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Crítica: High Life (2018)

High Life Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE HIGH LIFE!

Um pai e a sua filha estão a viver numa nave espacial num lado remoto do universo. O que se passou para ficarem ali? Um estranho programa decide lançar reclusos para o espaço (de ambos os sexos) para saber se é possível a reprodução humana estando à deriva pelo universo.

High Life é um filme difícil de digerir. É um filme que, dentro da sua complexidade, tem algumas componentes belas e outras não tão bem conseguidas. A realização de Claire Denis e a prestação magnífica de Robert Pattinson arrancam provavelmente as melhores características que tornam High Life num drama humano envolto numa componente simples de ficção científica. Este é um filme que, para já, não irá agradar a um público vasto. É demasiado lento e algo aleatório na apresentação da sua premissa. É belo, sim, mas não prima por uma coerência lógica.

High Life Critica de Cinema

Há aqui inúmeros fatores que correram bem, outros que nem tanto. À medida que avançamos na história e ficamos a saber o que se passou nesta nave, eventos bizarros desenvolvem-se dentro da comunidade. O mote é simples: estes reclusos foram utilizados para um propósito direto, mas conjugação dos mesmos não é executada da melhor maneira. Isto porque as personagens não são contextualizadas dentro da narrativa. Seria interessante termos uma base que nos faça entender os seus comportamentos ao longo do filme, mas somos “atirados” um pouco para o desconhecido (o que pode surgir como um paralelismo interessante com o desconhecido do espaço). O elenco é talentoso, já que reconhecemos algumas das caras como Juliette Binoche, Mia Goth ou André Benjamin, mas as suas personagens carecem de background, fazendo com que o espectador não crie empatia com elas nem com a história.

Assim que High Life se começa a focar no seu protagonista, o cenário muda e a narrativa ganha um pouco mais de força. É claro que há momentos visuais interessantes ao longo do caminho a envolver os intervenientes secundários, mas como sabemos do desfecho de todos, torna-se pouco consistente ou relevante. Robert Pattinson está numa rampa de lançamento, melhorando cada vez mais nas suas escolhas performativas, não só para limpar o seu nome da associação com a saga adolescente Twilight, mas assume-se também como um ator multifacetado e empenhado a crescer no cinema independente.

High Life Critica de Cinema

Em termos técnicos, High Life peca pelo seu reduzido orçamento, mas a câmara de Denis vai criando momentos de uma beleza inigualável, serpenteando calmamente e deixando-nos apreciar as sequências sem pressa. É também no jogo de cores e na exposição visual da sensualidade (e sexualidade) que ele se torna evidente como se se tratasse de uma imagem de marca que a realizadora pretende reforçar. Mas é pena que o seu argumento não torne as personagens apelativas ao espectador. Ficamos a saber pouquíssimo sobre elas e do que as trouxe ao local, não conseguimos perceber os seus comportamentos e atitudes, nem tecer propriamente uma opinião sobre algumas ações erráticas. Sabemos apenas que são reclusos temperamentais e com tendências violentas, mas mais do que isso, nada.

Portanto, High Life é uma obra estranha e divisória que, tanto tem de bom, como de menos bom. É um filme que não consegue sustentar-se porque não consegue agarrar o público, mas que não deixa de aproveitar o seu conceito para ser artístico à sua maneira. Por vezes a imagem fala mais alto e High Life aproveita esse conceito e sobrepõe ao guião. Daí “digerir” uma película tão aleatória por vezes torna-se cansativo.

High Life Critica de Cinema

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Título: High Life

Título Original: High Life

Realização: Claire Denis

Elenco: Robert Pattinson, Juliette Binoche, Mia Goth, André Benjamin.

Duração: 113 min.

Trailer | High Life

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