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Into the Badlands – Series Finale – 3ª Temporada

PODE CONTER SPOILERS DE INTO THE BADLANDS!!!

Já lá vai algum tempo desde que vimos a terceira temporada de Into the Badlands, a série do canal AMC que une o drama bélico e outros elementos loucos com artes marciais retirados diretamente de um blockbuster chinês. Pois bem, surpresa surpresa!, a série regressou para a sua nova fornalha de episódios que, para o bem ou para o mal de todos, acaba por ser a sua última. Pelo menos por agora.

No midseason finale anterior, Pilgrim (Babou Ceesay) conseguiu finalmente obter o poder que tanto desejava. No entanto, juntamente com esse poder, vem um desejo ardente de conquista que leva Sunny (Daniel Wu) e Bajie (Nick Frost) a unirem esforços com velhos aliados e novos inimigos, em nome de salvar as Badlands.

Into the Badlands series finaleO MELHOR:

Into the Badlands retém as suas melhores qualidades neste regresso há muito esperado.

A níveis técnicos, a série sempre foi irrepreensível graças aos seus componentes de costume design ou stunt work, componentes essas que, de acordo com os criadores Alfred GoughMiles Millar, mereciam o seu devido reconhecimento no passado. E essas mesmas componentes continuam a estar bem vivas neste regresso da terceira temporada, com um guarda-roupa cada vez mais original e inventivo (além de ajudar a saber distinguir quem é quem numa panóplia de corpos saídos de um filme de Quentin Tarantino). E claro que teríamos de mencionar as cenas de ação, que vão variando entre tiroteios em campo aberto com arcos e flechas (e por vezes crossbows) até às cenas de combate corpo-a-corpo que, ainda hoje, conseguem criar tensão e espetáculo no pequeno ecrã. Tudo pode ser feito através do clássico wire work, mas o efeito continua presente e bem eficaz.

Mesmo a nível narrativo, Into the Badlands teima em não desiludir. Ainda que possa ter uma vertente mais básica (a união de pessoas diferentes com pontos de vista diferentes), a sua narrativa está repleto de pequenos detalhes referentes à mitologia em que a série montou os seus alicerces. Não só temos um pequeno vislumbre do passado misterioso de Sunny/Sanzo e dos seus “irmãos”, mas também uma primeira vista há muito aguardada da misteriosa Azra. Também temos direito à chegada da Black Lotus, uma irmandade secreta que jurou liquidar as pessoas dotadas do misterioso Gift, por quaisquer meios necessários e que possui uma ligação profunda com Sunny e companhia.

Também tivemos direito a alguns momentos passados com grande parte dos elementos do elenco secundário que os ajudam a desenvolver ao ponto de parecer quase fan service, incluindo o romance palpável entre Lydia (Orla Brady) e Nathaniel Moon (Sherman Augustus) ou o romance não tão palpável entre Minerva/The Widow (Emily Beecham) e Gaius (Lewis Tan), entre outros momentos.

Into the Badlands series finale

O PIOR:

Ainda assim, Into the Badlands não está isenta de falhas.

Por um lado, temos Pilgrim, o novo oponente da temporada. Embora os seus métodos sejam questionáveis, não havia sombra de dúvida que este novo personagem tinha a presença física e o carisma necessários para o tornarem diferente de tantos outros antagonistas do passado. No entanto, nesta segunda parte, parece que os guionistas decidiram tomar um passo atrás, tornando-o mais num tirano extremista do que um fanático religioso com as melhores das intenções em mente. Pode protagonizar as cenas de ação com graça e agressividade, mas nada disso vale a pena se ele não tiver o carisma adjacente. Fica a ideia de que este “volta-face” serviu apenas para alimentar ainda mais o conflito aberto na série, dando origem a novas alianças e traições pelo caminho.

M.K. (Aramis Knight) sempre foi uma das piores personagens da série, e esta segunda parte não lhe fez quaisquer favores, tornando-o mais num inimigo só porque sim do que um personagem com a sua dosagem de complexidades.

Existe também o problema de Into the Badlands não conseguir contrabalançar a ação com a narrativa. Fica a ideia de que temos episódios em que a exposição narrativa entra em overdose, mas também temos episódios em que temos apenas ação desmiolada (embora graciosa) e nada de avanços significativos na narrativa geral.

O elemento que certamente terá alguma controvérsia reside do seu episódio final, Seven Strike as One. Se tivermos de ser justos, os episódios anteriores têm mostrado a sua dose generosa de build up e de perdas mais do que necessárias, por vezes servindo como o encerrar de vários ciclos pendentes na série. No entanto, fica a ideia de que Into the Badlands passou ao lado da notícia do seu cancelamento, oferecendo alguns encerramentos satisfatórios, mas abrindo as portas também para novas aventuras num futuro. Isso não quer dizer que, entretanto, algum canal ou serviço de streaming tenha a amável ideia de elaborar um revival (tendo em conta o panorama televisivo atual, tal possibilidade não seria inteiramente descartável). Mas, se este for o final definitivo para o mundo louco estabelecido por Gough e Millar, então é um final de deixa mais dúvidas do que respostas.

Sem surpresas, a AMC acabou por cancelar a série. Uma pena, uma vez que, num panorama em que as séries tendem a repetir-se a si mesmas (isto aplica-se mais nas sitcomscrime procedurals), Into the Badlands era uma das mais bizarras (e originais) que podemos ver na atualidade. Resta ver se teremos novas aventuras num futuro não muito distante.

Podem ler a nossa Mini-Review anterior de Into the Badlands aqui.

Estado da série: CANCELADA

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Average Rating

Ainda que tenha algumas escolhas dúbias durante os seus oito últimos episódios, Into the Badlands continuou a demonstrar as suas forças de forma graciosa, tal e qual como as suas cenas de ação.

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