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The 100 – 6×03 – The Children of Gabriel

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CONTÉM SPOILERS DE THE 100!

Os nossos heróis ficam a conhecer os habitantes de Sanctum e procuram encontrar um acordo diplomático (uma espécie de tréguas) para a violência seja contida entre ambos. Ao aterrarem na nave de apoio, Madi, Dyoza e Gaia são atacadas por um estranho grupo de indivíduos que parece ter sido forçado a viver fora do “paraíso” idílico ocupado pelos seus conterrâneos que se autointitulam de Primes. Murphy continua com uma atitude defensiva após ter escapado da morte, enquanto que Bellamy é forçado a tomar uma decisão drástica relativamente à sua irmã, Octavia.

The 100 é, de facto, uma série criativa. O argumento é intrigante e repleto de novos enredos que continuam a enriquecer a sua estrutura e fluxo. É também um trunfo que a The CW sabe usar de forma competente, ao permitir que a série tenha uma taxa de violência bem mais acima do que o normal das restantes séries que produz. Os dilemas morais ambíguos e difíceis, a estratégia ponderada em assegurar que, mesmo circunstâncias inseguras e frágeis, a sobrevivência da humanidade continua a ser uma prioridade, tornam esta série numa adorável peça artística.

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The Children of Gabriel é um episódio repleto de informação, tanto que condensá-la em 40 e poucos minutos priva-nos de tirar um proveito ainda maior das suas capacidades. Embora o episódio, em si, seja extremamente forte em revelar este novo mundo que os nossos heróis invadiram, a pressa com que os eventos se desenrolam fazem-no perder um pouco de impacto e garra. É caso para dizer, em termos mais informais, que The 100 merecia um orçamento digno de uma HBO, SHOWTIME, Hulu ou até mesmo Netflix. Aumentar um pouco a duração episódica para que os atores consigam trabalhar ainda melhor as suas prestações que, devido à montagem rápida, ficam-se apenas pelo medíocre.

Mas, já que nada se pode fazer em relação a isso, vamos falar um pouco do que aconteceu nesta mais recente entrada no rico universo de The 100. De uma forma positiva, o worldbuilding deste episódio trouxe à tona algumas desconfianças em torno dos habitantes de Sanctum, estejam eles dentro ou fora do círculo de radiação que os separa. É bastante intrigante e deixa-nos cada vez mais curiosos para conhecermos um pouco destes inimigos que, para além de uma drástica mudança de idealismos, também possuem um definitivo contraste entre riqueza e pobreza. Estaremos perante uma espécie de civilização opressora face a uma rebelião? Certamente que a série não irá desiludir ao explorar gradualmente as origens destas divergências entre os povos de Sanctum.

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The 100 — “The Children of Gabriel” — Image Number: HU603b_0124b.jpg — Pictured: Marie Avgeropoulos as Octavia — Photo: Diyah Pera/The CW — © 2019 The CW Network, LLC. All rights reserved.

Uma questão menos positiva é a forma como estão a trabalhar algumas das personagens, especialmente com Murphy e Raven. Murphy sempre foi uma personagem complicada, mas o seu arco estava cada vez mais progressivo em tratá-lo com a humanidade que, de alguma forma, sempre a mereceu. Esta atitude azeda é já um pouco aborrecida porque sentimos que a personagem de Richard Harmon está a regredir. Já está cá há tempo suficiente para saber que nenhuma decisão é fácil em prol da sobrevivência e a líder Clarke teve de tomar muitas para salvar todos eles, mesmo que tivesse que sacrificar de algo ou alguém que o obter. Um bocadinho de gratidão, se faz favor.

Já com Raven (e Lindsey Morgan é um dos danos colaterais dos episódios apressados e já explico mais à frente o porquê), que sempre foi uma pessoa sensata e fiel aos seus valores, parece ter tomado uma posição rancorosa que nunca lhe pertenceu. E, mais uma vez, começa a ser um pouco incomodativo que a equipa de argumentistas tenha que forçar a criação de pequenos enredos melodramáticos entre personagens desnecessários e que pouco se coadunam à génese primária das mesmas. Lindsey Morgan foi sempre uma das prestações mais competentes da série e já houve momentos em que a assumia como a melhor atriz da série pelas exigências emocionais da sua personagem. Agora, vê-se cada vez mais baça e sem vida, claramente vítima do tempo de antena reduzido e da rapidez com que os seus momentos correm (e, como se já não bastasse, a sua nova atitude infantil).

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Também Octavia parece estar a ter dificuldades em evoluir e precisa urgentemente de encontrar um rumo ou os seus fãs irão começar a saturar de tanta mágoa e rancor. Já começa a parecer artificial… mas pelo menos, grande parte da ação física provém dela, portanto, ainda vamos torcendo para que ela continue badass.

As novas personagens são também elas bastante interessantes, com claro destaque para JR Bourne que representa o líder de Sanctum. Ainda que pouco se saiba sobre a sua misteriosa personagem, pelo menos The 100 está a trabalhar maravilhosamente a narração onde este se insere.

Portanto, The 100 está a crescer a um bom ritmo argumentativamente, mas a realização deveria apostar em deixar o público saborear um pouco mais os momentos e as prestações que estão a perder força devido à rapidez e a The CW deveria pensar seriamente em alargar ligeiramente a duração dos episódios para que não estejamos sempre a correr com a exposição da informação.

Leiam o nosso Frame by Frame anterior de The 100 aqui.

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Embora este episódio de The 100 tenha tido informação muito interessante sobre os desenvolvimentos que rodeiam o seu novo mistério, condensa demasiada em pouco tempo levando a uma perda de impacto nos momentos.

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