Frame by Frame The Handmaid's Tale TV

The Handmaid’s Tale – 3×06 – Household

The Handmaid's Tale 3x06

CONTÉM SPOILERS DE THE HANDMAID’S TALE!

Praise be. Após a traição de Serena, Ofjoseph é levada até à mansão de um dos Comandantes de alta patente para iniciar a transação com o Canadá, com o objetivo de trazer Nichole de volta a Gilead. As emoções são fortes e novas descobertas sobre o tratamento das ditas criadas continuam a chocar. Serena está determinada, mas June toma uma atitude para com os representantes do Canadá, desesperada por evitar que a sua filha regresse a este regime totalitário. No entanto, os seus avanços são infrutíferos e avizinham-se tempos conturbados.

The Handmaid's Tale 3x06

The Handmaid’s Tale está cada vez mais empolgante e Household é provavelmente um dos melhores episódios da série até agora. Não só continua a apostar no drama acutilante já característico da série, como aumenta a intensidade dos momentos. Em termos argumentativos, os diálogos estão construídos para provocar uma sensação de desconforto e de tentarmos decifrar como é que as personagens se estão a envolver na narrativa. Há um claro desenvolvimento passivo de praticamente todas elas, desde Fred, passando por Serena e Aunt Lydia, até Nick e a todos os novos intervenientes. Esta beleza argumentativa aliada a uma realização vibrante, torna Household uma verdadeira montanha-russa de emoções.

Elisabeth Moss e Yvonne Strahovski continuam a recriar momentos de uma intensidade fora do vulgar, com ambos os seus sentimentos de perda a entrar em conflito e a colidir de forma volátil. Mas a imagem domina: com uma direção de fotografia maravilhosa e uma extraordinária banda sonora que polvilha os momentos com uma incontrolável explosão de ritmo e emoção. É incrível todo o tipo de sentimentos que nos percorre na visualização deste episódio de The Handmaid’s Tale. Esta sempre foi uma série que primou pelo seu aspeto contemplativo e por gradualmente nos apresentar os costumes mais revoltantes de Gilead.

The Handmaid's Tale 3x06

O worldbuilding não cessou e vamos conhecendo as perturbadoras tradições deste governo tirano. Quando pensamos que nada nos pode surpreender, eis que a série ainda constrói algumas surpresas. O importante deste episódio é o silêncio. Silenciar o povo é uma arma poderosa, ao mesmo tempo que é perigosa. Mas The Handmaid’s Tale utiliza este artifício para salientar a crueldade de Gilead e isto é cada vez mais percetível para os apoiantes do regime que estão, também, a aprender novos costumes a cada esquina, como o caso da Aunt Lydia.

Mas silenciar alguém temporariamente não é um avanço inteligente. Quanto mais privarmos alguém de dizer o que pensa, mais isto faz ricochete. Gilead pode tentar, mas a verdade é que o silêncio é mortífero também para a sua identidade. O silêncio gera revolta, uma necessidade de revolução quase instintiva. Ninguém merece ser silenciado, muito menos utilizando a violência e a opressão para o fazer. Mas, claro, não deixa de ser um ato tão vil que provoca desconforto para os espectadores. Algo que alimenta mais a ânsia de nos envolvermos ainda mais na história.

Mas The Handmaid’s Tale atinge o seu auge e esperam-se desenvolvimentos gigantescos nos episódios seguintes. Que a criatividade e a arte continuem a andar lado a lado, tal como este episódio ilustra. Só assim é que a televisão irá continuar a agarrar cada vez mais seguidores. Estou orgulhoso de The Handmaid’s Tale. É precisamente esta revolta que precisa de suscitar em nós. Que sejam as novas gerações que combatam esta opressão e esta tentativa ridícula de nos silenciar.

The Handmaid's Tale 3x06

Leiam o nosso Frame by Frame anterior de The Handmaid’s Tale aqui.

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Este novo episódio é provavelmente um dos melhores da série até então, com sequências intensas e um argumento sólido. É também um que engloba todas as melhores características da arte televisiva que, encontra aqui, o seu auge.

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