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Hanna – Season Finale – 1ª Temporada

Hanna season finale

PODE CONTER SPOILERS DE HANNA!!!

Foi no ano de 2011 que o filme Hanna chegou às nossas vidas. Realizado por Joe Wright a partir de um guião da autoria de Seth LochheadDavid Farr, este filme centrava-se numa jovem rapariga treinada para ser uma assassina que tinha uma missão, ao mesmo tempo que era perseguida por autoridades corruptas, ao mesmo tempo que esta entre em contacto pela primeira vez com a civilização. Apesar de alguns claros pontos positivos – nomeadamente as performances de Saoirse RonanCate Blanchett – este foi um filme altamente subvalorizado na altura, passando por debaixo de muitos radares (inclusive o meu). Oito anos depois, Farr trabalhou arduamente para transformar Hanna numa série televisiva, desta feita exibida pela Azamon Prime Video.

Tal como o filme que lhe precede, esta série de 8 episódios centra-se na homónima Hanna (Esme Creed-Miles), uma jovem que tinha sido resgatada e, posteriormente, criada por Erik Heller (Joel Kinnaman) no meio de uma floresta na Polónia. No entanto, um pequeno erro separa estes dois e atiram-nos numa viagem pela Europa em busca de respostas sobre o mistério de Hanna, ao mesmo tempo que são perseguidos pela agente Marissa Wiegler (Mireille Enos), numa tentativa de acabar com todas as provas de um projeto que regressa do passado para a atormentar.

Hanna season finale

O MELHOR:

Hanna agarra nos melhores elementos do filme e expande-os a partir daí.

Um dos grandes males de várias adaptações televisivas de filmes já bem conhecidos é que existe sempre um grande risco de se repetir a mesma história, mas sem ter o mesmo resultado esperados. Até à data, tivemos bons exemplos de adaptações como FargoCobra Kai ou Bates Motel, mas também tivemos adaptações menos brilhantes como FrequencyRush Hour ou Minority Report (só para mencionar alguns). Portanto, com resultados tão díspares, ficava na dúvida em que estatuto Hanna se iria encontrar. E a verdade é que fica complicado tentar encontrar um lugar para a colocar. Por um lado, os 8 episódios seguem (quase à risca) o que o filme já tinha estabelecido anteriormente; por outro lado, a série tem em David Farr um dos seus maiores trunfos. O guionista – que serve como criador e showrunner – demonstra ter o conhecimento ideal para se manter fiel ao filme; no entanto, converter um filme numa série dá amplas oportunidades de expandir perante a narrativa original.

E os resultados estão claramente à vista em termos narrativos. Para quem viu o filme original, com certeza irá encontrar vários elementos que parecerão bastante familiares; no entanto, Farr consegue encontrar vários momentos para melhor desenvolver os personagens e circunstâncias a decorrer.

Hanna season finale

Um desses casos é o de Erik Heller. Joel Kinnaman é, atualmente, um dos atores que não precisa de apresentações. Embora Eric Bana tenha feito um trabalho competente no original, Kinnaman ganha amplas oportunidades para brilhar, seja pela melhor exploração do seu passado como agente da CIA ou pela sua “obrigação” em proteger a titular Hanna a todos os custos.

Hanna season finale

Outra das surpresas da série foi Mireille Enos como a vilã de serviço, Marissa Wiegler, que aqui recebe um bónus. Durante uma boa porção da série, esta pode ter sido inicialmente apresentada como uma vilã e, embora mantenha essa mesma aura, a sua personagem ganha uma maior nuance. Em vez de ser uma figura de autoridade, fica subentendido que mesmo ela tem pessoas poderosas a puxarem-lhe os cordelinhos, e o facto de esta ser dominada por demónios do passado. Um pequeno aparte: os fãs da série The Killing terão imensas razões para ficarem bastante agradados com as várias interações entre Enos Kinnaman.

Hanna season finale

Claro que nada disto seria possível se a Hanna titular não estivesse à altura dos vários desafios (e acreditem, muitos deles são bastante exigentes!). Felizmente, a estreante Esme Creed-Miles demonstrou estar mais do que à altura. A jovem atriz conseguiu mostrar uma rapariga que, apesar dos constantes perigos, nunca esteve em contacto com a civilização. E por isso, vemos Hanna a demonstrar um nível de curiosidade quase animalesca, a encontrar novos prazeres nas mais pequenas coisas, a aprender a crescer. Algumas das suas cenas são tocantes, outras são de partir o coração. São fórmulas obrigatórias dentro de uma história de coming-of-age (algo que o filme original sempre foi caracterizado), e Creed-Miles está absolutamente irrepreensível nesses mesmos momentos.

Mas Hanna também é uma série pautada por várias sequências de ação, e quando as há, demonstram um claro impacto raramente visto. No caso de tiroteios ou perseguições, os planos de câmara ou a banda sonora ajudam a pautar um certo nível de tensão, especialmente estabelecido com a ideia de que “ninguém está seguro de uma morte repentina”. No entanto, as sequências de combate corpo-a-corpo ajudam a elevar essas mesmas cenas, exibindo um trabalho de coreografia bastante visceral e distinto entre as várias personagens.

Hanna season finale

O PIOR:

No entanto, existem algumas falhas impossíveis de ignorar em Hanna.

Mesmo com uma duração de oito episódios (o que por si só já lhe classifica como uma série bastante curta), a série possuo vários momentos mortos, demonstrando claros problemas com o ritmo da série. O mais “impressionante” é que esses momentos mortos podiam ter sido melhor empregues na evolução dos seus intervenientes (a parelha entre Creed-Miles Kinnaman, embora interessante, não tem tanto tempo de antena como gostaríamos de ver). E o mesmo também se aplica ao elenco secundário que, fora o trio Creed-Miles-Kinnaman-Enos, não recebe o mesmo tipo de “carinho” ou atenção de forma a que possam ser considerados “personagens” em vez de “meios para um fim”.

Ainda assim, Hanna consegue ser uma das raras adaptações de filmes que acaba por funcionar. Embora mantenha uma certa fidelidade com o filme original de 2011, a série consegue expandir algumas das ideias estabelecidas. E considerando a forma ambígua de como esta termina, as portas estão ainda abertas para novas aventuras, caso a Amazon Prime Video tenha interesse em renovar a série.

Até lá, podem ler outras das nossas Mini-Reviews aqui.

Estado da série: STAND-BY

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76%
Average Rating

Apesar de algumas falhas curiosas, Hanna é um dos raros casos de uma adaptação televisiva de um filme já existente. Mantém-se fiel às ideias anteriores, ao mesmo tempo que as expande de forma bastante satisfatória.

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