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Crítica: The Curse of La Llorona (2019)

The Curse of La Llorona

The Curse of La Llorona passa-se no mesmo Universo do franchise The Conjuring. Se por um lado isto confere um ar de blockbuster ao filme, por outro lado faz com que todo o ambiente do que vemos no ecrã seja demasiado familiar para os fãs do dito franchise, ainda que este filme tenha os seus próprios elementos e as suas próprias fontes de interesse.

Sobre The Curse of La Llorona

Depois de um prólogo curto e duro passado no México rural de 1673, saltamos para o tempo e espaço onde toda a ação se passa: Los Angeles 1973. Os mais atentos saberão que esta é uma altura muito próxima dos eventos de Annabelle, que também se passaram em LA. É então que conhecemos a protagonista do filme, a recém enviuvada Anna Garcia, interpretada por uma muito sólida Linda Cardellini. Anna trabalha nos serviços sociais e, depois de intervir num bizarro caso, acaba por atrair para si a indesejada atenção de La Llorona (Marisol Ramirez). Linda Cardellini imprime a esta personagem uma aura interessantemente credível. Sendo Anna mulher de um polícia e trabalhadora nos serviços sociais será de esperar que esteja acostumada a lidar com situações de medo e alguma insegurança. Além disso, o facto de ter perdido o marido e ter entregue ao seu cuidado os dois filhos faz com que seja super protetora e tenha os seus instintos maternais de proteção sempre alerta. Estes elementos que referi, se falhassem em passar para o espectador, a credibilidade de todo o filme estaria minada. Seria muito difícil relacionarmo-nos e interessarmo-nos por esta personagem e pela sua família. No entanto não é aí, felizmente, que o filme falha.

The Curse of La Llorona
Linda Cardellini interpreta Anna.

No entanto, nada com que Anna tenha lidado no passado pode ser comparado ao que enfrenta neste desafio. Os horrores e as dificuldades que viveu não estão de forma alguma ligadas ao oculto, e esta é toda uma nova montanha para escalar.

Esta família arrebata-nos, algo que nem sempre é feito de forma eficaz no Universo de The Conjuring, e faz com que genuinamente nos interessemos por aquilo que lhes está a acontecer e pelo desfecho que terão. Para que este desfecho não seja o pior, e porque como já disse Anna está longe de estar acostumada a lidar com o oculto, a família recorre a um importante aliado para combater a maldição: Rafael Olvera (Raymond Cruz), um curandeiro  e cujo arsenal para combater La Llorona é da velha guarda. Rafael vem conferir uma dinâmica muito interessante ao filme. Ele tem um certo estilo de atuar que consegue gerar na sala alguns risos e que alivia a tenção no espectador, instrumento usado exemplarmente para nos distrair dos valentes sustos que vêm de seguida. Ainda que Rafael tenha este swag latino que acrescenta comicidade ao filme, nos momentos em que tem de por mãos à obra o curandeiro não brinca em serviço e leva muito a sério o seu trabalho. Não é o típico investigador do paranormal que estamos acostumados a ver nestes filmes e neste franchise. Rafael tem as suas próprias características e o seu próprio estilo, algo que faz dele um personagem único.

The Curse of La Llorona
A família é o ponto central de toda a acção.

Michael Chavez, o realizador, consegue criar algumas cenas de suspense muito memoráveis, particularmente quando temos apenas as duas crianças a enfrentar La Llorona. A cena do carro ou a da banheira em que Samantha (Jaynee-Lynne Kinchen) está a tomar banho são dois excelentes exemplos disso. Por outro lado, estas e outras sequências colocam em causa a própria lógica do filme, algo que hoje em dia os filmes de terror teimam em fazer. Por vezes, La Llorona é uma entidade tão corpórea e física como um zombie, por exemplo, e noutras vezes é tão inatingível como um fantasma… Isto é um tiro na credibilidade da coisa. Ou se lhe pode bater, ou não! Isto acaba por distrair do seu envolvimento com a história. O envolvimento do espectador com o produto que está a ver é tudo.

Em larga medida, a história e a sua execução estão completamente alinhadas com aquilo que o franchise nos acostumou mas sendo este filme a sexta entrada no Universo de The Conjuring, isto só vem expor a dependência que estes filmes têm da mesma fórmula.

Apesar de ter os muitos pontos positivos e as performances dos actores serem deveras interessantes, o filme acabou por me deixar um pouco frustrado. Uma vez que premissa do filme é assente numa conhecida lenda mexicana, talvez esta pudesse ter sido explorada de forma mais eficaz e mais assustadora… No entanto, há sempre esperança que isso aconteça numa das já habituais e virtualmente inevitáveis sequelas a que este Universo nos habituou.

Veredicto

The Curse of La Llorona oferece-nos momentos de suspense muito interessantes e tem uma unidade familiar que é credível e por quem nos interessamos rapidamente. Mas é também um produto que é feito a partir da mesma fórmula que tantos outros já seguiram. Se por um lado esta fórmula funciona para as massas, para quem se senta na sala à espera de ver algo diferente a coisa já não é tanto assim.

Está muito longe de ser o pior filme deste franchise, mas também não consegue trazer tanta coisa nova como a sua interessante premissa tem potencial para trazer.

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Título: Someone Great

Realização: Michael Chaves

Elenco: Linda CardelliniRaymond CruzPatricia Velasquez

Duração: 93 minutos

Trailer | The Curse of La Llorona

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