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The Boys – Season Finale – 1ª Temporada

The Boys season finale

PODE CONTER SPOILERS DE THE BOYS!!!

Até agora, Seth RogenEvan Goldberg têm provado ser uma dupla de peso no que toca à criação de vários filmes e séries irreverentes, com títulos como PreacherFuture Man ou mesmo Sausage Party a mostrarem o melhor que esta dupla pode oferecer. E a sua mais recente oferenda é mais uma colaboração entre esta dupla e o escritor de bandas desenhadas Garth Ennis com este The Boys, que conta também com Eric Kripke (mais conhecido por ter trabalhado durante anos na série Supernatural) como showrunner.

Num mundo dominado por super-heróis, Hughie (Jack Quaid) é um rapaz simples que trabalha numa loja de eletrónica e ainda vive com o seu pai (Simon Pegg). No entanto, a sua vida muda por completo quando a sua namorada, Robin (Jess Salgueiro), é brutalmente morta por acidente por A-Train (Jessie T. Usher), um dos membros dos famosos The Seven, os sete maiores super-heróis dos Estados Unidos. Como se isso não bastasse, Hughie é também recrutado pelo misterioso Billy Butcher (Karl Urban), um homem com um claro ódio para com os super-heróis. Ao mesmo tempo, Annie January/Starlight (Erin Moriarty) é uma jovem heroína que se torna na mais recente aquisição para os The Seven. No entanto, a sua visão idealista é confrontada logo de imediato com as várias atitudes egoístas dos seus membros.

The Boys season finaleO MELHOR:

The Boys é uma verdadeira paródia ao género dos super-heróis… mas não da maneira que se poderia pensar.

Se tivermos de ser justos, esta série não será a primeira que faz uma verdadeira paródia aos super-heróis e aos clichés a eles associados, e muito menos será a última (pelo menos, de acordo com esta indústria em crescimento). No entanto, The Boys ganha pontos por tentar uma abordagem raramente escolhida dentro deste género.

Sempre nos habituámos a ver heróis como símbolos de virtudes a seguir, como verdade, justiça, respeito, etc, etc. No entanto, eis uma questão: o que aconteceria se esses mesmos heróis, os símbolos das virtudes que tentamos agarrar dia após dia, fossem tão ou mais corruptos? Ou pior, se fossem capazes de cometer alguns dos atos hediondos que encontramos nas manchetes dos jornais e conseguiam safar com tudo e mais alguma coisa? É uma ideia assustadora, decerto, mas não deixa de refletir alguns dos casos que ocorrem na vida real, em que grande parte dos astros que idolatramos durante anos cometem esses mesmos atos que acabam por ser ignorados em favor de uma imagem social imaculada.

The Boys season finale

É aqui que entra a Vought, uma empresa que se encontra responsabilizada por manter a imagem dos vários super-heróis, ao ponto de cometer algumas medidas bastante drásticas para manter os vários escândalos dentro da ignorância do público geral. Não apenas isso, mas recorrem a vários elementos como marketing ou discursos públicos para tentarem vender uma história que não é real. Alguns dos casos que vemos os heróis cometerem incluem consumo de drogas, assassinatos ou episódios de assédio sexual, que muitas vezes levam a casos de violação sexual. É um panorama assustador, mas que pinta uma imagem completamente diferente dos típicos heróis a que estamos acostumados a ver. Alguns deles ganham algum protagonismo de forma generosa, mas é o Homelander (Antony Starr) – uma espécie de análogo entre o Super-Homem e o Capitão América – que acaba por cometer as maiores atrocidades durante esta temporada. Outros heróis que recebem o maior tempo de destaque incluem o supra-mencionado A-Train e o seu escândalo do doping desportivo, The Deep (Chace Crawford)uma espécie de Aquaman que se sente subvalorizado, ou mesmo Queen Maeve (Dominique McElligott), que se resignou a um posto como a “sombra” de Homelander.

The Boys season finale

Felizmente para nós, The Boys não se centra apenas nos atos hediondos dos The Seven; também encontra a sua através do grupo titular da série que, além de contar com Billy e Hughie, contam ainda com Frenchie (Tomer Capon), o especialista em armas e sistemas de vigilância, Mother’s Milk (Laz Alonso), que se assume como o “homem com as ligações necessárias” e, mais tarde, a Female (Karen Fukuhara), uma Supe muda com poderes milagrosos e perigosos em doses equilibradas.

Cada um destes possui o seu feitio distinto que dá azo a várias “cabeçadas” no curso da temporada, mas acabam por ter um maior tempo de antena e quem acabamos por conhecer melhor. No entanto, dentro do grupo, são Hughie e Billy que arrecadam as melhores impressões. Jack Quaid mostra tanto um lado dramático como de comediante e doce (especialmente nas suas cenas partilhadas com Moriarty, o que dá origem a alguns dos momentos mais doces da temporada), mas é Karl Urban que acaba por ser o grande chamariz da temporada. Por cada piada ou insulto que este transmite através de um sotaque quase indecifrável, esconde um lado mais emocional, com uma motivação clara e compreensível pelo seu desprezo pelos Supes.

Apesar dos temas sérios e contemporâneos, The Boys não esconde o seu lado mais bizarro, e em mais do que uma ocasião, a série apresenta alguns dos momentos mais insólitos e repletos de humor negros a que já nos habituámos nas obras de Garth Ennis ou mesmo em qualquer produção oriunda de Seth Rogen Evan Goldberg.

The Boys season finale

O PIOR:

Mesmo com a duração ideal, fica a ideia de que The Boys podia ter ido mais longe.

E isso vê-se mais claramente no seu vasto elenco em que somente um punhado de personagens é devidamente explorado nos seus respetivos arcos individuais, enquanto outros que simplesmente ou ficam remetidos para segundo plano ou os produtores, guionistas e realizadores não se dão muito ao trabalho de explorar. Esse panorama pode vir a mudar quando chegar a segunda temporada da série, mas não me importava de saber um pouco mais sobre M.M. ou Frenchie ou mesmo na comunidade heróica em que, fora alguns cameos aqui e acolá, foram pouco além dos The Seven.

Felizmente, esse tipo de questões podem vir a ser respondidas com a segunda temporada recém-confirmada de The Boys, já para não falar das expectativas em redor da personagem de Aya Cash. Porque fora essa questão, The Boys prometeu humor negro, momentos chocantes e uma narrativa sem paralelo, e cumpriu com essa promessa e de que maneira!

Podem ler as nossas Mini-Reviews aqui.

Estado da série: RENOVADA

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80%
Average Rating

Negra, sangrenta, e por vezes com uma clara veia humorística, The Boys é a antítese à febre dos super-heróis que acaba por marcá-la dentro de uma concorrência cerrada.

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