Cinema Críticas

Crítica: How to Train Your Dragon: The Hidden World (2019)

How to Train Your Dragon: The Hidden World Crítica de Cinema

Quando nos perguntam “qual produtora é que possui o domínio da área do cinema animado?”, a resposta que nos surge na ponta da língua é a Disney. Sim, esta mega-empresa tem os seus méritos, mas a DreamWorks Animation aparece logo em segundo lugar. Claro que nem todos os seus filmes foram exatamente sucessos de bilheteira ou da crítica em geral, mas estamos a falar de uma produtora que já nos deu sagas vencedoras tanto para miúdos para graúdos. Estamos a falar de sagas como Shrek ou Kung Fu Panda, só para nomear alguns, que foram encontrando sucesso na veia cinematográfica e mais além, também. Outra dessas sagas multi-milionárias é How to Train Your Dragona adaptação dos livros de Cressida Cowell, que acompanha a relação adorável entre Hiccup (Jay Baruchel) e o adorável Fúria da Noite conhecido como Toothless (Desdentado). E foi neste ano que a saga chegou à sua conclusão com este How to Train Your Dragon: The Hidden World.

Passaram-se alguns anos após os eventos decorridos no segundo filme. Hiccup e os seus amigos tornaram-se em verdadeiros cavaleiros de dragões, libertando cada vez mais criaturas que a pequena ilha de Berk pode albergar. Esta atitude altruísta captura a atenção de Grimmel (F. Murray Abraham), um lendário caçador de dragões obcecado em matar todos os Fúrias da Noite que encontrar. Sem qualquer alternativa, Hiccup embarca numa odisseia até ao fim do mundo em busca do “Mundo Secreto”, tido como o lar de origem de todos os dragões.

How to Train Your Dragon: The Hidden World Crítica de Cinema

Um dos grandes apelos de How to Train Your Dragon reside no trajeto pessoal que Hiccup, o viking minúsculo sem uma onça de violência na medula, testemunha. No primeiro filme, o seu fatídico encontro com Toothless – e a ligação profunda que estes dois seres de mundos diferentes estabelecem – ajuda-o a encontrar a sua própria voz numa povoação com ideias retrógradas; no segundo, este começa a assumir um papel mais à base da liderança como o sucessor do seu pai, Stoic (Gerard Butler), cargo esse que nunca quis ter, mas que se revelou como natural. Portanto, seria de esperar que este filme solidificasse o seu papel como líder de Berk e as responsabilidades – e sacrifícios – que esse posto implica. Esta simples narrativa vai de encontro com as típicas fórmulas do género coming-of-age, e Hiccup acaba por ser o alvo das maiores evoluções ao longo dos três filmes, traduzindo também a performance vocal de Jay Baruchel que se assume mais segura, apesar de algumas incertezas colocadas à sua frente.

Outro elemento sólido dos filmes reside no elo criado entre Hiccup e Toothless, que agora recebe o desafio com o aparecimento da Fúria da Luz, o interesse romântico que o adorável dragão negro há muito precisava. Este revela-se também como um arco de grande significado para o dragão, que se encontra dividido entre a sua “lealdade” para com Hiccup e o seu desejo de abraçar o seu lado mais animal. As cenas compartilhadas entre os dois dragões conseguem ser bastante eficazes graças à comunicação corporal e facial de ambos, com Toothless a atuar como um gato domesticado (e com danças de acasalamento adoráveis e ridículas) e a sua cara-metade a mostrar um lado mais selvagem, intocada pelo mão humana.

How to Train Your Dragon The Hidden World Crítica de Cinema

No que toca a antagonistas, a saga tem deixado um bocado a desejar, muito por causa das suas motivações já bastante genéricas. Grimmel pode assentar nessa mesma categoria, uma vez que se preocupa mais com caçar dragões. No entanto, o que o separa dos outros reside na sua ligação com Hiccup, revelando-se como o que o jovem líder de Berk poderia ter-se tornado caso tivesse tomado uma postura diferente ao que tomou no primeiro filme. Também ajuda que F. Murray Abraham tenha uma presença vocal bastante assustadora.

Infelizmente, nem tudo funciona com How to Train Your Dragon: The Hidden World, e o maior problema reside no seu vastíssimo leque de personagens secundárias. Embora apresentem alguma coisa para fazer, acabam por ficar relegados para o background, o que acaba por ser insultuoso para algumas personagens que tiveram arcos bastante sólidos nos dois filmes anteriores.

How to Train Your Dragon The Hidden World Crítica de CinemaSendo um filme de animação, How to Train Your Dragon: The Hidden World tinha uma fasquia elevada comparado com o filme anterior. Felizmente, a componente técnica encontra-se bastante eficaz (o que já seria de esperar nesta altura do campeonato). Fica mais do que patente as técnicas mais recentes da área da animação foram bem empregues nesta terceira parte da trilogia, e isso pode ser visto tanto no design dos espaços cénicos como ao design dos mais variados dragões que podemos encontrar ao longo do filme.

Em suma, How to Train Your Dragon: The Hidden World revela-se como uma entrada genial para esta trilogia. Os mais novos com certeza vão deliciar-se com o mundo repleto de cores brilhantes e originalidade no design dos dragões presentes, mas os graúdos certamente sairão do filme satisfeitos com a história pela qual Hiccup e Toothless atravessaram ao longo da trilogia.

Podem ler outras das nossas Críticas aqui.

Título: Como Treinares o Teu Dragão: O Mundo Secreto
Título Original: How to Train Your Dragon: The Hidden World

Realizador: Dean DeBlois
Elenco: Jay Baruchel, America Ferrera, F. Murray Abraham, Cate Blanchett, Gerard Butler, Craig Ferguson, Jonah Hill, Christopher Mintz-Plasse, Kristen Wiig, Kit Harington, Justin Rupple
Duração: 104 minutos

Trailer | How to Train Your Dragon: The Hidden World

Comments