonús, ainda o vemos acusar Josephine da morte de Clarke, provando que ele, lá no fundo, tem sentimentos pela antiga companheira de aventuras. É possível ver como Clarke fica tocada com as palavras dele e chama-lhe “Murphy”, o que o faz perceber que na verdade quem ganhou a guerra foi Clarke e não Josephine. Os dois trocam um sorriso e um olhar que tem uma vida de significados. – Desculpem eu ficar poética aqui, mas Clarke/Murphy é uma das duplas mais mal aproveitadas da série e que eu gostava de ver a ter mais tempo de ecrã. – Só esperemos que esta mudança de Murphy não signifique que ele seja a terceira baixa no elenco esta semana.

A um episódio do fim da temporada, acumulam-se dúvidas e tensões e perguntas e… A sério, podemos ver já o season finale?

Podem ler o Frame by Frame anterior de The 100 aqui.

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