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Crítica: John Wick (2014)

John Wick Crítica de Cinema

À data da escrita desta crítica, existem fortíssimas possibilidades de já terem ido ver John Wick: Chapter 3 – Parabellum às salas de cinema, e isto sem mencionar a questão de terem lido a nossa opinião sobre a terceira entrada no franchise (uma vez que se soube, bastante recentemente, que teremos direito a um quarto capítulo já em 2021 e uma série televisiva também). Portanto, julgámos que era mais do que tempo para revisitarmos o filme que começou esta febre única que é John Wick.

Keanu Reeves é o personagem titular do filme. Um ex-assassino profissional que conseguiu escapar da vida de carnificina por amor à sua mulher. No entanto, eventos da vida fazem com que ela perca a sua vida e John ganhe uma cachorrinha adorável para o ajudar a fazer o luto. Tudo parecia estar bem orientado para John, exceto o momento em que a sua casa é invadida por criminoso, o seu carro vintage roubado e, para piorar a situação, acabam por matar a cachorrinha. Esta mistura de eventos foram o necessário para levar John a retomar a sua antiga profissão com uma sede de vingança sem paralelo e que promete pintar a cidade de Nova Iorque de vermelho.

John Wick Crítica de Cinema

Para vos ser francamente honesto, jamais esperava que John Wick se tornasse num clássico instantâneo do género de ação. Tinha a vaga sensação que este filme tinha as dimensões de um filme de série B, onde algumas caras conhecidas da indústria cinematográfica aparecia no filme somente pelo cheque fácil no final das filmagens, e uma grande porção dessa sensação pode ser encontrada tanto na narrativa do filme, que funciona praticamente como um trajeto de A a B, com direito a algumas paragens pelo meio, ou performances que recaem no cheesy bastante facilitado.

No entanto, são esses mesmos elementos que tornam John Wick num “diamante bruto” no género de ação moderno, em que as sequências over-the-top e imensos cortes e transições de filmagens são quase obrigatório. Por isso, o filme toma uma abordagem mais old-school, e acaba por tirar benefício. Um bom exemplo disso mesmo são as próprias cenas de ação, que mostram um claro cuidado na sua execução. Fica mais do que claro nas mesmas que uma boa porção de tempo foi investida nesse mesmo campo e, acoplada com o jogo de luzes, espaços cénicos e uma fotografia invejável, chegamos à conclusão que este filme está numa classe praticamente isolada.

John Wick Crítica de Cinema

A narrativa, embora simples e direta, também ajuda a construir o mundo de John Wick, mostrando-nos um lado inédito do mundo dos assassinos. E grande parte dessa mitologia reside no The Continental, um hotel/clube exclusivo para assassinos e que possui as suas próprias regras e valores de conduta. Num filme que pode ser simplesmente classificado como um revenge flick, a adição deste elemento acaba por dar um toque distinto ao filme, toque esse que acabaria por desempenhar um papel mais fulcral nas sequelas que viriam a seguir e, muito provavelmente, na série que chegará em breve.

O elenco pode estar repleto de nomes bem reconhecidos da indústria, tais como o falecido Michael Nyqvist, Alfie AllenWillem DafoeIan McShaneLance Reddick, entre outros, mas é Keanu Reeves que rouba todas as nossas atenções. Apesar de já estar na casa dos 50 anos na altura da filmagem do filme, Reeves mostra-se mais do que à vontade para executar as suas próprias cenas de ação (e acreditem, ele tem bastante jeito!). Mesmo a níveis performativos, John Wick pode muito bem tornar-se em mais um dos personagens mais icónicos para o ator. Apesar de ter poucas palavras durante o decorrer do filme, Reeves permite que o seu corpo e expressões faciais façam o trabalho pesado. Mas quando este demonstra as suas emoções, não há ninguém no filme que lhe consiga fazer frente.

Em suma, John Wick tinha uma aparência quase que garantida, através da sua simplicidade narrativa. No entanto, acaba por ser um tesouro oculto graças à mitologia presenteada, cenas de ação de alto calibre e um “renascer” para Keanu Reeves. Não é à toa que este “filme de série B” tenha dado origem a um estatuto de culto e sequelas atrás de sequelas!

Podem ler as nossas críticas a John Wick: Chapter 2 aqui e John Wick: Chapter 3 – Parabellum aqui.

Título: John Wick
Realizadores
: Chad Stahelski e David Leitch
Elenco: Keanu Reeves, Michael Nyqvist, Alfie Allen, Willem Dafoe, Ian McShane, Lance Reddick, Bridget Moynahan, John Leguizamo, Adrianne Palicki, Dean Winters
Duração: 101 minutos

Trailer | John Wick

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