Cinema Críticas

Crítica: Van Helsing (2004)

Guilty pleasure. Aquela definição e sentimento pela arte que todos nós inevitavelmente nutrimos. Um gosto particular que desenvolvemos, mesmo reconhecendo as falhas do produto artístico. Todos nós temos um filme ou série que sabemos que tem graves defeitos, mas não deixamos de gostar dele/a à mesma. Em tantas discussões os defendemos pelos aspetos que, aos nossos olhos, os tornam especiais, mesmo reconhecendo que a pessoa com quem discutimos tem a sua razão. Mas a verdade é que guilty pleasure é daquelas boas sensações que as artes audiovisuais proporcionam, vincadas precisamente pelo fator entretenimento.

Van Helsing Crítica de Cinema

O meu maior guilty pleasure é Van Helsing, com Hugh Jackman e Kate Beckinsale. A história do caçador de monstros que se depara com uma viagem atribulada até à Transilvânia para combater o Conde Drácula e os seus lacaios (e noivas) e procurar por respostas do seu passado. Assim que uma ordem religiosa alerta Van Helsing para a existência de um mal em constante ebulição na Roménia, o aventureiro é forçado a defrontar as criaturas fantásticas mais icónicas da história.

Van Helsing é uma aventura empolgante, recheada de uma cheesiness que assenta de forma competente no registo que pretende transmitir. Não é um filme que procure ser mais do que aquilo que pode ser ou se quer tornar. É desmiolado, vulgar e um festim visual com uma história pouco cuidada. No entanto, Van Helsing possui uma banda sonora fantástica (conduzida pelo grandioso Alan Silvestri) e efeitos visuais que são extremamente empolgantes, na medida em que contribuem para sequências de ação fogosas e uma mística sobrenatural envolvente.

Van Helsing Crítica de Cinema

No entanto, a história é frágil. Tão frágil que compromete sistematicamente o conceito de épico por se deixar levar pela forma mais leve de entretenimento, explorando as personagens superficialmente e apostando em comicidade em vez de conteúdo dramaticamente intenso que é, de facto, necessário. No entanto, é precisamente por ser leve que Van Helsing se torna um guilty pleasure.

Os efeitos adornam a temática de forma competente e a cheesiness traz um certo carisma próprio às cenas e às personagens. O sotaque romeno terrível de Kate Beckinsale não deixa de ser uma forma divertida de nos envolvermos com a personagem, por mais “idiota” que isto pareça. Vale a pena a tentativa, ainda que tenha saído o tiro pela culatra. No entanto, Hugh Jackman é simplesmente adorável, encarnando mais uma personagem icónica mesmo ainda no início da sua carreira, aliando o esforço físico com a atitude cool que já demonstrou como Wolverine até então.

Mesmo não sendo uma preciosidade, Van Helsing é competente em entregar ao público precisamente aquela dose de entretenimento “desmiolado” que nos proporciona momentos de verdadeiro prazer. Não é um filme pretensioso e a realização de Stephen Sommers é pouco trabalhada, mas não merece também que sejamos exigentes com ele. Serve o seu propósito, diverte o público e tem uma componente técnica bastante competente. Ainda que pudesse ter um pouco mais de intensidade dramática subtil (e despegar-se do melodrama desnecessário), Van Helsing não deixa de ser uma obra prazerosa e que preenche os requisitos de quem gostar de se entreter.

Van Helsing Crítica de Cinema

Título Original: Van Helsing

Título: Van Helsing

Realização: Stephen Sommers

Elenco: Hugh Jackman, Kate Beckinsale, Shuler Hensley, Richard Roxburgh, Josie Maran, Will Kemp, Elena Anaya, David Wenham, Silvia Colloca.

Duração: 131 min.

Trailer | Van Helsing

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