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Designated Survivor – Season Finale – 3ª Temporada

Designated Survivor Season Finale

PODE CONTER SPOILERS DE DESIGNATED SURVIVOR!!!

Designated Survivor. Eis uma série da ABC que começou de uma forma bastante promissora. Afinal, quantas séries por aí é que colocam um homem comum numa posição de poder como o novo Presidente nos Estados Unidos da América num momento de crise? Apesar de ter arrancado com o pé direito, a série depressa começou a perder o seu encanto (além de enfrentar sérios problemas nos bastidores que levou a uma mudança constante de showrunners), e a ABC tomou a decisão de acabar com a série de uma vez por todas. No entanto, e para surpresa de todos, a série acabariam por vir a ser resgata pelas mãos da Netflix. Agora com Neal Baer (que produziu séries como ER, Law & Order: Special Victims Unit ou Under the Dome) como o quinto showrunner da série, será que este resgate deu uma lufada de ar fresco para a série?

A temporada anterior terminou com Tom Kirkman (Kiefer Sutherland) a anunciar a sua candidatura presidencial como independente, fazendo frente ao seu antigo mentor e rival Cornelius Moss (Geoff Pierson). Durante a temporada, Kirkman faz o seu melhor para conjugar os seus deveres para com a campanha eleitoral, sem ignorar os vários problemas que a nação vai enfrentando. Ao mesmo tempo, Hannah Wells (Maggie Q) encontra-se agora a trabalhar para a CIA, com o intuito de investir um possível ataque bioterrorista.

Designated Survivor Season Finale

O MELHOR:

Bem, a terceira temporada de Designated Survivor é decididamente diferente das anteriores.

Normalmente, uma temporada teria por volta de 23 ou 24 episódios, e muitas vezes esse tempo é “gasto” em momentos menos trabalhados e que não servem o seu propósito para a história que pretende transmitir. Felizmente, esta terceira temporada recebeu um corte bem significativo de episódios, passando da duração habitual para uns meros 10 episódios, que englobam toda uma campanha eleitoral desde o primeiro momento de campanha até à eventual noite de eleições.

Trazer Neal Baer como showrunner também trouxe as suas maravilhas para a série. O produtor tem uma certa experiência em misturar o drama pessoal de cada um dos intervenientes com os temas que pretende retrarar. Não só esta vertente aproxima esta temporada com o seu trabalho anterior, mas também aproxima esta série a The West Wing, que, até aos dias de hoje, continua a ser um exemplo de ouro a seguir quando se está a elaborar um drama político.

Designated Survivor Season Finale

A terceira temporada de Designated Survivor traz a maior parte do elenco principal das temporadas, mas também traz consigo algumas caras novas. Eis algumas delas: Mars Harper (Anthony Edwards), o novo Chief of Staff que se mostra bastante eficaz no seu trabalho, apesar de contar com uma vida pessoal bastante complicada, entre a sua amante e a toxicodependência da sua mulher, Lynn (Lauren Holly); Isabel Pardo (Elena Tovar), a Diretora do Departamento da Inovação Social com um caráter forte e bem vincado nos seus valores que defende, além de servir de par romântico com Aaron Shore (Adan Canto); Dontae Evans (Benjamin Watson), um jovem informático que desempenha um papel fulcral na campanha de Kirkman; Lorraine Zimmer (Julie White), a implacável gestora de campanha eleitoral de Kirkman (e dotada de uma linha bastante afiada, dando-nos alguns dos one-liners mais venenosos da série em geral); ou Sasha Booker (Jamie Clayton), a cunhada transsexual de Tom Kirkman.

Seria de esperar que os “novatos” da série teriam um grande problema em comparação com os veteranos da série; no entanto, tivemos a um equilíbrio bastante natural entre as duas camadas diferentes. Um desses casos é o de Lorraine Zimmer que, além de trazer a dita língua afiada, apresenta-se como uma personagem bastante diferente ao que estávamos habituados a ver no meio de tanta gente com uma grande moral; Isabel depressa mostra como uma mulher de armas num mundo ainda bastante dominado pelo parecer dos homens; ou mesmo Sasha, que serve como o comentário da camada transsexual e que ainda hoje tem a sua dose de controvérsia inerente. Isto não implica que o elenco original também não tenha direito a material poderoso para trabalhar, seja como Aaron a aceitar aos poucos a sua herança latina, Emily (Italia Ricci) a lidar com os problemas de saúde da sua mãe, Carrie (Wendy Lyon); ou Seth (Kal Penn) a lidar com uma revelação surpreendente.

Falando em temas, Designated Survivor abordou vários temas de cariz social que ainda hoje tecem o seu impacto no lado de cá dos ecrãs. Questões sobre os direitos da comunidade LGBT+, as políticas anti-imigração, a crise de opióides, casamento de jovens menores de idade, a greve dos professores por melhores condições de ensino, fake news ou mesmo as péssimas condições de vida nos bairros mais desfavorecidos servem de “pão nosso de cada dia” para a temporada. Se se pensava que estes momentos não teriam o impacto desejado, a série atira-nos para algumas sequências reais de pessoais reais que comentam sobre os seus problemas. Portanto, o impacto está lá, em todo o seu esplendor.

E no centro de tudo isto, está Kiefer Sutherland. Mesmo quando a série se encontrava na sua mó de baixo nas temporadas anteriores, o ator era consistentemente o ponto alto da série, mostrando a sua virtude num cenário político nada apto para pessoas nobres. Esta terceira temporada manteve essa mesma consistência, mas esta temporada viu o virtuoso Presidente a abraçar o seu lado mais político, tomando certas atitudes que adicionam uma maior complexidade, apesar de não concordámos lá muito com as mesmas, especialmente partindo do que conhecíamos do personagem nas temporadas anteriores.

Designated Survivor Season Finale

O PIOR:

Apesar das claras melhorias, Designated Survivor ainda continua a não convencer com alguns elementos.

Um deles é a narrativa secundária de Hannah Wells que, após as suas desventuras na temporada (e uma resolução meio manhosa do cliffhanger anterior), abarca numa nova aventura, acoplada com um novo “parceiro do crime”, o Dr. Eli Mays (Chukwudi Iwuji), um biohacker em busca de um cientista que se prepara para lançar um vírus que ataca as minorias raciais. Existe um certo apelo que não deve ser negado, claro, mas fica a ideia de que esta narrativa está muito desligada da trama principal, tendo só criado ramificações perto do final da temporada.

O mesmo se aplica a alguns dramas pessoais, que recaem numa espécie de vertente de “telenovela mexicana”, complementada com twists demasiado exagerados e que deixam um leve travo amargo na boca de muita gente.

Ainda assim, Designated Survivor encontrou uma nova vida na Netflix (e com profanismo pela mistura!), resultando num regresso à boa forma de uma série que já parecia ter perdido o seu rumo. Oxalá Beals se mantenha muito mais tempo do que os seus antecessores, porque os seus esforços trouxeram os seus claros resultados.

Podem ler o nosso Mini-Review anterior de Designated Survivor aqui.

Estado da série: STAND-BY

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Average Rating

Após um resgate pela Netflix, Designated Survivor atinge o seu verdadeiro auge com esta terceira temporada, acoplada de novas entradas fascinantes e temas sociais bem relevantes para os dias de hoje.

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