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Crítica: Green Book (2018)

Green Book Critica de Cinema

Os Óscares aproximam-se e as nomeações já foram lançadas. 2018 foi um ano pobre para o cinema, repleto de filmes pretensiosos e politicamente corretos. Dois exemplos disto são Bohemian Rhapsody e Black Panther; filmes que são louvados e apreciados por multidões por retratarem minorias de uma forma medíocre e pouco esforçadas. É no meio de tanto fogo de vista que aparece Green Book. O filme realizado por Peter Farrelly é um filme genuíno, puro e belo. É um filme que rejeita as influências de uma Hollywood moderna e retrata uma amizade improvável de forma carinhosa e cuidada.

Green Book conta-nos a história verídica de Tony Vallelonga e de Don Shirley, e de como os dois construiram uma relação pura numa tour do artista afro-americano. A dupla de Viggo Mortensen e Mahershala Ali é simplesmente genial. A química entre os veteranos é sentida e vivida pelo espectador em toda a sua essência. Viggo, que interpreta o ítalo-americano Tony “Lip” Vallelonga, entrega-se completamente ao papel, com uma prestação que só o ator nova-iorquino consegue transmitir. Sempre considerado um ator subvalorizado, Viggo já provou o seu talento como um pai dedicado em Captain Fantastic, um mafioso em Eastern Promises, um sobrevivente em The Road e um rei em The Lord of the Rings. Com já uma vasta carreira, Viggo impressiona uma vez mais o espectador com uma prestação invulgar e surpreendente.

Green Book Critica de Cinema

Os esteriótipos são postos à prova em Green Book, e o que parece ser um mafioso italiano acaba por se revelar um ser humano bondoso e preocupado. O filme retrata de forma fiel os tabus da sociedade nos anos 60. O racismo e a homofobia são pontos-chave no desenrolar da ação, e o choque de culturas é o que torna um filme simples em algo maravilhoso. Mahershala Ali interpreta o Dr. Don Shirley, um conceituado pianista afro-americano que, por sua vez, é vítima de uma sociedade opressiva e retrógrada. A sociedade afro-americana vivia ainda numa fase de segregação, escorraçada para bairros sociais e marginalizados. O ator vencedor de um Óscar por Moonlight brilha com uma performance explêndida e complexa.

Green Book Critica de Cinema

Green Book joga com a dinâmica entre o civilizado e o grosseiro de forma original e rara na sétima arte. Os personagens apresentados ao espectador incorporam pontas opostas de um espetro, mas cada um deles invertendo o esteriótipo da época. Dr. Don Shirley, apesar de ser afro-americano, é um membro culto da alta sociedade e com um intelecto requintado. Já Tony “Lip” Vallelonga é um homem de hábitos animalescos, violentos e de poucas habilitações literárias. Juntos, os protagonistas aprendem um com o outro e formam uma ligação única e especial.

A simplicidade é o maior aliado de Green Book. Uma história singela e autêntica, lindamente escrita e executada na perfeição. As perspectivas de câmara apresentadas e a banda sonora não se enchem de pretensiosismos e oferecem ao espectador uma experiência natural e humilde. Peter Farrelly toma um carinho especial pelo filme e transforma-o numa obra de arte que aconchega o espírito do espectador.

Green Book Critica e Cinema

O trabalho do realizador merece ser reconhecido pela vivência que fornece. Green Book é simplesmente explêndido. É um hino à amizade e ao companheirismo, mas acima de tudo um hino à humanidade que desperta e reflete o melhor em cada um de nós.

Nome: Um Guia para a Vida
Título Original: Green Book
Realizador: Peter Farrelly
Elenco: Viggo Mortensen, Mahershala Ali, Linda Cardellini
Duração:
 130 min

Trailer | Green Book (2018)

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