Frame by Frame Lucifer TV

Lucifer – 4×08 – Super Bad Boyfriend

Lucifer 4x08

PODE CONTER SPOILERS DE LUCIFER!!!

O ambiente televisivo tem obtido um novo estatuto em anos recentes. Para além de tentar entreter o público em geral, a televisão, mais do que nunca, tem desempenhado um papel socialmente mais relevantes, com tantas séries que colocam o protagonismo no sexo feminino ou dão um maior destaque às minorias, e estas histórias tanto produzem bons resultados como não. E é esse sentido que, direta ou indiretamente, este episódio de Lucifer tenta transmitir.

Lucifer (Tom Ellis) e Chloe (Lauren German) investigam a morte de uma professora. Enquanto isso acontece, Lucifer tenta tudo por tudo para convencer Eve (Inbar Lavi) a terminar com ele. Dan (Kevin Alejandro) e Ella (Aimee Garcia) tentam manter um ambiente de trabalho equilibrado após o seu caso; Maze (Lesley-Ann Brandt) começa a tentar criar as suas próprias ligações; e Amenadiel (D.B. Woodside) tenta ver se tem o que é preciso para ser um bom pai, acabando por ser uma espécie de guia para um jovem adolescente.

Lucifer 4x08

Para variar, começarei por Amenadiel. Sim, a sequência do anjo a pedir conselhos parentais a todos os indivíduos com quem cruza pode ter sido um bocado cliché em vários aspetos, mas salva-se pela chegada de Caleb (Denny Love), um adolescente que procura por uma maneira de deixar de traficar droga numa escola. A química entre WoodsideLove é praticamente instantânea, deixando transparecer uma espécie de relação que relembra as relações entre pais e filhos. Tem direito aos seus momentos mais dramáticos, mas também de algum bom humor necessário.

Infelizmente, este segmento é pautado por um tema que não é incansável de ser tratado: a descriminação que a comunidade africana sofre perante uma sociedade racista. Nota-se que Lucifer tem as suas boas intenções no sítio certo aquando da transmissão deste tipo de história, mas fica a ideia que, tirando Amenadiel, que passa por um momento bastante complicado neste episódio, acaba por ser a última alma a sofrer algum desenvolvimento, porque o resto, bem, já se esqueceu das lições. Ironicamente, a futilidade desta mensagem chega a ser mencionada no próprio episódio!

Lucifer 4x08

Entretanto, Lucifer tenta tudo por tudo para poder terminar a sua relação com Eve de forma a evitar que a profecia proferida pelo Padre Finley se concretize. No entanto, como isto é Lucifer e tem um sentido de humor um bocado retorcido, seria de esperar que o Diabo tentasse as várias maneiras de fazer com que Eve lhe dê com os pés. E como seria de esperar, os seus planos extravagantes acabam sempre por dar para o torto!

A resolução deste conflito pode ser um tanto ou quanto previsível, mas diga-se de passagem que vai de encontro com o dilema de identidade que Lucifer se encontra a enfrentar nesta quarta temporada. Tom Ellis é sempre impressionante no papel do Diabo nas cenas mais sérias e tocantes, mas este pode ser o episódio que eleva a fasquia do que o ator é capaz de fazer. A crise de identidade não é exatamente algo de novo, mas não deixa de ser uma temática pessoal que muitos de nós atravessam nas nossas vidas profissionais e pessoais, e este episódio acaba por colocar Lucifer num patamar equivalente a nós, os humanos.

Tomara que o caso do episódio tivesse alguma onça de originalidade ou apelo. Serviu mais como fonte de inspiração para as ideias de Lucifer do que propriamente numa resolução mais complicada. Mesmo o verdadeiro criminoso podia ser encontrado se tivermos a memória ainda fresca nos velhos clichés associados a cenas do crime envolvendo locais de ensino. Nem é preciso ir assim tão longe.

E pelo meio, Dan e Ella tentam manter o profissionalismo dentro do local de trabalho… e a falhar redondamente, especialmente com o que foi visto no cold open, que tem tanto de adorável como de cringe-worthy. No entanto, se tivermos de destacar um dos dois em termos de inner demons, Dan certamente levaria o grande prémio, especialmente considerando que a sua atitude no episódio anterior certamente o colocará numa posição mais precária, e o seu downward spiral revela-se como uma viragem bastante deprimente para o personagem.

Podem ler o Frame By Frame anterior de Lucifer aqui.

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Com o fim cada vez mais perto, Lucifer continua a abraçar aquele lado mais pesado que marcou esta temporada, embora a sua tentativa de ser socialmente relevante tenha sido bastante desnecessária.

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