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Pennyworth – 1×01 – Pilot

Pennyworth 1x01

PODE CONTER SPOILERS DE PENNYWORTH!!!

Bruno Heller Danny Cannon ficaram conhecidos pelos seus respetivos projetos dentro do seio televisivo. No entanto, os dois produtores/guionistas viriam a trabalhar juntos em Gothama prequela de Batman que acompanha a evolução da cidade titular e dos seus cidadãos desde o homicídio dos Wayne até ao momento em que Bruce Wayne, o único sobrevivente do crime, veste o fato e capuz do famoso heróis da DC. E embora tivesse alguns elementos a seu favor, a série aproveitou-se bastante da mitologia de Batman para contar a sua história, resultando num produto bastante divisivo. Pois bem, não bastou muito tempo para que esta dupla voltasse a trabalhar novamente juntos numa nova série inserida nesta mitologia. O resultado é este Pennyworth, uma prequela que percorre a vida do famoso mordomo e aliado de Bruce Wayne, Alfred Pennyworth.

Londres, anos 60. Alfred (Jack Bannon), um jovem veterano de guerra, trabalha como segurança de um clube noturno no coração da cidade e que anseia começar a sua própria empresa de segurança privada, muito a contra-gosto do seu pai (Ian Puleston-Davies), um mordomo de profissão. A sua vida sofre uma verdadeira reviravolta quando dá de caras com Thomas Wayne (Ben Aldridge), atirando-o para um jogo de intrigas que poderá vir a redefinir a história politico-social de Londres e, por consequência, do Reino Unido.

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Confesso-vos que a ideia de Cannon Heller a voltarem a trabalhar num produto relacionado com Batman quase imediatamente após o findar de Gotham me deixou bastante apreensivo de início, com receio de, como tinham feito anteriormente, voltarem a trazer a sua própria interpretação divisiva. No entanto, Pennyworth só partilha os nomes dos dois cabecilhas e do protagonista, porque de resto, nada tem a haver. E não se trata apenas da troca de estações televisivas (desta feita, a série é transmitida pela Epix em vez da FOX, o que, de certa forma, lhes dá uma maior margem de manobra para aproveitar o R rating que recebeu).

Ter a prequela localizada do outro lado do Atlântico e por várias décadas ajudam Pennyworth a estabelecer a sua própria história. Claro que partilha algumas semelhanças com Gotham em vários aspetos estéticos (como a presença de dirigíveis ou fumaça visível a partir dos prédios, e isto sem mencionar alguns landscape shots que parecem ter saído diretamente de um videojogo). Mas isto é Londres dos anos 60, por isso podem esperar algumas mudanças, não só em termos de guarda-roupa e veículos que podemos encontrar aqui e acolá, mas também em termos do que poderemos esperar em termos sociais. O episódio-piloto não vai a fundo desses mesmos temas, mas nada impede que estes sejam melhor explorados durante o curso da temporada.

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Focar as atenções na juventude de Alfred Pennyworth também contribui a dar um toque mais distinto à série. A história de vida de Bruce Wayne é um assunto já muito batido e que se tornou um verdadeiro alvo de piadas negras (“hey, vem aí um novo filme do Batman!”Boa, lá vamos nós ver os pais dele morrerem novamente.”) e que muitos outros produtos baseados em super-heróis estão a aprender a evitar ao máximo (Captain America: Civil War fez exatamente isso com a introdução de Peter Parker e que foi expandido nos filmes a solo do aracnídeo). Já a história de Alfred é algo completamente diferente: o seu passado está envolta num verdadeiro mistério, aberto a várias interpretações que podem ou não ser verídicas. Por tanto, o espaço temporal e físico, acoplados com um foco invulgar numa personagem mais secundária, certamente abre imensas portas para histórias inéditas para se contar. Ou seja, se Bruno HellerDanny Cannon querem trazer a sua própria interpretação, então Pennyworth é o que mais se assemelha a um parque de diversões.

O enredo da série também diverge bastante do que estivemos habituados a ver em Gotham. Esta acompanhava as aventuras de James Gordon e Harvey Bullock, ainda que limitada aos já familiares conceitos do crime procedural. Em contraste, Pennyworth é uma história de espionagem, em que os elementos já conhecidos estão presentes (conspirações, sociedades secretas, corrupção ao mais alto nível político), mas não deixam de ter um certo toque de imprevisibilidade. Enquanto Gotham estava numa rota impossível de contornar, Pennyworth tem uma quantidade infinita de encruzilhadas por atravessar. E mal posso imaginar o que sairá daqui.

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Mesmo neste episódio-piloto, o elenco consegue mostrar alguma promessa de coisas boas e vontade de desafiar as nossas próprias expectativas. Começando com Jack Bannon, que mostra alguns dos traços já clássicos de Alfred (são vários os que dizem no episódio que este é um homem gentil, amável, etc.), mas também dando-lhe alguns demónios internos para lidar; Esme (Emma Corrin) aparenta ser uma donzela em apuros, mas possui alguma garra nela mesma (e o facto de ter experiência como atriz poderá torná-la numa peça fulcral mais adiante; quem sabe?); ou mesmo o próprio Thomas Wayne, que troca o que esperaríamos de um solteirão mulherengo e mostra-nos um lado mais sério do que o esperado. Já os irmãos-de-armas de Alfred, Daveboy (Ryan Fletcher) e Bazza (Hainsley Lloyd Bennett) não gozam do mesmo tempo de antena ou desenvolvimento, mas nada que não possa ser remediado com o curso da série.

Já os vilões de serviço deixam um bocado a desejar, especificamente Lord Harwood (Jason Flemyng), que assume como um verdadeiro cliché ambulante, apesar dos claros esforços de Flemyng no papel. Felizmente, se há um bright spot nessa vertente, a cantora Paloma Faith como Sykes é esse mesmo bright spot. Apesar de ser apenas uma capanga, Faith mostra um leve lado de loucura e imprevisibilidade, ao mesmo tempo que, surpreendentemente, mostra alguma humanidade aqui e acolá. O subtexto está nas entrelinhas e, se tudo correr bem, Paloma Faith pode vir a ser uma das MVP’s da série.

Em suma, os meus receios em relação a Pennyworth revelaram-se infundados. O espaço cénico e temporal, juntamente com um enredo inspirado nas clássicas histórias de espionagem, conseguem colocar a série numa rota bastante imprevisível, ainda que o resultado final seja inevitável. A juntar a isso, temos direito ainda a um elenco com alguns nomes novatos, mas que revelam uma espécie de promessa de algo melhor daqui em diante. Se este é um pedido formal de Bruno Heller Danny Cannon por causa de Gotham, então ainda bem que chegou em boa hora!

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Contra todas as expectativas possíveis, Pennyworth chegou e acabou por surpreender graças a uma história radicalmente diferente do que estávamos habituados com Gotham. E considerando que esta série vem de dois colaboradores principais da série anterior, já diz muita coisa!

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