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Crítica: Spider-Man: Into the Spider-Verse (2018)

Spider-Man: Into the Spider-Verse Crítica de Cinema

Num campo cinematográfico bastante competitivo, há quem pense que o género dos super-heróis já se encontra sobre-populado. Embora existam algumas exceções, continua a existir alguma familiaridade nas histórias que os blockbusters tentam contar-nos. No entanto, existe sempre aquele filme que consegue ser diferente dos demais. E Spider-Man: Into the Spider-Verse é um desses casos raros!

Todos nós sabemos a história de Peter Parker, um jovem que, após ter sido mordido por uma aranha radioativa, recebe poderes sobre-humanos e transforma-se em Spider-Man, ainda que esse mesmo trajeto venha acoplada por bastante ardor e tragédia. No entanto, Into the Spider-Verse não se trata de “mais um filme em que o Tio Ben morre”; em vez disso, acompanhamos Miles Morales (Shameik Moore), um jovem afro-americano de ascendência latina que é mordido por uma aranha radioativa e desenvolve poderes sobre-humanos. Esta mudança não podia ter vindo na pior hora, uma vez que um certo perigo ameaça não só a cidade de Brooklyn, mas todo o multiverso. Felizmente, Miles não se encontra nesta missão, uma vez que, a ele, juntam-se mais cinco Pessoas-Aranha!

Spider-Man: Into the Spider-Verse Crítica de Cinema

Como tinha dito no parágrafo acima, existe sempre aquele filme de super-heróis que consegue trazer nova vida a um género que parece estar a seguir um check-list à letra (histórias de origem? Check. Vilões over-the-top e sem qualquer tipo de desenvolvimento? Check. Efeitos visuais e especiais de encher o ecrã a torto e a direito? Double check!). Spider-Man: Into the Spider-Verse podia muito bem ter seguido essa rota mais fácil; no entanto, o filme evita essa mesmas armadilhas e revela-se como um filme que qualquer amante do género deve ver, obrigatoriamente!

E claro que temos de mencionar os MVP’s do filme: Phil Lord Chris Miller. Esta dupla de cineastas conseguiram provar, vezes e vezes sem conta, que conseguem ir de encontro às nossas expectativas ao destroná-las por completo (basta ver os resultados demonstrados em filmes como 21 Jump Street ou The LEGO Movie). E Into the Spider-Verse não é exceção a essa “regra” deste duo. Quando pensamos saber o que o filme nos vai oferecer, eis que nos aparece uma nova situação para nos pôr a adivinhar o que virá a seguir. Alguns elementos do filme podem parecer familiares (mas isso já seria de esperar); e ainda assim, a forma como esta é-nos entregue consegue tornar-se numa experiência raramente vista. Já para não falar que o filme consegue ser um pouco mais meta que o esperado e mostra-nos alguns elementos genuinamente engraçados (inclusive um dos cameos finais de Stan Lee que tem tanto de tocante como de hilariante).

Spider-Man: Into the Spider-Verse Crítica de Cinema

Uma vez que Spider-Man: Into the Spider-Verse é um filme de animação, todos os olhos estariam postos na sua componente visual. E o filme não desilude. Este é um dos poucos filmes da Marvel que parece saído diretamente de uma banda desenhada no meio de uma acid trip (e uso estas palavras de uma forma positiva, atenção!). Temos direito às típicas caixas de pensamento espalhadas pelo filme, o uso de onomatopeias em letras engarrafadas, estilos diferentes de desenho que vão aparecendo de vez em quando… Existem momentos, sim, em que parece que a animação começa a fraquejar de vez em quando, mas em vez de servir como detrimento, ajuda a cimentar a sua própria identidade.

Aliás, o estabelecimento de uma própria identidade quando o mundo “exige” que desempenhemos um determinado papel é a temática central do filme. E nenhum personagem engloba essa temática da melhor forma do que o nosso protagonista, Miles Morales. Este é um dos poucos casos de character development que os filmes conseguem executar de uma forma exímia (ao contrário de tantos outros filmes, que continuam a perder terreno para as inúmeras séries televisivas que chegam quase numa base diária), passando de um miúdo de Brooklyn dividido entre o que os seus pais desejam de melhor para ele e o amor incondicional sentido pelo seu tio, Aaron Davis (Mahershala Ali), passando para uma versão do Spider-Man que tantos desejam que ele seja até chegar à fase em que este se sente mais confortável no seu novo papel. Shameik Moore pode ter sido um relativo desconhecido até agora, mas a sua versão de Miles Morales é, sem dúvida, uma das melhores até à data!

Mas Moore não está sozinho, uma vez que Spider-Man: Into the Spider-Verse conta com um elenco vocal bastante conhecido e que, mesmo com um tempo de antena bastante limitado, conseguem fazer milagres, bem ao estilo do herói titular. Temos o estranho caso de Jake Johnson, que traz consigo alguma bagagem emocional como um Peter Parker mais veterano, ou Hailee Steinfeld como Gwen Stacy, também ela com uma energia própria e com a sua própria bagagem emocional, ou Nicolas Cage, com os seus dotes lunáticos a assentarem que nem uma luva para a versão Noir de Spider-Man… Embora os vilões não sejam exatamente inovadores nas suas motivações (salvo uma exceção dentro dos henchmen), Liev Schreiber consegue quase rivalizar com Vincent D’Onofrio no papel de Wilson Fisk/Kingpin.

Embora bata em algumas teclas já um pouco familiares, Spider-Man: Into the Spider-Verse depressa revela a sua própria identidade. Dizer que é um dos melhores filmes de animação de 2018 simplesmente não chega para lhe fazer justiça; mas como um dos melhores filmes de super-heróis até agora (já para não falar que, a partir daqui, a fasquia acabou de ser elevada), isso ninguém lhe poderá tirar.

Podem ler outras Críticas aqui.

Título: Homem-Aranha: No Universo Aranha
Título Original: Spider-Man: Into the Spider-Verse
Realização: Bob PersichettiPeter RamseyRodney Rothman
Elenco: Shameik MooreJake JohnsonHailee SteinfeldMahershala AliBrian Tyree HenryLily TomlinLuna Lauren VelezZoë KravitzJohn MulaneyKimiko GlennNicolas CageKathryn HahnLiev Schreiber
Duração: 
117 minutos

Trailer | Spider-Man: Into the Spider-Verse

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