Cinema Críticas

Crítica: Hellboy (2019)

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Depois de mais de 10 anos de hiatus, Hellboy (com David Harbour como estrela principal) está de volta ao grande ecrã. O mais fácil foi convencer os fãs de que reviver a lenda era, de facto, uma boa ideia.
Difícil foi fazer com que o filme fosse dotado de qualquer interesse, partindo do princípio que o trailer é muito bom e o filme muito mau…

Tinha tudo para dar certo, menos um turbilhão de coisas. Entre as quais, em vez de Guillermo del Toro, tivemos Neil Marshall como Realizador e uma série de conflitos adjacentes do mesmo.

O cast era excelente, o timing bom e a premissa também, apesar de pouco objectiva pois tal como o Hellboy, nunca soubemos muito bem qual ia ser o rumo do filme. Apesar disso, até perto do intervalo ainda havia alguma esperança presa por um fio a boas sequências de acção, óptimos efeitos especiais, algum humor (clichê) característico que trazia boas recordações e a formação da equipa de combate aos maus da fita foi divertida.

Agora os problemas… Nunca houve mistério ao longo do filme, já sabíamos para onde caminhava a história e as suspeitas de que ia dar asneira, eram evidentes.
Tentaram fazer de Nimue (protagonizada por Milla Jovovich) uma Vilã temível e implacável, no entanto nunca assustou realmente ninguém.

A demanda de Hellboy a tentar descobrir as suas origens foi um fracasso. Para além de cansativa, foi executada de uma forma muito pobre, sem qualquer conteúdo ou qualidade. Acabou por expôr Hellboy de uma forma quase caricatural.

O desenrolar do filme foi tão confuso e com tanta volta inútil, que os espectadores foram perdendo o interesse, ainda ele não ia a meio, desde os fãs mais ávidos, aos novos fãs que decidiram dar uma primeira (e última) chance a esta saga.

A história do Rei Artur tinha muito por onde pegar, mas começaram por pegar mal nela logo de início e as más escolhas em torno da mesma foram-se sucedendo ao longo do filme. Podia ter tido outro impacto, mas passou apenas por um meio para um fim desprezível.

Por falar em “fim”, fica uma análise simples e objectiva ao desfecho do filme usando apenas uma palavra: péssimo.
Uma ameaça tão “macro” na medida em que ia dizimar o Reino Unido inteiro, para um final tão “micro”. Uma confronto cheesy de curta duração, sem qualquer espectacularidade em espaço fechado. Sempre se soube como ia acabar, mas a forma como foi executado… Deprimente e angustiante. Duas horas de sofrimento, vergonha alheia e tédio.

Apesar de ser fã de Hellboy (ou melhor: se calhar por ser fã de Hellboy), espero que revival da saga morra com este filme. Não arrastem uma coisa tão única e especial para a lama.
Se em última instância for para continuar (como os post-credits sugerem), que haja bom senso e seja feita uma reestruturação de guionistas e equipa técnica.

Título: Hellboy

Realização: Neil Marshall

Elenco: David Harbour, Milla Jovovich, Ian McShane, Daniel Dae Kim

Duração: 120 minutos

Trailer | Hellboy

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