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Catch-22 – Series Finale – 1ª Temporada

PODE CONTER SPOILERS DE CATCH-22!!!

Se tivéssemos de eleger a nossa própria lista de séries mais aguardadas de 2019, uma das escolhas iria recair sobre Catch-22, por três boas razões: 1) foi criada pela Hulu, que já conta com algumas das séries mais aclamadas pela crítica e pelos fãs; 2) é a adaptação televisiva do romance do mesmo nome do escritor Joseph Heller (e que também já fora adaptada para o grande ecrã em 1970); e 3) marca o há muito aguardado regresso de George Clooney ao grande ecrã (e aqui ele realiza, produz e ainda aparece no elenco). Três boas razões que não permitem que esta mini-série passe ao lado de muita gente.

Esta nova adaptação segue John “YoYo” Yossarian (Christopher Abbott), um bombardeiro da Força Aérea norte-americana em plena Segunda Guerra Mundial que se encontra esgotado de tanta carnificina e só deseja cumprir as suas missões e voltar para casa. No entanto, esta sua missão fica mais complicada quando lhe continuam a aumentar as missões, colocando em risco a sua sanidade num mundo virado do avesso.

Catch-22 Series Finale

O MELHOR:

Catch-22 é uma das séries do ano que não vão querer passar ao lado.

Em termos técnicos, Catch-22 revela-se como uma verdadeira viagem no tempo. Seja em que termos estivermos a pensar, desde o guarda-roupa fidedigno ao espaço cénico italiano em plena década de 40, até mesmo a banda-sonora que nos atira com alguns dos clássicos da época… Nota-se num carinho bastante evidente não só para o material de origem, mas também para a época de se propõe a transpor.

No entanto, o que irá ressaltar nesta mini-série será, certamente, a sua narrativa. Seis horas pode não ser tempo suficiente para desenvolver algumas das personagens ou histórias que tem para contar, mas esta duração consegue capturar o que é, para todos os efeitos e circunstâncias, uma comédia negra com bastante toques de drama. Com imensos filmes e séries deste género bélico a justificarem o teatro de guerra – e que muitas vezes se justifica como “nós somos os bons da fita, os outros são os maus” – Catch-22 captura aquele lado mais burocrático e ridículo que jamais poderíamos esperar de um cenário urgente como este. Yossarian e os restantes bombardeiros da Força Aérea sofrem nas mãos de homens de poder que procuram mais abusar desse mesmo poder ou de manter o estatuto que possuem do que ganhar a guerra propriamente dita. Isto envolve homens de poder como o Coronel Cathcart (Kyle Chandler), que tem um deleite de aumentar o número de missões e de manter a boa imagem da Força Aérea (por exemplo, quem, no seu perfeito juízo, dá uma medalha a um bombardeiro por uma missão que correu bastante mal?), o Major de Coverley (Hugh Laurie), que se preocupa mais em ocupar as maiores cidades italianas e expandir a sua cultura gastronómica, o General Scheisskopf (Clooney), que se preocupa mais pela aparência dos soldados do que nas suas capacidades. E isto sem descurar alguns dos próprios bombardeiros, que incluem Milo Minderbinder (Daniel David Stewart), que constrói um sindicato de comércio livre através das suas funções como cozinheiro ou mesmo um personagem chamado Major Major Major (Lewis Pullman) que acaba por ser promovido a, como já deverão saber, Major, entre outros tantos exemplos. Catch-22 captura o lado mais ridículo da burocracia bélica e de algumas das razões mais estapafúrdias que jamais esperaríamos de uma série que se passa durante a Segunda Guerra Mundial. (E isto sem mencionar o ridículo do titular Artigo 22, que implica o seguinte: pode-se pedir para ser retirado das forças armadas se se for considerado insano. Mas se se admitir a sua própria insanidade, isso já envolve um pensamento racional; logo, não é insano e pode continuar nas forças armadas).

Catch-22 Series Finale

Todas estas loucuras burocráticas e bélicas de nada serviriam se não tivéssemos um elo de ligação competente na sua missão, e é para isso mesmo que temos Christopher Abbott que, após anos em papéis mais secundários, tem aqui uma oportunidade de ouro como protagonista desta história, acabando por ser uma das performances mais sólidas da mini-série. Acompanhamos a viagem de Yossarian que tenta manter-se vivo num mundo repleto de loucura e que não hesita mandá-lo para uma morte certa. Existe um certo nível de humor para ser encontrado em Yossarian, uma vez que as suas reações incrédulas ao que se passa à sua volta é, praticamente, a nossa reação. No entanto, o personagem também reage aos horrores de guerra, o que acaba por ser uma reação que também ganhamos no processo. Em suma, Christopher Abbott chegou para ficar e Catch-22 mostra as suas capacidades em pleno.

Catch-22 Series Finale

O PIOR:

Não há muito para registar no que toca a Catch-22, mas a mini-série tem alguns defeitos que podem – e devem – ser apontados.

Podemos contar com o protagonismo de Yossarian e de alguns membros da Força Aérea, mas nem tudo funciona como deve ser. Alguns dos bombardeiros recebem um certo tempo de antena, mas a atenção que lhes é dada não chega para serem considerados personagens sólidas. E mesmo essas mesmas performances não conseguem ser mais tridimensionais do que as de Abbott.

De resto, Catch-22 consegue ser uma nova entrada na biblioteca da Hulu, dando-nos um olhar diferente ao teatro de guerra a que estamos habituados. Colocando o ridículo da burocracia como destaque, esta é uma série que não irão querer perder.

Apesar do final ambíguo, considerem esta mini-série concluída e sem possibilidade de renovação, a menos que o serviço de streaming dê o passo atrás e transforme-a numa série antológica. Quem sabe?

Podem ler outras Mini-Reviews aqui.

Estado da série: TERMINADA

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Average Rating

Catch-22 explora um lado raramente explorado em séries e filmes passados durante a Segunda Guerra Mundial, casando a comédia negra com o drama poderoso na sua reta final.

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