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Crítica: Game of Thrones: The Last Watch (2019)

Game of Thrones The Last Watch Crítica de Cinema

A série mais popular do mundo terminou há pouco mais de uma semana. Foi uma montanha-russa de emoções extremamente controversa e divisiva. Fãs de todo o mundo queixaram-se, outros regozijaram-se com o resultado, mas todos tiveram a oportunidade de se despedir da série que irá ser, pelo bem ou pelo mal, a mais icónica da televisão. Mas não são apenas os fãs que “sofrem” mais com os resultados, mas sim as pessoas que trazem este universo tão rico da mente de George R.R. Martin, David Benioff e D.B. Weiss para os nossos ecrãs. Atrás de tudo o que vemos nos televisores, há uma equipa que é incansável em tornar Jon Snow, Daenerys Targaryen, Arya Stark e companhia em memórias permanentes nas nossas vidas.

Game of Thrones The Last Watch Crítica de Cinema

Game of Thrones: The Last Watch acompanha as façanhas mais surpreendentes da construção dos episódios e insere-nos no dia-a-dia de figurantes, maquilhadores, produtores e realizadores que contribuíram para a 8ª temporada da série, sendo que foi a sua última. A verdade é que, quer se ame ou se odeie Game of Thrones pelas opções argumentativas dos seus criadores, ninguém pode questionar a magnitude cénica ou os feitos mais surpreendentes em termos técnicos que a série trouxe nesta temporada. Desde a cansativa Batalha de Winterfell (episódio The Long Night), ou a destruição maciça de The Bells, Game of Thrones é uma série visualmente extraordinária, com uma realização competente e profissional. A escala foi aumentando de temporada em temporada, sendo que as exigências de filmagem tornaram-se cada vez maiores.

Apesar de não ser propriamente um documentário muito emotivo (talvez uma retrospetiva assentasse melhor no formato, puxando a nostalgia do começo e contrastando com os avanços do elenco, figurantes e equipa para a temporada final. Afinal de contas é através da maturação que o impacto acaba por ser maior), a realizadora Jeanie Finlay acabou por tomar certas opções que não irão tornar o seu trabalho memorável. É óbvio que vermos os atores despedirem-se das personagens e membros que os acompanharam durante todos estes anos desperta um certo sentimento, mas não é suficiente para nos arrancar uma lágrima. Um caso em particular deste documentário que, de facto, se tornou interessante foi acompanhar o ator (e figurante) Vladimir Furdik, que viveu Night King nesta temporada final (e noutras). Com quilos de maquilhagem em cima, Vladimir viveu na sombra da sua personagem durante anos, irreconhecível para os fãs. Aqui, em The Last Watch, tem a oportunidade de sair das sombras e mostrar as dificuldades que foi assumir um papel tão importante numa história e, no entanto, ser tão pouco reconhecido no meio artístico popular.

Game of Thrones The Last Watch Crítica de Cinema

Mas a verdade é que os making ofs a que tivemos acesso, assim que os episódios eram lançados semanalmente, acabavam por ser ainda mais interessantes em explorar as dificuldades de filmagem dos mesmos, do que este documentário. Jeanie Finlay procurou contar histórias simples dentro da equipa técnica e registar o peso do seu contributo para a construção da temporada final que, em termos técnicos, poderá ter sido a mais exigente. No entanto, sente-se que apenas roçou a superfície destas proezas. Game of Thrones foi uma das séries mais icónicas da televisão e merecia uma homenagem bem mais longa e emocional do que a que foi apresentada nestas duas horas de documentário.

Ainda assim, a sua mensagem é clara: que todos os envolvidos merecem o mérito que nunca tiveram porque os espectadores não os observam no ecrã. Estar atrás das câmaras (ou mesmo em frente num curto espaço de tempo) é tanto ou mais relevante como estar-se à frente delas. Sem o seu contributo, a temporada final de Game of Thrones não teria a magnitude que tem, nem o impacto que causou a milhões de fãs por todo o mundo. Desde Andrew McClay (cujo entusiasmo foi recompensado com várias aparições pequenas em várias temporadas), passando pelos maneirismos e “pancas” artísticas de David Nutter, aos problemáticos horários da equipa de maquilhagem, até à senhora que vende tostas numa roulotte à numerosa equipa, The Last Watch é o último contacto que teremos desta tão épica e tão difícil série de televisão.

Pode não ser a despedida mais sentida, mas cumpre alguns propósitos, ainda que as exigências emocionais fossem elevadas. Portanto, mesmo não sendo extraordinário (nem perto disso), Game of Thrones: The Last Watch é um documentário que age como um apêndice agradável que ilustra uma equipa trabalhadora e dedicada em quebrar a escala televisiva e em dar aos fãs da sua série todo o seu melhor para que os cenários e as personagens estejam gravadas, para sempre, na nossa memória.

Game of Thrones The Last Watch Crítica de Cinema

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Título: Guerra dos Tronos: O Último Turno

Título Original: Game of Thrones: The Last Watch

Realização: Jeanie Finlay

Duração: 113 min.

Trailer | Game of Thrones: The Last Watch

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