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Warrior – Season Finale – 1ª Temporada

Warrior Season Finale

PODE CONTER SPOILERS DE WARRIOR!!!

Bruce Lee sempre foi conhecido por ter protagonizado aqueles clássicos filmes de artes marciais durante os anos 60 e uma porção dos anos 70. Lee também ficou conhecido por ter falecido aquando da produção de Enter the Dragon, aos 32 anos de idade. No entanto, o que muita gente pode não saber, é que, anos antes da sua morte, Lee teve uma ideia para uma série. A mesma seguiria um imigrante chinês que chega a São Francisco durante a segunda metade do século XIX. No entanto, as produtoras na altura descartaram a criação da mesma. E isto sem mencionar que algumas dessas ideias viriam dar origem a uma série chamada Kung Fu, que contava com David Carradine como protagonista. Quase 50 anos depois, essa mesma ideia de Bruce Lee testemunharia a luz do dia através de Warrior, a mais recente série da Cinemax – o canal que nos trouxe séries como Strike BackThe Knick ou Outcast – e que conta com Jonathan Tropper (criador da série Banshee, também ela do canal) como criador e showrunner e com a produção de Shannon Lee, filha de Bruce Lee.

A série centra-se em Ah Sahm (Andrew Koji), um chinês com ascendência americana que chega a São Francisco na segunda metade do século XIX com o intuito de encontrar a sua irmã há muito perdida. No entanto, o que poderia ser uma simples missão acaba por colocar Ah Sahm numa rota de colisão com uma guerra entre Tongs, uma força policial e política sem escrúpulos e o racismo.

Warrior Season Finale

O MELHOR:

Warrior mostra todos aqueles elementos a que nos habituámos numa série da Cinemax, mas vai mais longe.

Houve uma altura em que o canal foi responsável pelas melhores séries de ação da era moderna (Strike Back era um dos favoritos do meu pai), e Warrior não é exceção a esses elementos já clássicos para uma audiência já madura. Cenas de combate bem coreografadas e viscerais? Warrior tem esse tipo de cenas. Personagens a soltarem palavrões quase que por tudo e por nada? A série tem disso. Cenas de sexo quase gratuitas? Podem crer que a série possui essas!

No entanto, apesar destes elementos já habituais da indústria televisiva, Warrior consegue ser algo mais, algo diferente, começando logo com o elenco predominantemente asiático. Este série podia muito bem ter sido mudada para um elenco quase consistido por atores de pele branca, daí de a aposta num elenco diversificado somar pontos mais sociais. Uma tática aqui usada na série consiste em ver os personagens asiáticos a interagirem entre eles com um inglês perfeito, enquanto interagem com outros personagens ocidentais ou no chinês clássico ou num claro inglês com sotaque ou erros de sintaxe.

Warrior Season Finale

No entanto, existe um claro sentido de que, lá por termos direito a um elenco diversificado (e um que consegue arrancar algumas surpresas pelo caminho), não estamos perante uma história filosófica ou com tons mais leves. Nem por sombras; Warrior abraça o seu lado mais negro e mais racista. E podemos ver isso na forma como os chineses são tratados, especialmente às mãos das autoridades que não apresentam qualquer tipo de mercê (há uma cena em que Ah Sahm acaba preso só porque é conveniente numa questão de relações-públicas) ou de uma população ocidental que trata esta camada da sociedade “abaixo de cão”. É uma situação que não deixará ninguém indiferente, especialmente considerando os paralelos assustadores que este tipo de tratamento traçam com as leis anti-imigração na atualidade.

Outro grande problema residia na forma como o papel feminino estaria presente na série. E felizmente, esta primeira temporada de Warrior acaba por triunfar pela positiva em, pelo menos, três instâncias. Uma delas é Mai Ling (Dianne Doan), a irmã de Ah Sahm que se revela numa posição de poder dentro de uma das Tongs em conflito. Apesar de ter uma relação complicada com o protagonista, esta não tem receio dessas repercussões, continuando a exibir-se como uma líder que não deve ser subestimada. Outra é Ah Toy (Olivia Cheng), dona de um bordel em São Francisco que, ocasionalmente, serve de justiceira em algumas ocasiões. A sua presença consegue ser enigmática, mas esta também possui o seu conjunto de valores e luta com garra para mantê-los bem firmes (numa cena, esta protege uma das suas novas aquisições por ser ainda virgem). Já Penelope Blake (Joanna Vanderham) pode não ser tão triunfante quando comparada com as duas mulheres anteriores, mas ainda mostra a sua garra numa sociedade completamente dominada pelos desejos dos homens, ao ponto de se embrenhar dentro da cultura chinesa em São Francisco e sair praticamente ilesa.

Uma menção honrosa para o quinto episódio da temporada, The Blood and the Sh*t, que vê Ah Sahm e Young Jun (Jason Tobin) num verdadeiro episódio saído do Velho Oeste e que acaba por oferecer algo completamente único na sua execução, apesar de ser, para todos os efeitos, um bottle episode, e todos sabemos que este tipo de episódio tanto correm bem como correm mal.

Warrior Season Finale

O PIOR:

Não há muito por apontar de negativo sobre Warrior, mas existem algumas falhas que podem ser melhoradas.

Um desses casos está na interpretação dos irlandeses presentes, que se apresentam mais como verdadeiros estereótipos (bêbados e violentos) do que personagens verdadeiramente complexas. Aliás, aparte de alguns atores ocidentais, a maior parte apresenta-se como unidimensional, sem qualquer tipo de desenvolvimento para mostrar e apreciar.

Sendo uma série da Cinemax, a violência e o discurso gratuitamente obsceno são imagem de marca, mas não deixam de estar a mais neste caso, como se tivessem de estar obrigatoriamente incluídos.

Mas fora isso, Warrior é uma daquelas séries de ação que certamente passou debaixo do radar. É uma pena, visto que este é um dos legados que Bruce Lee nos deixou para as próximas gerações e, apesar das falhas, ainda tem potencial para ter uma longa continuidade.

A série já foi renovada para a sua segunda temporada.

Podem ler outras Mini-Reviews aqui.

Estado da série: RENOVADA

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A Cinemax regressa ao género de ação com Warrior, uma série que funciona tanto como um reflexo da sociedade anti-imigração moderna como uma letra de amor para o ícone das artes marciais que é Bruce Lee.

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