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Saint Seiya: Knights of the Zodiac – Midseason Finale – 1ª Temporada

Saint Seiya: Knights of the Zodiac midseason finale

PODE CONTER SPOILERS DE SAINT SEIYA: KNIGHTS OF THE ZODIAC!!!

A par de outros animés que marcaram a minha infância pessoal, Saint Seiya – conhecido por estes lados como simplesmente Cavaleiros do Zodíaco – era um dos mais populares, fazendo frente a outras séries icónicas da nossa juventude como Dragon Ball ZSailor Moon ou mesmo Rurouni Kenshin, só para mencionar alguns. No entanto, enquanto alguns superaram o teste do tempo – incluindo novas versões como Dragon Ball Kai ou Sailor Moon Crystal – Saint Seiya estava ameaçado a ficar para trás, especialmente à luz de vários spin-offs que, muito francamente, não conseguiram recapturar aquela magia de antigamente. Portanto, foi uma surpresa chocante saber que a Netflix se estava a preparar para relançar a série com um remake moderno através das tecnologias mais recentes de animação. E após ver a curta temporada de seis episódios – que se inspira no arco Galaxy Wars e com outros seis a caminho que seguirá o arco dos Silver Saints – a questão que fica na mente é: no que é que estavam a pensar??

Saint Seiya: Knights of the Zodiac

O MELHOR:

Valendo o que vale, há que reconhecer o mérito de tentar evitar que Saint Seiya: Knights of the Zodiac seja uma cópia barata do original.

Sejamos sinceros, por um bocado: o original é claramente um produto da época em que foi lançado (leia-se, na segunda metade dos anos 80). Portanto, conta com algumas referências um tanto ou quanto datadas. Por isso, tem-se de reconhecer os esforços para tentarem trazer este conceito para a era moderna, especialmente nos vários equipamentos que vemos espalhados de forma um tanto ou quanto abundante.

O PIOR:

No entanto, Saint Seiya: Knights of the Zodiac é, para todos os efeitos e circunstâncias, uma tremenda desilusão, e não se trata apenas no campo visual.

Num animé, a componente visual acaba por ser tão ou mais importante que o enredo, por vezes acabando por ser um chamariz para podermos observar várias pérolas dentro deste género de entretenimento. Saint Seiya: Knights of the Zodiac faz precisamente o oposto com a sua estética, optando por um estilo em CGI que retém os dotes icónicos do material de origem. No entanto, as expressões faciais dos intervenientes não estão presentes. E embora tenhamos direito a uma certa fluidez nos movimento, tudo o resto sai a perder, inclusive as sequências de combate, que já provaram ser bem apelativos no passado.

Saint Seiya: Knights of the Zodiac

Mesmo o enredo é alvo de mudanças, e muitas vezes não são benéficas para o legado de Saint Seiya. De uma forma geral, estes seis episódios servem de uma espécie de recap para os eventos ligados ao primeiro arco da série original. E embora retenha alguns dos momentos mais icónicos, acabam por ser menosprezados por focarem-se mais em jogar pelo seguro e seguir a narrativa original à letra do que oferecer algo que faça homenagem ao mesmo tempo que tenta contar algo de novo. Mesmo as novas inclusões a este universo – como Vander Guraad, um homem de poder que fará de tudo para combater o destino cruel que está reservado para a humanidade, ou mesmo uma tampa de esgoto falante (a sério, pessoal, quem me dera estar a inventir este tipo de coisas…) não trazem nada de novo e conseguem ser bastante distrativos. Heck, o Guraad acaba por denegrir o papel que um dos personagens desta série possuía na série original! E se acham que mudar Andromeda Shun, um dos Cavaleiros originais e um dos mais relutantes a fazer recurso à violência, para uma mulher no meio de um grupo de homens já dava uma certa controvérsia para a série, esperem ver que outras alterações fizeram a uma boa porção do elenco.

No entanto, o pior insulto que a Netflix podia ter feito a uma série claramente enraizada na cultura japonesa foi optar por um elenco 100% inglês. Desde a sequência de abertura – que é claramente uma cover da abertura original pela banda The Struts (aliás, podem ver o original aqui e a cover aqui e podem tirar as vossas próprias conclusões) até à própria escolhas dos atores vocais. De uma forma ou de outra, são competentes, mas nada assim de muito extraordinário. No entanto, se “respeito pelo material de origem” era o que se procurava, então deveriam ter pensado duas vezes e incluir, pelo menos, um elenco claramente japonês.

Portanto, Saint Seiya: Knights of the Zodiac mostra o seu esforço para tentar trazer uma história de deuses e os seus protetores para uma nova geração; no entanto, são as escolhas em termos audiovisuais e narrativos que a série acaba por sair a perder.

Ainda faltam os restantes seis episódios, que deverão chegar quando a Netflix anunciar a sua data de lançamento. Até lá, podem ler o que achámos de outros animés aqui.

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Saint Seiya: Knights of the Zodiac foi agora alvo de um remake que, honestamente, precisava de mais tempo a marinar e de melhores escolhas gerais.

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