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Crítica: Batman: Hush (2019)

Batman: Hush Crítica de Cinema

Durante os seus 80 anos de existência, o personagem Batman tem-nos oferecido uma quantidade infinita de histórias para nos contar, alguns mais icónicos que outros. Essas mesmas obras viriam a ser transpostas, maioritariamente, para a área do desenho animado, com alguns bons exemplos (Batman: The Dark Knight Returns ou Batman: Under the Red Hood) e outros menos bons (Batman: The Killing Joke). No entanto, se há uma história que os fãs já andam a pedir há muito por uma adaptação, essa é Batman: Hush. Criada em 2008 por Jeph Loeb (o atual líder da divisão televisiva da Marvel) e Jim Lee, esta história não só nos trouxe Hush, um dos vilões mais memoráveis nestes últimos anos, como também colocou uma luz na tumultuosa relação entre Bruce Wayne e Selina Kyle. Esta história de 12 capítulos foi muito bem recebida pela crítica e pelos fãs, graças à sua onda de mistério e no foco das relações profissionais e pessoais do herói titular. Volvidos 11 anos, esta história teve direito à sua adaptação.

Tal como na história original, Batman: Hush vê Bruce Wayne/Batman (Jason O’Mara) a enfrentar um vasto leque dos seus rogues, sem saber que esses mesmos eventos estão a ser orquestrados pelos misterioso Hush. Como se isso não bastasse, Bruce terá de lidar com o regresso de Selina Kyle/Catwoman (Jennifer Morrison), voltando a iniciar ao velho will-they-won’t-they.

Batman: Hush Crítica de Cinema

Algumas das adaptações de famosas história do Batman tem sido recebidas de uma forma um tanto ou quanto mista. Embora tenhamos adorado ver personagens e eventos a serem traduzidos para este meio direto para animação doméstica, uma boa parte delas têm marcado presença dentro da continuidade cinematográfica que a DC tem tentado estabelecer desde o filme Justice League: The Flashpoint Paradox, com resultados um tanto ou quanto mistos.

Batman: Hush é diferente, nesse aspeto. Pode assentar dentro deste mesmo universo (incluindo alguns cameos de outros filmes desta linha, por exemplo), mas, numa vista geral, segue a história que LoebLee estabeleceram logo de imediato. Aliás, o filme não perde tempo em estabelecer uma espécie de homenagem ao material de origem, e isso encontra-se mais espelhado numa certa escolha de guarda-roupa que certamente será satisfatório para os fãs.

Batman Hush Crítica de Cinema

É claro que não poderíamos falar de Batman: Hush sem termos de mencionar o vilão titular. E por um bocado, não desilude. Tal como o material de origem, esta versão animada encontra-se envolta num véu misterioso, nunca se sabendo qual será o próximo passo do seu grande plano para destruir a vida tanto de Batman como de Bruce Wayne. Para quem acompanhou a história e capítulos seguintes com Hush, a sua identidade não deverá ser um grande segredo. No entanto, no terceiro ato do filme, essa mesma componente é alvo de uma reviravolta que atira a adaptação para um território desconhecido e que, valendo o que vale, tem tanto de chocante como de controverso (este último mais para os puristas dos fãs do Batman).

Mas o material de origem não se focou apenas em Batman vs. o seu rogues gallery; também tomou uma boa porção do seu tempo focado no eterno romance condenado entre Selina Kyle e Bruce Wayne. E o filme consegue capturar essa mesma sensação de “amor trágico”, dando vários exemplos de como ambos foram claramente feitos um para o outro, mas com as claras diferenças nos seus métodos a servir de impedimento na sua relação. Essa mesma ideia foi bem captada para o ecrã, ainda que os seus atores não possuam o mesmo carisma e ligação emocional quando comparados, por exemplo, com Jerry O’Connell Rebecca Romijn (embora, em defesa deste último duo, os dois são casados na vida real; por isso, carisma e ligação emocional é quase obrigatório).

Batman: Hush Crítica de Cinema

O filme, no fim e ao cabo, acaba por pecar justamente por pertencer à continuidade atual do universo animado da DC. O filme também conta com outras mudanças e presenças a mais, mas conseguem ser mais numa vertente estética do que propriamente como uma fonte de prejuízo para a narrativa. No entanto, com este universo, chega inevitavelmente um estilo de animação que continua a revelar-se satisfatório, mas não impressionante. O mesmo se aplica a uma grande porção do elenco vocal, o que já não surpreende nesta altura.

Apesar de algumas mudanças que vão deixar bastante gente na dúvida e uma teimosia em incluir referências à mesma continuidade, a verdade é que Batman: Hush consegue entreter o público, desde o mistério digno de uma das obras de Agatha Christie até a um romance condenado para a eternidade. Se bem que teria um maior valor se seguisse a rota de Batman: The Killing Joke e se assumisse como uma obra stand-alone.

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Título: Batman: Hush
Realização: Justin Copeland
Elenco: Sachie Alessio, Stuart Allan, Geoffrey ArendJames Garrett, Adam GiffordPeyton ListPeyton ListSean MaherJennifer MorrisonJerry O’ConnellJason O’MaraRebecca RomijnJason SpisakMaury SterlingBruce ThomasHynden WalchVanessa WilliamsRainn Wilson
Duração: 81 minutos

Trailer | Batman: Hush

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