Cinema Críticas

Crítica: Polar (2019)

A plataforma de streaming Netflix tem apostado na criação de conteúdo original, tanto de filmes como séries, tendo algumas da suas produções ganho bastante atenção e reconhecimento, como é o caso do filme Roma de Alfonso Cuarón, que recentemente recebeu 10 nomeações para os Oscáres. No entanto, nem tudo o que a Netflix nos apresenta é da melhor qualidade, sendo este o caso de Polar.

Polar conta com a participação de Mads Mikkelsen (Hannibal, Jagten), Vanessa Hudgens (High School Musical, Spring Breakers) e Katheryn Winnick (Vikings), e é realizado por Jonas Åkerlund (Lords of Chaos, Spun).  É um filme de ação que conta a história de Duncan Vizla, um dos melhores assassinos contratados do mundo, prestes a entrar na reforma. No entanto, o seu agora ex-chefe vê Duncan como um risco para a firma para quem este trabalhava, fazendo com que Vizla se tenha de proteger.

Polar, infelizmente, não toma nenhuma decisão em relação a que género de filme quer realmente ser. À primeira vista, aparenta ser um filme de ação com vários elementos cómicos, não se levando muito a sério, com uma palete de cores extremamente saturada e com personagens com visuais exagerados e pouco realistas. Mas rapidamente notamos uma diferença no tom neste filme. Com a introdução da personagem principal, Duncan, interpretado por Mads Mikkelsen, conhecido pelos seus papéis de teor sombrio, o filme subitamente transforma-se quase num drama, sóbrio e relativamente calmo, afastando-se do aspeto caótico da primeira parte. Esta mudança de tom ocorre durante todo o filme, tornando-o bastante inconsistente.

A verdade é que parece que estamos a ver dois filmes diferentes. Num desses filmes, as personagens são extravagantes e parecem saídas de uma banda-desenhada de super-heróis; os movimentos de câmara, os efeitos visuais e grafismos são algo exagerados e quase campy, acabando por relembrar alguns filmes de ação mais antigos, quando a tecnologia não era tão boa como a de agora. O outro filme é mais dramático, mais sério; a cinematografia é mais subtil e “comum”, e as personagens aparentam ser pessoas normais.

Em relação aos atores, estes deixam muito a desejar. Não se conseguiram tornar nas personagens, talvez pela má escrita do argumento ou pela falta de desenvolvimento de cada uma delas. Mikkelsen talvez seja o único que consegue sair desta situação ileso, visto que a sua personagem, Duncan, faz parte do tal filme mais dramático, mesmo não tendo o desenvolvimento necessário para nos conseguirmos relacionar com ele. A química entre os vários atores é praticamente inexistente, arruinando um pouco mais a ilusão do filme.

A parte final do filme, que conta com uma das típicas reviravoltas de filmes de ação, encontra-se muito mal explorada e escrita. Olhando para trás, não há nada que aconteça que nos leve a pensar que essa reviravolta poderia ocorrer, ficando a pairar nos momentos finais do filme, estragando-o um pouco mais.

Um dos poucos aspetos interessantes que encontramos no filme são, ironicamente, os créditos finais. Estes trazem-nos elementos visualmente estimulantes e atrativos, que relembram filmes um pouco mais fora do comum como Mandy. A edição, os grafismos e a cinematografia destes são realmente a melhor parte do filme.

A história não é necessariamente o problema de Polar, o problema é que não é um filme concreto. Era preferível ter arriscado completamente e apostado num filme exagerado, com personagens estranhas e irrealistas, com as típicas one-liners de Hollywood e deixar-se levar pelo ridículo. Assim talvez se tornasse algo divertido de se ver.

Nome: Polar
Título Original: Polar
RealizadorJonas Åkerlund
Elenco: Mads Mikkelsen, Vanessa Hudgens, Katheryn Winnick, Matt Lucas, Fei Ren
Duração: 118 minutos.

Trailer – Polar

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