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Stranger Things – 3×08 – Chapter Eight: The Battle of Starcourt

Stranger Things 3x08

CONTÉM SPOILERS DE STRANGER THINGS!

Depois de uma temporada demasiado simples e em constante disparidade em evolução de personagens, eis que o final de temporada de Stranger Things chegou e rebentou com a escala. A batalha está ativada e todos os peões estão em jogo. Resta saber quem sobrevive.

Stranger Things conseguiu, no seu final, cometer todos os riscos que deveria fazer ao longo da temporada. É um pouco incomodativo que a opção de ser uma série com continuidade tenha levado ao mau aproveitamento das personagens em geral. Não quero dizer que não tenha apreciado esta temporada de Stranger Things, como qualquer cinéfilo, adoro referências a clássicos e, como qualquer adepto de televisão, aprecio o “aumento da escala” das temporadas. No entanto, da mesma forma que gosto disso, também gosto de uma história bem contada, fresca, com conteúdo novo, para conseguir agarrar-me ainda mais à temática em questão.

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Apesar de todas as características boas desta temporada, Stranger Things cometeu erros inadmissíveis. Tornou-se vítima das suas ambições por dar continuidade a uma história em que não sabe utilizar as personagens de forma competente ao longo do curso. Vejamos o caso de Hopper, cujo arco narrativo afundou-se completamente nesta temporada, ou até mesmo o de Joyce que parece ter sido “metido à pressão” para lhe dar um pouco mais de tempo de antena. Mesmo com os momentos mais engraçados, esta dupla não tem química suficiente para ter demasiado impacto na história e o resultado foi a “destruição” de duas personagens que poderiam ter sido aproveitadas de forma diferente.

No entanto, este episódio final revelou que os Duffer Brothers ainda conhecem as necessidades do público e Stranger Things começa a remar numa nova maré. Com perdas significativas, The Battle of Starcourt acaba por ser vivido com uma intensidade diferente, onde, pelo menos, o plot armor deixou cair a sua armadura e, finalmente, os fãs de Stranger Things perceberam que neste mundo perigoso, há perda e sofrimento. Millie Bobby Brown e David Harbour arrancam as melhores prestações, enquanto que Winona Ryder continua a não conseguir conquistar. Mas a grande estrela desta temporada foi Dacre Montgomery e, pelo menos, foi o senhor dos melhores momentos.

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Destaco a emotividade das sequências finais e da ação palpitante da sequência filmada no centro comercial, bem como odes a Jurassic Park, Back to the Future e outros clássicos. No entanto, uma cena pós-créditos marota revela que os Duffer Brothers vão cair no mesmo erro de serem repetitivos e não explorarem com afinco este mundo novo, permanecendo de forma cíclica nesta história. Parece que o Upside Down é mesmo só Demogorgons e Mind Flayers e não há mais criaturas arrepiantes. Vamos só buscar a nostalgia só porque sim.

Uma das marcas inconfundíveis da primeira temporada de Stranger Things é que a nostalgia era trabalhada para gerações. Por muito que continue a acontecer com breves referências, ninguém precisa de se sentir nostálgico com os mesmos monstros novamente. Precisa-se de algo refrescante e aterrorizador, mais ao estilo de Buffy the Vampire Slayer, onde o universo expande para criaturas invulgarmente horripilantes e com os arcos de vilões terminados convenientemente.

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Apesar de tudo isto, é através deste sentimento de perda que o episódio final prima e que mostra que, mesmo na repetição, há ainda matéria emocional dentro das mentes dos argumentistas. No entanto, é caso para dizer que Stranger Things precisava de terminar urgentemente e, este final, era o final ideal, até percebermos que… não!

Leiam o nosso Frame by Frame anterior de Stranger Things aqui.

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Apesar de um final extremamente competente e emocional, Stranger Things está a provar que a saturação da temática está a levar a um mau aproveitamento de personagens. Dacre Montgomery foi absolutamente maravilhoso.

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