Frame by Frame Star Trek: Discovery TV

Star Trek: Discovery – 2×08 – If Memory Serves

PODE CONTER SPOILERS DE STAR TREK: DISCOVERY!!!

Existem bastantes histórias dentro de Star Trek que ainda hoje suscitam o interesse dos milhares de fãs em todo o mundo. No entanto, a história de The Cage, o piloto cortado aquando do lançamento da série original é, provavelmente, um dos mais famosos. Nesse mesmo piloto, Christopher Pike (e não James T. Kirk) era o capitão da USS Enterprise, e esse mesmo piloto viu o personagem a ser feito refém de uma raça alienígena caracterizada com cabeças anormalmente grandes e com veias salientes. Dado o seu estatuto, era duvidável que esses mesmos eventos fossem reconhecidos dentro da mitologia deste universo. Dito isto, Star Trek: Discovery muda completamente essa situação, se bem que servindo o propósito da série em geral.

Burnham (Sonequa Martin-Green) e Spock (Ethan Peck) viajam até Talos IV – o planeta onde o supramencionado piloto tomou lugar – numa tentativa de curar a mente do Vulcano. Sem o conhecimento dos dois irmãos, tanto a Discovery como a Section 31 encontram-se no seu encalço. Ao mesmo tempo, Hugh (Wilson Cruz) continua a distanciar-se de tudo o que o definiu, para desgosto de Stamets (Anthony Rapp).

Star Trek: Discovery 2x08

Dedico este parágrafo deste Frame By Frame a Talos IV. Isto já não são os anos 60, em que os cenários e maquilhagem são executados de uma forma quase amadora (pelo menos, de acordo com os critérios de hoje em dia). Star Trek: Discovery, sendo uma série mais modernizada, beneficia de um orçamento maior que as suas antecessores (e essa influência pode ser testemunhada a cada episódio), e a sua interpretação de Talos IV ganha um makeover distintivo, tornando-o muito mais alienígena que o piloto cancelado, desde os espaços cénicos até à forma como os talosianos estão caracterizados.

No entanto, mesmo com os avanços tecnológicos modernos, Star Trek: Discovery não se esqueceu propriamente do que veio antes. Não só tivemos direito a uma espécie de racapitulação desse mesmo episódio no segmento Previously on…, como a alguns elementos sonoros passados no planeta (mesmo os efeitos sonoros foram resgatados para esse mesmo efeito!). Mesmo Melissa George parece estar caracterizada quase na perfeição como na altura em que a personagem participou nesse mesmo episódio.

No entanto, este não é um episódio que joga completamente com o saudosismo e o elemento what if?. O segmento de Talos IV acaba por ser mais emocional graças à interação entre Burnham e Spock. A julgar pelo o que foi testemunhado, vimos uma ligação entre irmãos que certamente não passará despercebida para os fãs da série. No entanto, e embora esta mini-reunião tenha sido mais eficaz do que o episódio anterior (muito porque este beneficia de um Spock mais lúcido), If Memory Serves também é pautado por uma onda de tragédia, uma vez que finalmente descobrimos como Burnham conseguiu influenciar Spock de uma forma quase irreparável. É um momento forte para Sonequa Martin-Green e que acaba por ser bem sucedida; infelizmente, o mesmo não podemos dizer de Ethan Peck, muito porque, para já, o ator parece estar a repetir o que outros atores já fizeram no passado com o mesmo papel. Resta ver se essa tendência sofrerá alterações nos próximos episódios.

Star Trek: Discovery 2x08

A tragédia das relações não se deixou ficar apenas com Burnham e Spock, uma vez que Hugh e a sua crise existencial também marcaram presença neste episódio. Já sabíamos que o regresso do doutor ao mundo dos vivos não seria algo pacífico, e este segmento foi trágico nesse sentido, com Hugh a afastar-se cada vez mais do que antes o definiu e, no processo, tomar uma postura mais agressiva. Haviam alguns momentos que podiam ter sido melhor trabalhados, claro, mas não deixa de ser mais uma tragédia para a tripulação da Discovery, especificamente com Stamets.

Também tivemos direito a uma visão mais íntima a Pike (Anson Mount). Este personagem foi uma adição bem-vinda para a série, abraçando o lado mais ligado à exploração científica (a marca-d’água da mitologia), mas a verdade é que pouco ou nada sabemos sobre ele. Talos IV e as suas interações com Vina acabaram por preencher algumas lacunas do seu passado como capitão da Enterprise, ao mesmo tempo que mantém aquela faceta por quem os fãs se apaixonaram.

No entanto, nem tudo neste episódio funciona tão bem quanto gostaríamos. O mistério do Anjo Vermelho continua adensado como no passado, agora com a informação de que se trata de um humano relacionado com viagens no tempo. São pequenos detalhes que não adicionam nada em concreto para a trama. E o mesmo se aplica à presença irritante da Section 31, ainda que seja mais um pretexto para manterem Michelle Yeoh até esta migrar para a sua própria série.

Apesar destas falhas, If Memory Serves acaba por ser um dos melhores exemplos do que Star Trek: Discovery consegue oferecer. Parte memory trip, parte tragédia, é um dos episódios mais humanos da série até agora. E só por isso, merece ser visto.

Podem ler o Frame By Frame anterior de Star Trek: Discovery aqui.

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Quem diria que Star Trek: Discovery, uma série assentada na ficção científica, conseguia trazer um episódio bastante humano?

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