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Chernobyl – Series Finale – 1ª Temporada

Chernobyl Series Finale

CONTÉM SPOILERS DE CHERNOBYL!

26 de abril de 1986. Uma data que o mundo certamente se recorda devido a uma das maiores tragédias da humanidade da História. A central nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, explodiu devido a uma suposta avaria num dos reatores. Valery Legasov, Boris Shcherbina e Ulana Khomyuk procuram freneticamente por uma solução para evitar que a radioatividade se propague, ao mesmo tempo que tentam descobrir a verdade por detrás deste incidente.

Chernobyl é uma mini-série extremamente forte, densa, dura e provavelmente um dos melhores exercícios do ano. Depois de um atribulado e controverso final de Game of Thrones, Chernobyl tornou-se a nova sensação na internet, voltando a trazer a HBO às bocas do mundo. A sua narrativa é embelezada com uma produção competente, visuais invejáveis, um elenco formidável e uma realização que capta minuto a minuto os momentos mais tensos desta história.

Chernobyl Series Finale

Há também um trabalho exímio do criador Craig Mazin em explorar a realidade que afetou esta tragédia, respeitando a cronologia de eventos, descrevendo os horrores que surgiram como consequência do impacto da radioatividade na população e nos responsáveis pela eliminação de destroços perigosos, e ainda se infiltra na dimensão política que esteve envolta nesta catástrofe. É um trabalho que deu claramente frutos e a adesão em massa do público (e, por conseguinte, o seu apreço pela mini-série) prova que a curiosidade em desvendar eventos misteriosos pode andar de mãos dadas com a arte.

O MELHOR:

Praticamente tudo.

Chernobyl é um exercício extremamente detalhado, seja na construção de diálogos, desenvolvimento de personagens ou até mesmo na recriação de sequências visuais. É também uma viagem empolgante, ao mesmo tempo que é desconfortável, pelas consequências morais e sociais que este evento desencadeou. Portanto, a dimensão de Chernobyl tornou-se um desafio que Craig Mazin conseguiu estratificar de forma brilhante.

Chernobyl Series Finale

Se, por um lado, a densidade de informação pode afastar alguns espectadores, por outro, é através das decisões morais e desconcertantes que advêm da sua narrativa e na sua exposição visual que estes mesmos espectadores acabam por se render automaticamente a Chernobyl. Há toda uma panóplia de eventos e a montagem desta produção da HBO consegue absorver todos os aspetos mais importantes da história tornando a experiência ainda mais impactante.

O elenco, liderado pelos geniais Jared Harris, Stellan Skarsgård, Emily Watson e Jessie Buckley, é absolutamente maravilhoso. Pouco ou nada há a condená-los pelos registos que mantêm do início ao fim dos episódios. É também por não cair em clichés que Chernobyl prima. As personagens não entram numa necessidade de fugirem aos factos dos quais foram inspiradas e isso permite que o seu desenvolvimento permaneça numa linha equilibrada. A personagem de Watson, Ulana Khomyuk, foi criada como uma homenagem ao proletariado da central nuclear de Chernobyl e uma versão simbólica da luta pelo desvendar dos mistérios políticos que assombraram a catástrofe. Foi uma jogada bonita de Mazin, para além de enriquecer a narrativa com uma voz que puxa pelo fator humano dentro de toda uma argumentação científica e política dominante.

Chernobyl Series Finale

É também por incluir algumas abordagens das vítimas que Chernobyl se eleva a um patamar de excelência. Aqui somos confrontados com os efeitos malignos da radiação de forma chocante e vemos as consequências psicológicas (e tantas outras físicas) que todo um evento desta dimensão pode provocar na população. Além disto, Mazin não deixa escapar outra realidade entristecida da catástrofe: a matança em massa de animais contaminados. São momentos mesmo poderosos, capazes de nos puxar a lágrima e fazer-nos roer as unhas. E nada disto não teria o impacto que teve se não tivesse a realização soberba de Johan Renck.

Mas Chernobyl é toda uma mistura densa e completa, não apenas do evento assim, mas de tudo o que surge como consequência dele e é aqui que encontra o seu conforto: uma simbiose entre imagens, histórias e factos. A banda sonora é simples e confere à imagem um toque de mistério e uma estranha sensação de desconforto, adequando-se perfeitamente à génese intensa de Chernobyl.

Chernobyl Series Finale

Com todos os elementos necessários para se afirmar como uma das melhores produções televisivas até à data, Chernobyl rompe clichés e condensa a sua narrativa, evitando a “tragédia” de cair em melodramas ou a criação de variadas mudanças na apresentação dos factos que retrata. Isto é uma proeza única e memorável.

O PIOR:

Nada de grave foi apresentado.

Os defeitos que possam ser detetados aqui ou acolá (a qualquer nível) não prejudicam, em nada, o fluxo de história ou do que foi mencionado anteriormente.

Estado da Série: TERMINADA

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98%
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Chernobyl é uma produção magnífica de um conto de horror, envolto em ciência e política. É também um excelente trabalho de argumento, realização e desempenho performativo. Portanto, é caso para dizer que estamos perante um dos melhores exercícios de televisão do ano.

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